terça-feira, 22 de outubro de 2013

IDEIAS PEREGRINAS


«Por muitos países e lugares deste mundo uma ideia comum ganha terreno. Trata-se da ideia peregrina de que se é o que se faz. De facto todos nós concordamos que somos um pouco do que fazemos também. Mas por que é que não somos na totalidade ? Já experimentaram perguntar a uma pessoa desempregada o que ela é se não faz nada? Mas é claro que ela faz muitas mais coisas do que a simples profissão que não tem. E mantem na mesma a sua dignidade enquanto pessoa que tem inteligência, emoções, gostos próprios, ideias políticas, crenças, humores, vontade autónoma, interesses e muito mais. Portanto, nem a pessoa é a profissão nem é a profissão que confere dignidade às pessoas, nem as pessoas deixam de ser gente humana e capaz apenas por que não têm trabalho. A propósito...Sabes a partir de quê me surgiram estas ideias? Eu conto-te. Foi quando conheci recentemente um jovem cirurgião alemão de trinta anos e que se sentia oprimido porque acreditava que só era gente enquanto trabalhava. E assim vai a Europa dos idiotas meu caro!»
                                                                                                                               [noético-30/09/2013]

SINTONIA

The Healer - David Ho
«Todos os dias se seguem uns aos outros, uns por arrojo, outros por arrasto, e ainda outros, por desgosto. Sem ti não sou, mas sem ti não seria, o que sou é uma polifonia. Sonhos, desejos, abraços e uma melancólica alegria ao entardecer do dia. Não te espero e tu não vens como se estivessemos em sintonia.» 
                                                                     [noético-14/10/2013]

ATEÍSMO I


Labirinto da Catedral de Chartres
«A universalidade do sentimento religioso no comportamento humano não prova nada sobre a existência de algum deus. Aliás, prova antes, que somos demasiado propensos a crer em vez de pensar e construir razões que justifiquem os factos e demonstrem a sua veracidade. O medo e a ignorância são tanto bons aliados dos políticos como o são das crenças e superstições religiosas. Quando não se conhece algo atribui-se a deus. Quando se conhece, continua-se a atribuir a deus. Deus serve para justificar tudo e para alimentar um séquito de sacerdotes que se arrogam o papel de condutores da massa receosa e esperançosa num devir que nunca vem e, por isso mesmo submissa e controlada, suplicante e bem comportada por que existem prémios muito maravilhosos prometidos para o final, mas que nunca chegarão a todos. Em tempos em que as coisas correm mal recorre-se ainda mais a rezas e mezinhas, a qualquer doutrina exótica que prometa redenção e salvação. E, enquanto se espera por isso, os santuários enchem-se de pequenos homenzinhos e mulherzinhas que se dizem de fé por que acreditam nas promessas de fantasmas, os deuses, tal como acreditam nas promessas de quem os governa. Aliás, como o prémio é ainda maior no outro mundo, na outra vida, até acreditam ainda mais no céu do que nos governantes que são homens. Se o líder erra é ele o responsável pelo rebanho de alminhas de gente infantil que se perde.Critica-se nos jovens a fantasia, o irrealismo e o vício dos jogos mas os pseudo-adultos comportam-se como se jogassem ao destino com o céu, sempre esperando vencer este jogo de Playstation Existencial e obter o bónus final. Religião e ideologia são uma parelha inseparável.»
                                                                                                                               [noético-19/10/2013]

ATEÍSMO II

Exposing the Demon - David Ho
«É sempre o desprezo, a desconfiança e a descrença no que é terreno e humano que as religiões propagam que é preciso combater e afastar, pois, é isso que mais nos aparta de reconhecer o nosso semelhante.» 
                                                                             [noético-19/10/2013]

