sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Gratias Plenas

Estou pronto para levar mais uma sova. Dito, deste modo, até, parece, masoquismo. Mas se for a sova da vida, continuará a ser masoquismo ou bravura, ou até, maluquice ? Ahahah... Maluquice pela certa. Estar pronto, queria-se dizer. Pronto para quê ? Para a vida nos voltar a derrubar pois, realisticamente, é isso que sempre sucede e que continuará a suceder, a intervalos, absolutamente imprevisíveis. Fartei-me do previsível, do contínuo, do estável (embora deseje ter uma noite tranquila),etc. Não podemos radical-izar. Esta separação da palavra foi propositada. É isso mesmo. Sonhar, mas deixar espaço para o concreto, o real, construto psicossocial. Criamos! Que bom. Inventamos, estipulamos, organizamos arbitráriamente o arbitrário mundo, ao nosso ver, adaptado. Realisticamente, falando do irreal, não vivemos sem o conceber. Daí até à in-diz-extinção é um ápice. Conceptualizamos o caos e a ordem. Estabelecemos-lhes as leis, as nossas. Vê-mo-los como qualquer tipo de cobertura de um gelado. É a nosso gosto, seleção, decisão, imposição, categorial! A indeterminação é tanto exógena como endógena. O Télos segue o seu caminho, seja ele qual for, até pode mudar ao longo do percurso. Agora inventaram a Nutella e eu, invento o Notellus, ou seja, o não Télos.Invento ou improviso ou imagino ou penso ? No ar desdobram-se seres metafísicos. Pode não ser um não Télos, pode ser um Télos clone assimétrico. Estilo, acomodação nas estruturas cognitivas definidas por Piaget. Tanto tempo seguros no lógos, razão ou palavra, e afinal, escutam-se  apenas ondas e frequências. Cada um segue o seu "pace" o seu ritmo. É desenfreado, incontrolável, saudável, livre e louco! Sim, controverso e contraditório. Sim, unificável mas, não Uno. 
Já se sentem massajados ?

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Sem Margens




No mundo imaginário dos valores tudo é perfeito. A realidade é como é, fruto de muitas conjunções e disjunções de forças. Por isso, é difícil, se não impossível, querer traçar uma linha divisória diferenciadora ou delimitadora, como se, se tratasse de uma linha de circunscrição atida a cada contexto próprio.

Trata-se, afinal, de um puzzle onde raras são as peças que se encaixam e que, portanto, raramente deixa antever um sentido, uma direção, um ponto de fuga de compreensão de cada sua forma futura, retirando-lhe quase toda a previsibilidade. Uma espécie de amontoado de peças não emparelháveis. 

Como então estabelecer a ordem ? A lei ? Só no reino do arbitrário, por mais que o nosso ansioso desejo exija a sujeição às nossas virtuais linhas de controlo. É claro, que neste sentido, o caótico sobressai como espelho, não acrescentando, no entanto, a imagem reflectida, alguma outra margem de compreensão. Neste domínio as perspectivas disparam até a um número quase infinito. Por outras palavras, embora qualquer caótico se possa assemelhar a qualquer outro caótico não existirá aqui, nenhum esboço ou sinal de simetria.

Então, como delinear ou conjugar os valores com o real  de forma justa e balanceada ?

Um referente que se referência a si mesmo constitui uma obtusidade.




segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Eter-N-idade


Podemos visualizar, extasiados e em silêncio, a eternidade, mas, jamais conseguiremos tocar-lhe! Não se trata de nenhum Deus, mas sim, da Natureza à qual pertencemos.








Restos mortais


Somos um saco de batatas de desejos. No final, só resta a serapilheira. Para que valeu tanta batata ?









segunda-feira, 2 de outubro de 2023

A arenosa felicidade


Acontece muitas vezes. O porquê não é conhecido mas, que é visível para outros, é inegável. Seres que buscam a felicidade, que procuram ser felizes mas, que mesmo tendo-a ao seu alcance, a deixam escapar, tal como areia esvaindo-se da palma de uma mão (metáfora pictórica, muito bonita, do filme Out of Africa).
Os seres complicam, focam-se no não essencial, deixam-se atrair pelo sonante, vibrante, brilhante e, nisso enredados, afastam-se da felicidade por que tanto anseiam. Quem está de fora percebe, quem vive a sua existência está, muitas vezes, cego a essa possibilidade.
Como alguém detecta esse divórcio?
Querer demais não resulta. A felicidade não é só questão de querer muito, sobretudo quando, ela é incontrolável pela vontade.
Desejar demais, também não resulta. Satisfazer todos os desejos, não só é impossível, como insustentável e, existe ainda o perigo de desejar se tornar uma adição. Cuidado com aquilo que se deseja, diz um antigo ditado popular.



quarta-feira, 27 de setembro de 2023

the non law


Estes homens não se sabem governar com leis, nem sem elas. A lei acima de tudo e de todos não convoca a unanimidade e, muito menos, quanto à interpretação subjectiva de certos princípios. Para mim qualquer ser humano está acima da lei, o problema é que a lei não quer em nada saber do ser humano, embora seja, o ser humano quem a lei pretende tutelar, sem que, no entanto,  o consiga compreender. Pensa-se,  a lei está acima. A lei é eterna, indiscutível. A única excepção; se a vontade de uma maioria, normalmente, muito mal informada, a quiser modificar. Dirão que nas democracias a lei é discutida em assembleias ou parlamentos.  Após a sua génese quase todos os projectos de leis são discutidos e aprovados por maiorias, nem sempre as mais qualificadas. O que tem mais faltado ao parlamentarismo é qualidade. Por vezes, mas raras vezes, são alteradas e, são-no para tentar adaptá-las às novas vontades de outras maiorias ou eventualmente, a novas realidades mas, quase sempre sem mexer na sua matriz anterior. No entanto, a matriz de que, não se pode viver sem lei, nunca prescreve. Há até leis que são um verdadeiro hino à injustiça.



terça-feira, 5 de setembro de 2023

A queda metafísica do eu

A vida é, a queda metafísica de um anjo desasado, que se extingue ao atingir o fundo do abismo em que penetrou.

O eu é essa ilusão autobiográfica que "mudando, permanece" sendo a candeia que ilumina cada novo espaço percorrido na grande noite sem sentido. 

