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sábado, 13 de maio de 2023
Política não há
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NUFF SAID
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| Quimera |
Não sei de onde surgiu tudo isto ? Tem de haver uma origem, uma causa primeira, uma causa produtora, uma causa geratriz. Tem ? Realmente ? Confundir a tentativa de uma resposta, temporária e provisória, a racionalmente possível com uma resposta absoluta e definitiva é forçado de mais. Então, talvez, não tenha! A questão pode estar mal colocada ou não ser sequer a adequada. A necessidade de uma simples explicação, não garante, nem justifica, qualquer certeza numa resposta.
Como garantir que, o que não sei é Deus ? Deus é explicação racional suficiente ? Não! É insuficiente e nada prova quanto à sua existência. Como ente virtual, modelar, Deus existe, de facto, com o mesmo tipo de realidade de um unicórnio. Isto é, inegável e factual. É como o número 1. Existe como ente virtual e operativo, mas de facto, não existe enquanto ser extenso, substância extensa. Um copo é, este copo, com extensão que posso ver e pegar, mas não é o número que define o copo ou que é o copo, portanto, este um, é apenas uma enumeração operativa e referencial, não uma entidade extensa.
De acordo com o anterior, existem pelo menos dois modos de existência: extensa e virtual, algo muito em linha com a ideia de Espinosa de extensão e pensamento ou de Aristóteles de material e imaterial. Isto é discutível, mas não o irei fazer aqui. A ideia é que Deus não é extenso, no sentido material e portanto, existente, ou presente, apenas e parcialmente, numa das dimensões da realidade/mundo. Eu, pelo menos não creio que caminhe sobre Deus ao deslocar-me através da crosta terrestre ou ao atravessar uma superfície aquosa como um rio ou o mar, etc. Para os que acham que o Universo foi criado, talvez, tal, seja admissível. Não vou aqui discutir questões como imanência ou transcendência de carácter eminementemente teológico. Foquemo-nos no criador e na criação.
Deus é a perfeição. Mas se lhe falta a extensão como pode ser perfeito ? Se não lhe falta, então, sempre caminho sobre Deus e os meus pés estão sempre a pisá-lo. Segundo o pensamento de Espinosa, Deus ou a Natureza, essa seria uma realidade tão factual como o facto de todos nós urinarmos e defecarmos sobre ele ou sermos capazes de corromper a sua extensibilidade, designadamente se matarmos outros seres - o que significaria destruir partes da extensão de Deus -. No primeiro caso, a imperfeição não lhe assenta bem. No segundo caso, a materialidade pode revelar-se nojenta e cruel.
Agora estamos presos a este dilema. Tanto uma versão como a outra nos parecem imperfeitas. Então, poderemos concluir, eventuamente, ou nós, não fazemos a menor ideia do que seja a perfeição ou a concepção de perfeição que temos é completamente imperfeita. Nesse caso, também não poderemos atribuir essa qualidade de "perfeição" a Deus. Talvez estejamos somente a inventar e a inventá-lo.
Agora, sobre a criação. Se fomos criados por Deus, e Deus é perfeito, por que razão nos terá ele criado imperfeitos ? Agumas crenças afirmam que o Criador nos criou à sua imagem e semelhança. Mas é suspeito e duvidoso. Se somos feitos à sua semelhantes somos tão perfeitos ou tão imperfeitos como ele. Não ? Não. Os religiosos trataram de mascarar tudo isto. Nós somos eidolon e não eidos, cópias imperfeitas do(s) arquétipos (das ideias perfeitas). Mas por que razão Deus iria criar algo menor, menos perfeito ? Para não concorrer como ele ? Problema de poder ? Os gregos atribuiam todas as características humanas aos seus Deuses. Aliás sempre, a Humanidade, a meu ver, falou sempre sózinha, fosse com totens ou estrelas, quimeras ou outras monstruosidades, etc. De qualquer das maneiras, não se entende por que as religiões que se apropriaram dos Deuses (criados em meu entender pela imaginação dos homens) condenam os seres a tapar o corpo ou os cabelos, como se fosse algo vergonhoso ? Temos que esconder o sexo e a alma, pregando-se em contrapartida a doutrina da verdade, numa ambivalência obtusa e desconcertante. O corpo, os sentidos, a matéria são imperfeições a esconder, como se de algo vergonhoso se tratasse pois, suscitam ou podem suscitar desejo, incorrendo-se nesse caso em pecado. Admitir isto, significa corroborar que somos uma criação defeituosa de Deus. Fazem então sentido as nossas questões iniciais.
Como diria Umberto Eco
"As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal à coletividade. Diziam-lhes imediatamente para calar a boca, enquanto hoje eles têm o mesmo direito à palavra do que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis."
"O drama da internet (corrigiria para redes sociais) é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade."