A TUA INVISIBILIDADE

Web Picnic - Nathan James
«Pára, escuta, olha. Não, não estás a ser filmada, nem observada, nem no centro do universo. Homens passam por ti e não te olham ? Deveriam ? Quando é que deixas de procurar ser o alvo das atenções e depois de te sentires vítima de não-olhado, mau-olhado e, outras vezes de assédio desmesurado? Nunca estarás bem como estás? Sabes que isso envelhece e faz adoecer. Não, não são os outros que são vesgos, míopes ou daltónicos quando tu não te sentes vista ou perscrutada. Não. Há até esses momentos deliciosos em que ninguém vê ninguém. Em que ninguém procura ninguém. E, ainda bem. Creio que vais ter que aprender a não desejar antes de tempo ou fora de tempo. Acho que ainda te falta esse pequeníssimo enorme passo.» 
                                                              [noético-21/10/2013]

CHANGE

«Change by itself is not good or bad, desirable or undesirable, needed or unneeded. It was easy to say that happiness would come if we simply adjust our inner clocks to the outside world rythms, but that would be a fake answer. Some times adaptation involves non adjustments to the environment. To be aware of this is very important because if you find yourself in a counter cycle you may well release your pain and still live well adapted. If you can not release your pain it is fine the same way. Pain as pleasure makes part of the nature we live things. I'm glad and pleased to feel both each one at its own time and turn.»
[noético-21/10/2013]








sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O JARDIM

«Amar um jardim não é pisar as suas flores nem colhê-las a todas por que se tem de caminhar através delas para as poder regar. No amor não existem flores eleitas. É por isso que a poetisa dizia que o amor não é de ninguém. E é também por isso que é tão dificil amar verdadeiramente.Ahahah...Hoje deu-me uma de jardinagem.» 

[noético-16/10/2013]

A MÁSCARA

«Não percebo. Não percebo por que te mascaras a todo o tempo. Depois ainda dizes que o tempo te foge... Não percebo. Não percebo. Existirão nas sombras algum medo que te persegue? Por que almejas por um mar distante e permaneces refugiada como uma pérola na sua concha perdida num tão vasto oceano? Não escutas tu das musas o pranto, essa melodiosa harmonia que atrai marinheiros de todo o canto? Não percebo o teu não querer querendo, o teu sorrir gemendo, essa liberdade que se escapa à voz e que te sustem prisioneira nesse desencanto. Não percebo. No entanto...»
                                                                                    [noético - 16/10/2013]

SER FELIZ

«Sou feliz e não tenho nada. Não seria suposto faltar-me alguma coisa? Não, não me falta nada. Mas ainda assim, deveria esboroar essa felicidade sendo ambicioso, desejando mais ou temendo perder esse minúsculo nada, por que é assim que se tem de ser? Não, obrigado. Estou bem, assim. Enveredar por outro caminho, caminhar só por caminhar só por não se saber deter as asas fugidias da esperança está errado. Profundamente errado. Aqui e agora, sem céus nem esperanças reconheço a minha tranquilidade. E, não. Não estou morto nem espero a morte pois ela chegará certamente, posicione-me onde me posicionar. Lutar para quê então ? Para que bracejar incessantemente se tenho diante o momento dessa felicidade ? A menos que desista de usufruir o que sinto para o substituir por outro sentimento não terei nada por que me mover, por que lutar nem mesmo pela felicidade que sinto presente. Não, não me deixarei agitar por apelos dementes. Sinto-me feliz apenas por estar. Não acredito em coisas transcendentes. Se tiver que esperar, esperarei aqui vivendo e na vida concentrado. Não troco o não ter pelo ter, nem o ser pelo não ser, só por que a economia tem de correr, os céus me aguardam ou é moda desejar um punhado de coisas cheias de nada. Ao contrário do poeta, não sinto qualquer cansaço, apenas uma sereníssima alegria. Bem sei, que nada dura eternamente, nem deuses, nem riquezas, nem saúde, nem Zen, nem nirvanas, nem qualquer ser vivente. Por isso, não seguirei essa caravana de gente angustiada, ansiosa,nervosa, assustada. Que tanto quer e espera que desespera, que tanto luta que sai tantas vezes frustrada, mas que não deixa por isso de ser heróica e plenamente humana. Simplesmente cada um segue o seu caminho se é que em primeiro lugar o sentiu como sendo o seu.» 
[noético-17/10/2013]