Sem o navegaríamos, à deriva, sem nenhuma linha de horizonte, completamente perdidos. 

Sem essa bóia naufragaríamos de imediato no extenso oceano. Ao contrário, com o seu excesso asfixiaríamos pelo seu insuflar intemperado.

sábado, 26 de agosto de 2023

Without listenning to this "Human" isn't your true name

Músicos de Portinari
                         

Besides I'm absolutely an atheist I would advise who never heard this 18 masterpieces of music in it's entire life that should do it immediately to start being a Human Being and before it's too late. 

Mozart - Ave Verum - Mozart Ave Verum
Ewa Malas Godlewska  - Handel - Lacia Ch'io Pianga
Philippe Jaroussky & Julia Lezhneva - Pergolesi - Stabat Mater Dolorosa
Anja Harteros - Mozart - Laudate Dominum
Bach - St. Matthew Passion - The complete master piece (No adjectives)
Vivaldi - Nisi Dominus Cum Dederit - Andreas Scholl
Handel - Sarabande
Giovanni Battista Lulli - Marche par la cérémonie des turcs

DESAPAIXONADAMENTE ?

http://criticanarede.com/sabedoriasem.html
«Desapaixonadamente, porque não te entregas às minhas mãos, em vez de, às minhas palavras ?... Certo! Eu, deveria dizer-te o contrário. Afinal, sei lidar, bem melhor, com palavras. Sabes, tenho uma tremenda falta de jeito para usar as mãos. Nasci, assim. Penso, que morrerei, ainda, desse modo. Mas, então, porque te peço isso ?... É que se me queres amar é melhor começares por aceitar aquilo em que não nasci dotado, em de vez de te deixares deslumbrar pelo fugaz vigor de algum talento que possa ter herdado. Desapaixonadamente, procuramos, quase sempre, encontrar fórmulas que resultem, para a vida, para o amor, etc. Porém, com o tempo descobrimos que tudo isso, é, perfeitamente, aleatório. Bem, existe sempre uma vida escrava da admiração dos outros, em que tudo se faz para ficar bem visto, iludindo-nos com isso, porque, uma coisa é estar na ribalta e outra, ser-se verdadeiramente amado. E tanta diferença existe entre as côres e o brilho! Desapaixonadamente, como solução imaginada, imaculada, ou seja, sem sofrer a torrente de emoções e desejos que a paixão provoca, vendo, nesse modo diferente de abordagem, uma forma mais estruturada para enfrentar coisas que, não se controlam, embora, nos sintamos mais aconchegados por esse pretenso desprendimento. Engano. Mero engano. Como se pode viver desapaixonadamente uma paixão ? Então, não é, certamente, uma paixão. O amor não é um livro de perguntas à espera de respostas exactas.»[noético-24/10/2014]





Afinal, nada temos.



Não há muito a dizer sobre o mundo. Os vivos não sabem. Os mortos não falam. O corpo não morre. A alma perece. Estranhas as mentiras em que  cremos quando somos vivos. Depois de mortos, nem crença, nem opinião, nem sabedoria, nem eu! O que mais nos atormenta é o eu que se tem em alta consideração e que teme se desvanecer. Mas, o medo, neste caso é inútil. Nada pode. É impotente! Não controla nada. E, enquanto vivo, só controla a ilusão de controlar que está vivo. Coisa irrelevante. Dói ? A muitos dói. Isso, reforça a ilusão de controle e a vontade de controlar. É preciso combater a dor, ser feliz. É mesmo ? Não, não é! Mais um combate por controle, o "temos", o imperativo! Quando, afinal, nada temos!




sábado, 12 de agosto de 2023

O que significa não haver futuro sem história



Não haver futuro sem história significa negar um começo, que nada pode ter surgido do nada e, também, afirmar que,  a história é a sua própria maternidade. O certo é que, antes da vida não há nada ?  É preciso uma sucessão de diversos eventos e uma sucessão de contextos diferenciados e favoráveis. Um homem que encontra uma mulher. Um momento de cópula. Um espermatozóide que fecunda um óvulo. Uma porção de meses de gravidez de uma mulher. Contudo, esta sucessão ou processão de eventos,  não é a vida. Embora, seja a matéria viva a gerar nova matéria viva sob uma das suas formas possíveis. Não há, então,  um começo ou indício de começo e podem até haver milhões de indícios de começos sem os haver de facto, tal como, os milhões de espermatozóides em ação não encontrarem sequer um óvulo para fertilizar. Então, em que ficamos ? Tem de haver vida para haver uma nova vida e antes de uma vida à sempre vida sob outras formas. Dir-se-ia que é da energia que é gerada a vida. E que aquilo que classificamos como matéria inanimada o fazemos de modo errado pois, tudo que existe está animado de movimento e, os ditos seres vivos, são apenas gerados a partir da energia existente sob outras formas, entre as quais os átomos e moléculas químicas componentes da matéria que dizemos não estarem vivas mas que, na realidade o estão, existindo, interagindo, transformando-se e combinando-se sob diferentes formas todas elas em movimento. Nesta perspectiva, também não existe morte, sendo esta, apenas uma cortina que cai momentaneamente sobre uma forma, para no acto seguinte se erguer de novo, dando origem a outras formas de energia que entrarão de novo em cena ocupando de novo o palco.



terça-feira, 25 de julho de 2023

A mente é que é mortal



Tantos séculos de cultura, a afirmar sempre, no mesmo sentido, de que o corpo é perecível e a alma imortal, quase que me convenceram. Porém, face à minha experiência, de quase morte, da qual regressei, pelos meios da moderna ciência da medicina, alterei essa minha antiga crença e perspectiva. O que morre é a mente e não o corpo. Convém explicitar. Corpo aqui designa matéria, energia, composto físico-químico natural, com alguma forma, dentro de uma panóplia de plasticidades. A forma pode mudar, mas a energia não se esgota, não termina,  transforma-se e transmuta-se noutras formas. A forma é metamórfica, camaleónica. Dos átomos e partículas ainda que mais elementares podemos dizer que sempre se transformam. Podemos dizer que um cadáver se decompõe e se transforma em múltiplos elementos físico-químicos que entrarão em outros elos que compõem outras formas corpóreas naturais. O que não poderemos dizer é que a mente não morre. É precisamente essa parte que não é conservável corpóreamente, quando o corpo se desintegra integrando-se no grande ciclo maior ecológico universal. É pois, a mente, a única parte de nós que realmente desaparece, sem transmigrar para lado algum da natureza. Nem quanta algum de energia dela sobra. É a mente que morre, afinal. E fruto da mente, não se perde no total, por que são as formas vivas das gerações seguintes que fixam, como cultura, humana, o rastro das mentes que as precederam. De resto, não há qualquer outro arquivo dessa presença. Contudo, precisemos, é a mente, a individual, que morre. Apenas o arquivo colectivo e virtual das mentes subsiste sob forma cultural.






Verdade


A situação mais perigosa do mundo é aquela em que o conceito/palavra "verdade" cai nas malhas da crença e da superstição. Na realidade, o perigo, não está nunca na palavra/conceito mas, sim, na incapacidade receptiva do auditório e/ou no seu uso como bandeira/dogma. Repetir muitas vezes que uma mentira é verdade, não torna a mentira verdadeira. No entanto, para muitos, assim sucede.
Compreende-se, assim, que, embora todos falem na "verdade" a grande maioria, na realidade, dela afasta-se, mantendo, no entanto, o subtil disfarce de ser seu discípulo.
Para esclarecer: a verdade é algo que se alcança pelo conhecimento através da lógica e do rigoroso ater-se aos factos e, nunca,  jamais, fruto de uma crença ou de um qualquer apelo de seita.
Depois de tantos séculos de luta pela razão, pelo esclarecimento e pela ciência com sacrifícios e fogueiras à mistura, eis que, chegados ao século XXI muitos, voltam a defender a crença de que a Terra é plana, de que não existe gravidade e de que tais convicções (eu chamar-lhes-ia crenças e superstições quasi fanáticas) se baseiam na verdadeira ciência. Essa, é a mesma gente que anda com telemóvel na mão, que usa GPS e as últimas tecnologias fruto de uma ciência que não se baseia nas suas crenças absurdas e até as desmente por completo. Não adianta apresentar-lhes factos pois eles, só acreditam na sua versão única adulterada da realidade mas, que, a eles de algum modo convém. A ciência, a verdadeira é pública, admite as suas falhas e tenta corrigi-las. Não se apresenta como verdade única irredutível, nem se sustenta em crenças injustificadas e não corroboradas por factos mas, isso de nada adianta ou convence quem por conveniência, ressentimento, fidelidade a um certo grupo nega tudo isso. Daí, chamar-lhe superstição, algo que é quase impossível de combater, enquanto que numa crença, ainda se consegue encontrar alguma abertura para ela vir eventualmente a tornar-se esclarecida.



Na cama do hospital


Na cama do hospital, sentimo-nos ínfimos, esmagados mas, ajustados à nossa real condição de seres interdependentes. Na cama do hospital apenas conseguimos imaginar, sem factualidade, como vivem os outros do lado de fora, enquanto eles, quase por completo, ignoram a nossa vida numa cama de hospital. Estando próximos permanecemos tão distantes, à distância de uma parede e de um tecto. À distância da condição de estar numa cama de hospital.
Na cama do hospital e diante  da perspectiva próxima da dor e da morte quase todos se compadecem, se entreajudam, estabelecendo os mais simples laços de humanidade. Na cama de hospital a dor é suportada quer pelo instinto de sobrevivência, quer pela medicação, quer pela empatia dos que, heroicamente, batalham  para nos curar.
Na cama de hospital o mais apto oferece-se aos outros não para se exibir mas para os aliviar. Na cama do hospital o mais antigo ensina aos neófitos tudo o que lhe pode facilitar a sua vida, presumivel, temporária e/ou definitivamente afectada.




Coménio e outros



Abra-se e leia-se a Didática Magna. Pense-se nos séculos que se passaram. Agora, pense-se nos Linkedinns, TikToks, Facebooks e/ou Instagrams...É a revolução, a digitalização, na realidade, uma horda que progride semeando a absoluta ignorância dos factos e da História gerando a quase universal estupidificação. A Terra voltou a ser plana, as vacinas têm chips de controlo das pessoas, os negros foram reis e raínhas da Inglaterra há séculos atrás. Nada é impossível, o etíope pode até, muito bem, mudar a cor da pele. A multidão lidera, incauta e irracional, libertina, imatura, inconsistente mas, empoderada pela quantidade e número de likes, num frenesim psitacista desenfreado. Quem não estiver na onda é melhor deixar a avalanche eclodir e desvanecer-se sem nunca sequer ousar atravessar-se à sua frente.
E eu a pensar que se morreu na fogueira para defender a verdade, para depois se chegar a isto?!...



Os Tuga Libres


Diogo Ribeiro

Os portugueses ficam muito contentes quando os elogiam ou quando algum indivíduo ou grupo de entre eles sobressai no âmbito internacional, embora, para tal, não tenham contribuído com qualquer esforço da sua parte. Quanto ao que se passa entre quatro paredes, já os portugueses criticam, consideram negativo, desonesto, despropositado, desmesurado, infiável, inábil e inadequado sem, contudo, evidenciarem possuir quaisquer padrões de exigência elevados.
Apropriam-se assim de muitas das glórias de outros assim como se demarcam com grande ligeireza dos insucessos comuns próprios, normalmente, responsabilizando terceiros pelos factos.
É uma atitude muito refinada de viver livres e contentes ou presos e amparados ao fado como uma bengalinha mágica.



sábado, 8 de julho de 2023

Do outro lado



Não há ninguém
À minha espera
Do outro lado
Nada, ninguém
Não veio ninguém
Estender-me a mão
Para salvar-me
Nada, ninguém
Nem virgens, nem anjos
Para cumprimentarem-me
Do outro lado
Apenas, nada e, ninguém.