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

CONTRA A CARTILHA DA «LUZ»

Os relacionamentos não são de forma alguma uma «mecânica». Nada funciona entre pessoas como uma máquina. No entanto, muitas indústrias de salvação e agências de marketing vendem hoje as suas novas vulgatas no formato de «ABC da felicidade». A psicologia aliada às corporações e aplicada às populações preconiza metodologias de todo o tipo supostamente conducentes a um certo tipo de felicidade.
É óbvio que gozar-se de alguma boa saúde, física ou mental é fundamental para a vida, assim como o é para a produção, para o consumo e para os impostos. Mas, isso não invalida que quem não possa gozar de boa saúde física ou mental não seja útil, necessário e que mantenha a sua dignidade e validade enquanto pessoa.
Vendem-se, então, receitas de todos os tipos que passam pelas dietas, pelo desporto, pelos tratamentos estéticos, clínicos, etc. O que por aí não falta são escolas, manuais e pregadores da boa saúde, do bem-estar e da felicidade. A propaganda tende ou parece tender a ser toda orientada pela «positiva». Mas de facto, esse «positivo», ou seja, uma versão dos factos que parece estar sempre do lado do benéfico, do bem e do bom, à boa forma platónica, esconde por detrás outros malefícios, que convém não ignorar.
Uma das récitas dessas escolas preconiza frequentemente que para que os relacionamentos sejam bem-sucedidos, e entenda-se que até aqui funciona a lógica do sucesso, é necessário que alguém adquira e permaneça num estado anódino e de equilíbrio.
Uma plêiade de vendedores de papel higiénico das coisas mentais parece quase fazer crer que a existência humana se rege apenas pelas regras de um mercado orientado em exclusivo para os seus produtos mágicos.
Não está em discussão o que é óbvio. A saúde, assim como a higiene são importantes para o bem-estar das pessoas, mas, atrevemo-nos aqui a dizê-lo, não o serão tanto para a sua felicidade.
O reverso do individualismo alardeado parece ter o seu apostema nos problemas de autoestima. É, pois, compreensível pensar, que os relacionamentos humanos beneficiarão certamente de quem possa estar bem consigo próprio. No entanto, a vida é conduzida e vivida na sua grande parte em situações de desequilíbrio e sempre, mas isso quase certo em estado de incompletude e de inacabamento permanente.
Por vezes, mesmo sem equilíbrio, angustiados, deprimidos, em fase negativa, ou em situações extremas ou não de miséria, de dor e sofrimento, o ser humano é ainda capaz de prestar o melhor auxílio ao Outro e dos gestos mais generosos, abnegados e dedicados. Isso ocorre a todo o instante.
Conhecem-se sobejamente os exemplos de quem quase nada possuindo ainda assim reparte com os seus pares. Sucede igualmente em outro tipo de relacionamentos, como nos que existem entre pais e filhos, embora nem sempre.
O facto é que, pensando desse modo, i.e., que vale a pena esperar por «esse ínclito estado» de equilíbrio ainda não atingido, poderá ser mais uma outra forma de fugir aos relacionamentos, de adiar opções e factos que temos que enfrentar, ou até de ocultar subtis formas de egoísmo.
[noético-11/10/2013]

A PERFEIÇÃO

«A perfeição existe, e é única, mas não se trata de nada divino ou de algo que não pertença ao próprio momento pela sua volátil singularidade eternizada.»
                                                                         [noético-10/10/2013]

O EXTERIOR

«O que vem de fora nada mais é do que aquilo a que permites a entrada ou que se te depara enquanto procuras e vives ou ainda, simplesmente, tudo de que ganhas distância.»
                                                                         [noético-10/10/2013]