quarta-feira, 21 de junho de 2023

O singular plural

Georgy Kurasov

No final é quase tudo igual ao começo quanto à estranheza e espanto do conhecimento. Afinal, tudo parecia estar destinado a desafinar, cada ser estruturado em torno da sua genética e adaptação, com os seus muitos e diversos episódios, semelhante, mas desigual.
Impossível, quase, viver uma vida inteira sem doença. Um teste à nossa resiliência e ciência, de desfecho imprevisível.
Todos somos mortais mas, vivemos, ignorando esse facto, pensamos que somos imortais. Viver é, alienação pura. Só o teatro nos permite sobreviver, enquadrando-nos entre o real e a máscara a ponto que, ambos se fundem e confundem numa completa unidade, muitas vezes.
Cremos nas continuidades, mesmo que elas possam nem sequer existir. É esse fechamento que nos aliena e nos afasta da esquizofrenia do conhecimento, pois, conhecer seria certamente algo similar. A luz não só cega como, vista no seu total espectro representa uma multiplicidade inequacionável. Só sabemos gerir multiplicidades através de unidades. Cada número é um infinito, estilo mônada. De outra forma não haveria ciência e/ou conhecimento. Conhecemos por que adaptamos o mundo aos nossos conceitos que são agregados unitários e entre eles estabelecemos relações, capturando e agregando essas multiplicidades em direcionamentos, vetores de coligação entre conceitos. O eu, o único, são estruturas nossas. São as raízes múltiplas basilares sobre as quais assenta todo o nosso conhecimento. Agregar é o método, a base, o solo fértil de onde emerge qualquer noção ou termo. No fundo, tal como os humanos, a espécie. Daí falarmos nas estranhezas, inicial e final. Estranhamos por compreender essa magia subjacente ao nosso mundo. A objectividade é também uma agregação do sujeito. O sujeito é um agregado. Faz parte da mesma Natureza de múltiplos onde o raro, é muitíssimo raro mas nunca chega a ser único. Argumentarão, aquele Sol extinguiu-se. Aquele é já parte de alguma agregação.  Se pensarmos bem, o uso da estatística como preditor é a prova disso. A realidade é plural, toda ela.




segunda-feira, 19 de junho de 2023

Não há perfeição

https://zlatkomusicart.wordpress.com/2014/10/31/beauty-lies-in-imperfection/
Zlatko Music

Se os energúmenos, crentes no seu Deus, sejam de que credo forem, na prática, renegam por completo o objecto da sua fé, podemos então, fácilmente descrer na sua fervorosa fé e, ainda pior, suspeitar da sua real falta de humanidade ao quererem segurar tibiamente adesões a falsos absolutos. Para quê, tanta falsidade ? Para quê, tanta máscara de fé, autêntica? Todos os mentirosos patológicos enredam-se e acreditam piamente nas sua mentiras como se do consolo da sua imaginação extraissem verdades. Infelizmente, dada a abundância destes seres,  esta sua fragilidade torna o mundo um lugar tão virtual quanto desvirtuado.
Por isso, afirmo que, o lugar da não crença, o lugar mais desabitado é, o lugar certo, onde, não se será contaminado por esse veneno modal e irresponsável.



segunda-feira, 29 de maio de 2023

Agir

Picasso - Ma Jolie (1911)

Age sempre como se nunca recusasses um último desejo de um condenado, excepto se, esse derradeiro desejo consistisse em, tu morreres e o condenado se salvar ou se, nesse caso, o condenado fosse um  teu filho ou alguém que tu amasses.



quarta-feira, 17 de maio de 2023

Um beijo


Gostaria de poder
Receber um beijo
Apenas e tão só 
Um beijo
Doado e desinteressado
Um beijo
Que me viesse confortar
Desta loucura
Que me parece rodear
Um beijo
Que realmente
Revelasse amar-me



sábado, 13 de maio de 2023

Política não há



Crise climática. Repetidamente níveis bons ou razoáveis de água no Norte, falta da mesma no Sul. Em Espanha já se faz transvaso dos rios de Norte para Sul e dessanilização. Não resolve, mas atenua. Em Portugal, continuamos sem estratégia, ou seja, sem política e sobretudo sem ação. Onde está o Ministério do Ambiente, o da Agricultura e o das Infraestruturas ? 
50 anos para decidir onde será o novo aeroporto é revelador dos políticos que temos e do grau de exigência do povo.
Os jornalistas focam-se no futebol e na realeza inglesa, no diz que disse entre o PR e o PM e, compreende-se a mediocridade e a pobreza jornalística.
A falácia do conforto verde dos carrinhos eléctricos e a utopia do imediato fim dos combustíveis fósseis é também reveladora.
Triste é mesmo o batalhão de viciados na Net e nas redes sociais que, em pleno século XXI, acredita que o homem nunca foi à Lua, que a Terra é definitivamente plana, que as vacinas são um embuste e que as alterações climáticas, acelerados pelo homem são um mito. Razão tinha Umberto Eco, que alguns ainda ousaram chamá-lo arrogante.
Em suma temos um cocktail explosivo que não augura nada de bom para o futuro.
Política? Acções com estratégia para resolver problemas? Não há!





quarta-feira, 10 de maio de 2023

NUFF SAID

 

Quimera

Não sei de onde surgiu tudo isto ? Tem de haver uma origem, uma causa primeira, uma causa produtora, uma causa geratriz. Tem ? Realmente ? Confundir a tentativa de uma resposta, temporária e provisória,  a racionalmente possível com uma resposta absoluta e definitiva é forçado de mais. Então, talvez, não tenha! A questão pode estar mal colocada ou não ser sequer a adequada. A necessidade de uma simples explicação, não garante, nem justifica, qualquer certeza numa resposta.

Como garantir que, o que não sei é Deus ? Deus é explicação racional suficiente ? Não! É insuficiente e nada prova quanto à sua existência. Como ente virtual, modelar,  Deus existe, de facto, com o mesmo tipo de realidade de um unicórnio. Isto é, inegável e factual. É como o número 1. Existe como ente virtual e operativo, mas de facto, não existe enquanto ser extenso, substância extensa. Um copo é, este copo, com extensão que posso ver e pegar, mas não é o número que define o copo ou que é o copo, portanto, este um, é apenas uma enumeração operativa e referencial, não uma entidade extensa.

De acordo com o anterior, existem pelo menos dois modos de existência: extensa e virtual, algo muito em linha com a ideia de Espinosa de extensão e pensamento ou de Aristóteles de material e imaterial. Isto é discutível, mas não o irei fazer aqui. A ideia é que Deus não é extenso, no sentido material e portanto, existente, ou presente,  apenas e parcialmente, numa das dimensões da realidade/mundo. Eu, pelo menos não creio que caminhe sobre Deus ao deslocar-me através da crosta terrestre ou ao atravessar uma superfície aquosa como um rio ou o mar, etc. Para os que acham que o Universo foi criado, talvez, tal, seja admissível. Não vou aqui discutir questões como imanência ou transcendência de carácter eminementemente teológico. Foquemo-nos no criador e na criação.

Deus é a perfeição. Mas se lhe falta a extensão como pode ser perfeito ? Se não lhe falta, então, sempre caminho sobre Deus e os meus pés estão sempre a pisá-lo. Segundo o pensamento de Espinosa, Deus ou a Natureza, essa seria uma realidade tão factual como o facto de todos nós urinarmos e defecarmos sobre ele ou sermos capazes de corromper a sua extensibilidade, designadamente se matarmos outros seres - o que significaria destruir partes da extensão de Deus -. No primeiro caso, a imperfeição não lhe assenta bem. No segundo caso, a materialidade pode revelar-se nojenta e cruel. 

Agora estamos presos a este dilema. Tanto uma versão como a outra nos parecem imperfeitas. Então, poderemos concluir, eventuamente, ou nós, não fazemos a menor ideia do que seja a perfeição ou a concepção de perfeição que temos é completamente imperfeita. Nesse caso, também não poderemos atribuir essa qualidade de "perfeição" a Deus. Talvez estejamos somente a inventar e a inventá-lo.

Agora, sobre a criação. Se fomos criados por Deus, e Deus é perfeito, por que razão nos terá ele criado imperfeitos ? Agumas crenças afirmam que o Criador nos criou à sua imagem e semelhança. Mas é suspeito e duvidoso. Se somos feitos à sua semelhantes somos tão perfeitos ou tão imperfeitos como ele. Não ? Não. Os religiosos trataram de mascarar tudo isto. Nós somos eidolon e não eidos, cópias imperfeitas do(s) arquétipos (das ideias perfeitas). Mas por que razão Deus iria criar algo menor, menos perfeito ? Para não concorrer como ele ? Problema de poder ? Os gregos atribuiam todas as características humanas aos seus Deuses. Aliás sempre, a Humanidade, a meu ver, falou sempre sózinha, fosse com totens ou estrelas, quimeras ou outras monstruosidades,  etc. De qualquer das maneiras, não se entende por que as religiões que se apropriaram dos Deuses (criados em meu entender pela imaginação dos homens) condenam os seres a tapar o corpo ou os cabelos, como se fosse algo  vergonhoso ? Temos que esconder o sexo e a alma, pregando-se em contrapartida a doutrina da verdade, numa ambivalência obtusa e desconcertante. O corpo, os sentidos, a matéria são imperfeições a esconder, como se de algo vergonhoso se tratasse pois, suscitam ou podem suscitar desejo, incorrendo-se nesse caso em pecado. Admitir isto, significa corroborar que somos uma criação defeituosa de Deus. Fazem então sentido as nossas questões iniciais.



Spirit of the Water

I emerge

 

Sunset in a tower

Sunset in a tower

 

The fisherman

 

Watch in silence

Como diria Umberto Eco



"As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal à coletividade. Diziam-lhes imediatamente para calar a boca, enquanto hoje eles têm o mesmo direito à palavra do que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis." 

"O drama da internet (corrigiria para redes sociais) é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade."


sexta-feira, 5 de maio de 2023

Who are you ?


Yes you are a rare inteligence. Nevertheless you are not necessary according to current and ancient theories. So, in fact, you might be dismissable and in fact you're not. Of course you're the center of politycal consern. Are you ? Of course you're not. First, it's money the big elector. First money, then the rest. So it is. The only concern is you. What do you think about it ?And what about if it rains?
About that I'm really not sure.





segunda-feira, 24 de abril de 2023

The undoubtable

Ericeira

 

I have a set of beliefs on which my rationality is founded and on which it runs without any prediction, except the hope of reaching the truth, however, it is always on a biographical-cultural basis that our beliefs and hypothetical truths are founded, leaving space for time and society modify them according to the possible and natural course of adaptation.



Ícone Validada pela comunidade

domingo, 16 de abril de 2023

Bem haja!



Bem haja pela Terra, pela Lua, pelo Sol. Bem haja pelos Oceanos, pelas plantas, pelos animais, pela litosfera. Bem haja, pela música, pela literatura e por todas outras artes, de ofício ou não, sem as quais o quotidiano seria insuportável. Bem haja pela filosofia, pela ciência e até pela religião e pela política. Bem haja pelos homens e mulheres de bem, pelos que lutam corajosamente e honestamente para que nada falte nas suas e nossas vidas. Bem haja pela vida e pela morte, pela saúde e pela doença. Em suma, bem haja! 

Porquê, bem haja?  Por que esquecemos, banimos, eclipsámos  ou enterrámos, o agraciar, o agradecer, o bem dizer, o apreciar, o rejubilar, o abençoar !?

O Homem aflito não tem tempo, alimentado que é pela voracidade do imediato, do tudo pronto, do tudo resolvido, do tudo feito, ou seja, furtando-se ao verdadeiro fruir do aprender ao fazer, atormentado pela totalidade do tudo ou nada. O  Homem aflito é também aquele cuja mesura é a desmesura, o incontido, o desenraízado, o perdido e que procurando ou não uma salvação que não existe, esbraceja, ri ou chora des-alma-da-mente, o Homem que se joga na abertura imensa do que não é sua natureza, numa fúria desenfreada de transgredir os seus inultrapassáveis limites. O Homem aflito é também o Homem que se esqueceu de si. Num mundo completamente espelhado onde a sua imagem se multiplica ao infinito, perde-se na perspectiva dos seus reflexos e desencontra-se de si mesmo.

Bem haja é não só dar graças mas bem agir! No acto de gratidão  reconhecemos e encontramos o Outro, sejam os seres, sejam as coisas, ou seja, abri-mo-nos para o que está e é além de nós, quebramos a solidão, a cadeia narcísica do nosso ente, transcende-mo-nos, emula-mo-nos.

Bem haja, que haja vida e o seu ciclo natural a morte, a doença e a saúde, para que tudo se regenere.




sexta-feira, 14 de abril de 2023

O quê?

Barca de S. Vicente (Palácio dos Coruchéus)

Sim, o quê? Quando julgamos estar nas últimas, sermos quase os protagonistas dos reis da tragédia eis que, a realidade nos ultrapassa vários furos (termo usado nos primórdios da computação moderna quando se usavam cartões perfurados) acima.