SEM SILÊNCIO

Ian Gamache - Life in the Aquarium
«Cada um fala sobre o mundo segundo aquilo que sabe ou desconhece.»
                                                                      [noético-10/10/2013]

UM FOGO NUNCA EXTINTO

«Foi tão vivo e profundo o nosso amor que hoje ainda dele se libertam fagulhas de um fogo há muito extinto. Maravilhosos momentos que apenas a morte poderá levar da lembrança. Hoje estou de luto...E a alegria invade-me deixando os raios de Sol penetrar através dos poros deste tronco ôco. Um dia também a noite se encontrará com o dia» 
                                                                         [noético-10/10/2013]

terça-feira, 8 de outubro de 2013

WALKING THROUGH LIFE II



«I'm learning to walk sure that at each step I will find both mixed up the known and the unknown. Therefore, I do not need in advance to have all certainties or all my future egos completed and at my disposal or that I will reach fullfilness or just one single form of happiness or way to move on. If I would reach at some point completeness I would not have any other chance to give another step. Therefore, some uncertainty as well as emptiness makes part of the journey. Therefore I will stop my need of getting all at the same time, as Descartes told to stop wishing beyond understanding and demand everything right now and for today. Heaven and hell can wait. Meanwhile I will learn how to build my own consistence with the meaningful small parts that I cross with in my pathways till I reach the end of the lines of life.»
[noético-08/10/2013]

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

WALKING THROUGH LIFE

«There are always shadows on our minds but clearness seems to gain over it. Nothing more dubious. We may be blinded by the light and still see in the darkness. The power of light is indeed strong and it attracts us like bugs to it. Therefore, we may be walking to blindness instead to enlightment pursuing just the light. Sometimes we need darkness in our lives and also some dimness. It is not all black or white, colorful or colorless. The gradients of life mixed with our expectations shape our emotions and feelings and also direct our thoughts towards new directions earlier unthinkable. Our will is helpless against these confluent waves of energy. We are not the owners of ourselves though we keep stubbornly wasting our strength pursuing the control of things. It is a waste of time. In that attempt we build up marvelous things, like love, friendships, literature, music, painting, sculpture, architecture, engineering, science and even create gods and religions filling the all firmament in the attempt to escape to void and loneliness in this far planet lost in the vastness of the universe. We can feel emptiness despite of being filled and we also can feel filled being almost empty. However, in the process we also create hate, grief, pain, trash, violence, wars. No education, magic counseling, excess of any kind whatsoever can provide us with the meaning of our own lives. We cannot only live with just one side/part of life. It is not being selfish or violent, superficial, or joyful sometimes that is the big problem. We need both what you call our good and bad feelings to survive and live. Perhaps we expect too much of ourselves and a big lot of the others towards the size of the task we propose to achieve. So being humble toward our neighbors and stop putting our ideals, goals, will and objectives in front of our human and non human beings, learning how to forgive lapses, disabilities, mistakes and failures either in us or in our fellows seems to be the hardest way to go but maybe also the only available if in fact we seek the path of greater peacefulness which is not limited to a simple passivity or to a mere pacifism. We also must stop the fury that lead us into unrestrained action to get, to control, to achieve power over everything moved almost exclusively by our deepest fears. I think that this is enough for now to me today.»


sábado, 5 de outubro de 2013

A POESIA NÃO É PARA SER CONTRADITADA

"O bom do caminho é haver volta.
Para ida sem vinda basta o tempo."

Mia Couto — com Gilmar Moreira.