Pior, se houvesse um Deus, ou algum ser que realmente zelasse pela nossa humilde precaridade heróica, talvez se evitassem estas terríveis tragédias. 

Claro que a necessidade aguça o engenho e que de uma forma ou outra este bichinho pestilento tem de se virar/adaptar. Não há outro caminho. Ou em frente, ou nada! Contudo, é preciso ponderar o "em frente". Não se trata de justificar todo o tipo de atropelamentos, atrocidades e iniquidades só por que só se pode caminhar encarando as circunstâncias. Pelo contrário, sabendo que o caminho é finito é preciso ponderar muito bem cada passo, cada palavra, cada acto.

De pouco interessam as memórias dos que nos sobrevivem. A urgência, raramente existe. A pressa é inimiga da perfeição. E, nada é irresolúvel excepto a morte. O que interessa é a ponderação e a organização disciplinada das directrizes que tomamos para a nossa vida, independentemente de termos tempo e oportunidade para o concluir até ao equilibrium. E pode haver diversos equilíbrios, muitas paragens, muitas encruzilhadas, muitos pontos de fuga, etc. No fim, só a nós caberá sopesar se houver essa oportunidade e tudo parecerá quase insignificante e auto-resolúvel mesmo que as soluções em nada dependam de nós.

Gostei muito de vos conhecer e de ter desfrutado a vida na vossa companhia e de algumas pequenas realizações minhas e é tudo!

A morte é soberana na sua garantia de que a ela ninguém escapa. Portanto, seja o que for, suceda o que tiver de suceder. Fomos ou somos livres ? Sim, fomos e somos, até mesmo ao último e derradeiro segundo! Dirão, mas o que podes escolher ? Por exemplo, sorrir ou chorar, bendizer ou maldizer, etc. Somos livres sim e mais, muito mais fortes e corajosos do que supomos.

Um abraço, uma vénia e o nosso respeito!



terça-feira, 11 de abril de 2023

Imbecis com 7 cabeças

Hércules lutando com a hidra de Lerne

Duas questões essenciais:o que podemos ou não experimentar ?  O que podemos ou não aprender?

Nao podemos experimentar o zero absoluto, por exemplo. (-273,15°C). Mesmo executando a experiência são as máquinas e os aparelhos que experienciam, não nós humanos, que apenas consultamos o resultado nos aparelhos. Se experienciássemos isto morreríamos.

Mas podemos experimentar o amor com pessoas, animais e coisas diferentes (este último nunca retribuído). Isso não significa que amemos tudo do mesmo modo, com a mesma intensidade. Podemos amar avó, mãe, irmã,  prima, cunhada mas, certamente serão amores diferentes e de graus e intensidades diferentes e onde o sexo não deverá estar presente. Se estiver, então um psiquiatra será recomendável. O mesmo se passa como avô, pai, irmão, primo, cunhado.

Poderia aqui discutir atração pelo mesmo sexo ou até a bissexualidade. Acredito, que se possa amar uma pessoa do mesmo sexo e até mais do que uma pessoa, do mesmo ou de diferentes sexos contendo atração sexual. Contudo, essas relações com mais de um parceiro nunca serão muito pacíficas e, muito menos, simples e totalmente satisfatórias. Se formos a ver, nem sequer as relações heterossexuais são sempre simples e satisfatórias. Porém é diferente gerir conflitos entre dois do que em maior número, em geral. A racionalidade o aponta.

No entanto, há medida que os relacionamentos se destipificam diversificando e embora não esteja em causa a liberdade sexual da pessoa, pode estar em causa a saude mental dessas pessoas. E convém nao reduzir sexo a amor e vice-versa. Muita atitude hoje em dia aceite, não passa de perturbação.

Há casos em que se nascendo de um sexo se sente pertencer a outro. É inegável. Não são a norma! Mas, também não são uma aberração. Há que lidar com estas situações com delicadeza, compreensão e muito apoio quer de amor, quer técnico-cientifico e simplesmente aceitar sem preconceito algum. Porém, não podemos nem adoptar uma atitude de aceitar tudo isto com a ligeireza e os modismos culturais que muitos nos tentam impor, sem uma reflexão séria nem numa atitude laxista de que tudo é aceitável, permissível e normal. 

Normal vem de norma que significa o que é lei, mais universal  e não podemos tratar por ignorância, por desleixo ou por modismos culturais, o que não é o normal tomando-o como tal, sob o risco de nos tornarmos imbecis!

Podemos sim, sentir amor por outros animais (cavalos, cobras, ratos, vacas, cabras, porcos, tarântulas, cães, gatos, iguanas, erc.). Embora alguns idiotas defendam que os animais também os amam, não nos podemos deixar enganar. Pode haver troca de afectos entre animais e humanos mas nunca será uma relação equitativa sobretudo do lado do animal não humano. Isto, mesmo que o animal salve o dono. Aliás usei esta expressão por que era a mesma que se usava com os escravos mas, não é por isso que um outro animal pode amar qualquer ser humano de forma igual. A razão é simples: algum bichinho sem ser humano ora a Deus? Pinta por iniciativa própria? Cria naves espaciais para ir ao espaço? Cria instrumentos para salvar a vida de outros ? Não! Claro que os bichinhos podem sentir afectos pelos humanos (dentro de uma ordem social e segundo um grau) mas sempre dentro de um grau super limitado e nada mais. Chamar a isso Amor é uma imbecilidade ou, pelo menos um comportamento a roçar o delírio que talvez merecesse tratamento.

Portanto, há sempre que saber caso a caso, cada situação, avaliar a sua complexidade e só depois haver pronunciamento. Até lá devemos aprender a conviver com as diferenças o que não significa aceitá-las sequer (imagine-se se aceitaria alguém que o quisesse matar) e evitar quer generalizações pseudo-modernistas de que vale tudo ou enraizadas numa tradição em que nada de novo vale alguma coisa.



segunda-feira, 10 de abril de 2023

Párias de um país das maravilhas.

Só gente incompetente!

Sem vergonha é um país governado por políticos para quem as estatísticas valem mais do que os seus compatriotas.

Ao governo apesar dos escândalos por que as estatísticas apontam para que um certo partido conotado  com a direita seja o segundo mais votado e o maior partido da oposição não tenha maioria, dirigido por um mavioso corrupto e que tem tanto de inteligência como falta de sorrisos cínicos e imbecis.

Para mim isto é uma vergonha, uma falta de coragem e uma conivência com um status quo de mediocridade que cada vez mais impera nas nossas estruturas de poder.

Mediocridade e falta de vergonha! Marcelo é tão mediocre como o governo que sustenta ao nada fazer para terminar com "as faltas, falcatruas, incompetências" e pelo contrário, depois de ter gritado "ó da guarda" se remeter ao silêncio, dizendo "não foi nada".

Marcelo trata os portugueses como imbecis, arvorando-se uma maturidade democrática e uma sapiência política incomum de que não é proprietário.




sábado, 8 de abril de 2023

Respeito é muito trabalho


Chartres Labyrinth

Se pretende respeito, principie por se respeitar a si mesmo, não há outro caminho.

Mas respeito o que é ? 

Tratar-se adequadamente de modo a que nada de básico e fundamental lhe falte. Mas falta-nos tanta coisa? Pois sim, mas, trata-se apenas de tomar como fiel da balança o evitar excessos e carências. Dominar-se e controlar-se a não querer ou desejar mais do que for o estritamente necessário para uma vida saudável, activa e satisfatória e auto disciplinar-se exercitando-se nesse controlo. 

Alguns dirão mas, a satisfação de cada um é tão diferente de pessoa para pessoa? Sim, é!

Mas, todos deveriam saber estabelecer pelo menos o mínimo básico do que os satisfaria, sem querer o céu e a terra, sem exageros e, relativamente a coisas que, como dizia Epicuro, dependam essencialmente de cada um de nós e nada de outros. 

Ora, como vivemos com outros, nem sempre as vontades e realizações humanas, convergem, coexistem, cooperam e antes pelo contrário se atropelam e colidem numa competição desenfreada. É natural e normal.

Solução? Aprender a viver com as diferenças, escolher aliados convergentes para o não essencial (para consigo próprio) e ignorar tudo o resto.

A nossa vida está cheia de limites mas, não é por isso que, não somos livres de julgar/escolher/decidir. Se perdemos a liberdade é por que nos afastámos de nós e nos acabámos por perder, algures no caminho.

Também não é preciso derramar lágrimas ou lamentar. Quem nunca se perdeu, certamente nunca se encontrou. Por que perder-mo-nos faz parte do que somos. Nem. Sempre temos a bússola afinada, há campos magnéticos e mil outras interferências. 

Pratiquem este exercício, marquem os vossos trilhos todos interiormente. Sempre que se perderem voltem ao marco anterior. Assim saberão que nunca andarão perdidos, embora, nem todos consigam caminhar até ao fim do Labirinto onde habita a flôr e, certamente muitos avanços e recuos qualquer percurso terá.



sexta-feira, 7 de abril de 2023

Ecce Homo

Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci


Não sou quem sou por ter nascido do nada. Sou quem sou por que nasci de alguém e me esforcei por alcançar quem sou, lutei por isso. Qualquer um pode fazer o mesmo mas, a questão é, por que razão muitos, não o fazem? Então, parece que, não é para todos. E de facto não o é. Chegar-se ao fim da vida bem consigo próprio, não é para todos. E muitos só muito tarde se põem a lamentar como se fossem vítimas, como se ninguém nunca os tivesse ajudado ou até mesmo tivessem que o fazer. Vítimas deles próprios, amantes deles próprios! Não sinto nem pena nem compaixão. Que sofram mais do que na carne, na mente de vermes com que viveram e que esses vermes os corroam por dentro até à morte. Merecem esse final! E é tudo. De resto, não há heróis. Viver bem não é ter fartura é saber saborear tudo o que a vida nos dá e aceitar tudo aquilo que nos tira. Dirão imediatamente os idiotas e então nem se dá luta? Resposta aos idiotas, respondam vocês a isso e, no final, cantem se conseguirem?!




O Pomo da Discórdia

Peter Paul Rubens: O julgamento de Páris; 1638; Museo Nacional del Prado.
Súmula:

O grande banquete, na imensa corte do Olimpo, estava no fim. Os deuses, no aspecto físico, são diferentes dos mortais somente pela estatura, a força, a beleza e o dom de uma eterna mocidade, mas dos homens, possuem todas as paixões: o amor e o ódio, a ira e a inveja; são, por vezes, cruéis e, por vezes, generosos. Eles transcorrem os dias alegremente, mas todos estão sujeitos a um poder superior: as Moiras, o Destino, filhas da Noite, às quais nem mesmo Zeus pode opôr-se.

Subitamente, no amplo salão, baixou o silêncio. Todos os olhares convergiram para uma estranha figura, que surgira no limiar da porta: Eris, a única deusa não convidada. É briguenta - disseram os anfitriões - e seria capaz de estragar a festa, com suas maledicências. E agora, ei- la ali, no silêncio embaraçoso dos convivas. Chegara junto ao triclínio, onde estavam sentados os deuses maiores, a maléfica criatura tirou da túnica uma maçã de ouro e lançou-a sobre uma das mesas, exclamando:

- Eis o meu presente! É para a mais bela das deusas!

Dito isto, a deusa da discórdia desapareceu.

Depois de alguns segundos de espanto, cada uma das três deusas que estavam à mesa, Atena, Hera e Afrodite, estendeu a mão para o reluzente pomo, mas logo se contiveram, surpresas, e entreolharam-se. Zeus, o senhor dos deuses, que observava a cena em silêncio, sorriu e interveio:

- O único meio para saber-se qual de vós é a mais bela e estabelecer, portanto, a quem pertence o Pomo da Discórdia, é recorrer a uma arbitragem. Escolhei, entre os mortais, um árbitro de vosso agrado e acatai sua decisão.

Como sempre, Zeus sentenciara sabiamente. Após ponderada reflexão, as três rivais concordaram em confiar sua sorte ao mais belo entre os mortais, ao jovem príncipe Páris de Alexandre. Este moço vivia, desde seu nascimento, ignaro de sua real ascendência, entre os pastores do monte Ida. Um oráculo predissera que ele seria a ruína da cidade de Tróia, e sua mãe, desobedecendo às ordens do marido, que depois da profecia resolvera matá-lo, ocultara-o na montanha.

Assim, uma bela manhã, o belíssimo rapaz viu aparecerem diante de si, enquanto vigiava seu rebanho, em uma concha relvosa e solitária, três maravilhosas raparigas. Deram-lhe o pomo, explicaram-lhe o que desejavam dele, e cada uma delas, em seu íntimo, fez-lhe uma promessa. Atena prometeu- lhe sabedoria. Hera, o poder; Afrodite, a pequena deusa nascida da espuma do mar, prometeu-lhe a mais linda mulher do mundo. A seguir, as três beldades perfilaram-se diante de Páris. Este hesitou um átimo, depois entregou o pomo a Afrodite, que o agarrou feliz, enquanto as outras duas se afastavam, fulas de raiva.

Instruído por Afrodite, Páris rumou para os vales, pela encosta do monte Ida, até Esparta. Reinava em Esparta, pequena cidade da Grécia, o jovem príncipe Menelau e sua esposa Helena, a mais bela mulher do mundo. 

Comentário:

Este texto é apresentado incompleto pois, o leitor conhecerá  ou já terá ouvido falar na Guerra de Tróia (no rapto de Helena e na artimanha do cavalo de Tróia que precipitou a queda da cidade). Esta parte mítica da história apresenta-se aparentemente de modo muito simples e entendível. No entanto, se Helena foi o alvo da disputa (de amor/posse) que causou a queda de Tróia, neste caso, temos uma deusa que causa a discórdia entre as outras três deusas femininas. O pretexto é uma maçâ de ouro (o pomo) que provoca o narcisismo imediato e próprio daquelas três deusas preocupadas em serem as mais belas. Certamente que o leitor já se relembrou da história de Walt Disney - Branca de Neve e os 7 anões - e da  célebre madrasta que também utilizou uma maçã envenenada e reluzente para tentar matar a Branca de Neve. Uma forma muito comum na antiguidade de se eliminar a concorrência ou quem fosse inconveniente. Na actualidade encontramos formas muito similares de práticas persecutórias de oponentes ou dissidentes, em certos países bem conhecidos. Neste ponto, a analogia entre estas duas histórias é quase flagrante mas, o que é relevante não é essa similitude.  Todos nós, na vida, nos deixamos atrair pelo que nos seduz. Por vezes, como as deusas contemo-nos mas, preparamo-nos para disputar com os nossos(as) irmãos(âs) os alvos do nosso desejo. Esta parte, não faz parte de nenhuma humilia cristâ mas poderia perfeitamente sê-lo, bastaria, para tal, folhear alguns capítulos bíblicos. Trata-se de considerar a(s) forma(s) como nos deixamos conduzir pelas nossas paixões, apetites e desejos e que, muitas vezes, conduz-nos à fraternal e persistente discórdia nas relações humanas (para além da própria infelicidade).
Vozes populares, bem mais avisadas e sábias, poderiam ripostar com o velho «Nem tudo o que reluz é ouro», isto é, as aparências (tal como o reluzir da maçâ) iludem, a beleza não é duradoura nem eterna, etc. De facto, se nos deixarmos conduzir pelas aparências, chegará um ponto, em que nem nós próprios saberemos no que acreditar de autêntico nela, iludindo problemas que posteriormente retornarão porque nunca foram resolvidos, concluídos e, terminaremos ainda mais envolvidos em trabalhos redobrados, disputas vãs (muita vezes para manter as nossas mentiras ou garantir que nós é que temos razão e de que estamos certos) causando-nos cada vez mais sacrifício, sofrimento e tristeza.
Um detalhe interessantíssimo refere-se à escolha do príncipe Páris. Entre a «sabedoria», «o poder» e uma «mulher linda», ele, escolheu esta última opção. Poderíamos invocar aqui Platão para justificar a má opção feita pelo príncipe. Afinal, somos humanos e, a «mulher linda» personifica a Beleza, seja ela qual for para cada um. Porém, também poderíamos invocar Epicuro e contestar também esta escolha, pois não se pode possuir a Beleza, pode-se amá-la, mas nem sequer conservá-la, pois é algo que não nos pertence. No entanto, a Beleza também é útil para alegrar o nosso quotidiano. Na boa tradição do deus Janus, tudo depende para que lado da moeda se olha, Janus tinha duas faces. 
Podemos pois, aqui, descortinar uma certa crítica velada  a um certo tipo de materialismo e consumismo até no campo das artes, pautado pela posse, pelo (TER) e pelo parecer e a-parecer ( Exibir, falsear,  simular, iludir, deturpar  em quase tudo o que se mostra) e  não tanto pelo (SER). Parece que nos esquecemos de um dos maiores bens da humanidade e que nos trouxe até aqui, a «sabedoria». Nunca existiria a World Wide Web ou quaisquer redes sociais inventadas por energúmenos ou gente imbecis. 
A sabedoria é a pedra de toque imaterial sobre a qual assenta o SER do Homem. O seu cultivo e muita gente, hoje em dia, esqueceu completamente o que isso significa, (confunde-se por exemplo amputar e deturpar com criatividade e imaginação) conduz à prudência, ao equilíbrio, à justiça (não entendida pela maioria dos idiotas como algo que apenas tem a ver com a Lei, mas antes ao que é justo ou se adequa), virtudes que parecem cada vez mais começar a escassear nas ditas sociedades democráticas. Tudo é fugaz e tudo é efémero, portanto vive-se ao segundo e tudo tem de viajar e ser realizado a velocidades hipersónicas. Que pressa, que pressa...Quo Vadis ?
Atente-se também por isso ao uso cada vez mais frequente, por parte dos "nossos" políticos de, discursos profundamente polidos (reluzentes) e prometedores ao estilo «maçã de ouro» cujas larvas gulosas e atrevidas muitas vezes já assomam através da fina casca encerada das mesmas.
Outras leituras ficam por conta ao leitor. É para isso que serve ler e reflectir. Como diria Platão, «uma vida não examinada não merece a pena ser vivida».

Citação da semana:
«Não defendo este partido, nem o outro; se ambos diferem à superfície e podem arrastar opiniões, aprofundemos nós um pouco mais e olhemos o substracto sobre que repousa a variedade [...] O que vejo de comum? O rebanho dos homens, ignorantes e lentos no pensar, que se deixam arrastar pelas palavras e com elas se embriagam.» Agostinho da Silva, 'Diário de Alcestes', 1945.