«A poesia é também ideologia. O que é bom não pode ser ela a definir ou a designar. Nada aponta para que o que é bom resida apenas exclusiva e necessariamente num regresso mas a poesia não é criada para ser contraditada. Tem a sua única e exclusiva lógica não abarcando a riqueza da diversidade possível de sentidos. No entanto arrisco-me aqui no entanto a contrariá-la.»
                                                                                                                              [noético-05/10/2013]

  
 

O AMOR E A GUERRA

«O amor e a guerra são acções exclusivamente humanas que pertencem ao reino do sapiens e não extensíveis aos outros animais não humanos. Isto não exclui no entanto os animais não humanos de possuirem a possibilidade de exibirem ainda que de forma limitada expressões de afecto e de algum raciocínio. Já encontraram qualquer outro animal que não seja o homem a escrever um romance ou a dedicar uma poesia de amor ? Eu, não! E também nunca vi qualquer outro animal desenvolver tamanha tecnologia  para fazer a guerra aos da sua própria espécie.»
                                                                                                                               [noético-05/10/2013]


A FUGA DA PRESENÇA


«Lembras-te quando me disseste que o amor não era sentir uma falta ? Pois considero que tinhas razão. Mesmo o desejar a presença dos entes mais queridos sejam eles pessoas, animais, personagens de um livro, do teatro ou de um filme não é ainda o amor, mas a carência que o desejo provoca. Isso é como quando dizemos que "temos alguém" e ficcionamos a sua presença de diversos modos. Podemos ter alguém ou algo presente nas nossas vidas e faltar-nos a sua presença física. O inverso também é verdade. Podemos ter e sentir a falta de algo ou alguém na sua real presença física. Pois é...Também nada disso é amor. Refiro-me ao ter presente...Ter-te ou não presente na minha consciência não tem nada a ver pelo menos necessariamente com amor e tu sabes bem como te amo, amor.»
                                                                                                                               [noético-05/10/2013]


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O FUTURO TEM PASSADO

Guimarães - npa@2013
«Por que te anuncias minha espera? Por que te demoras sem chegares? Por que te suspendes sem pousares? Por que te alongas no meu tempo diluindo-o em aguarelas? Imagino-te a partir do nada, como se escrevesse numa folha em branco, colorindo-te em cada palavra…Quedar-me-ia nesse livro se a tua inefável tinta adquirisse a mais ínfima substância… Frescos e tranquilos permanecem os campos em que as tuas raízes permanecem. A ternura cobre-se de castanho e de ouro reluzente como um desejo cadente cruzando a Via Láctea que almeja o regresso à terra mãe. Eu, não sei um poema para te segredar… Eu, não sei poetar. Não sou poeta. Mas a alma da poesia passa por mim quando te leio os gestos lânguidos e tranquilos buscando o consolo ameno de um entardecer outonal. Levas-me contigo a festejar para junto de uma nascente em que tudo verdeja e floresce perto do brilhar transparente de águas cintilantes. Acordas-me e adormeço. Caio em sono profundo. Adormeço cativo da penumbra e das sombras de um bosque e inspiro o perfume amoroso dos campos humedecidos pelas chuvas recentes. Guardarei sempre na memória esses caminhos em que preparei um lugar para te acolher…É por isso que o futuro tem já hoje, uma história.»
                                                                                                                               [noético-04/10/2013]

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

SABOROSA NOSTALGIA

«Nostalgia...Sim, nostalgia. Nostalgia de pessoas, de odores, de lugares. Nostalgia de experiências partilhadas. É o que sinto e gozo. Sim, gozo, pois, não se trata de chôro ou revivalismo que me impeça de viver o presente e ficar atolado no passado. Mas, sim...É nostalgia. E divirto-me com o seu picante adoçicado, delicioso, saboroso, gostosíssimo!...Hum...Que bom! Que bom que é viver a vida com tudo o que ela tem, sem deixar de fora nada...Até mesmo a lembrança não pode ser menosprezada.»
                                                                                                                               [noético-03/10/2013]


A FALHA

«Se nada houver será que poderá existir tudo? Não consigo adormecer com este dilema...Queria ainda aspirar a ser feliz...Ainda quero...Mas estou tão saturado de querer...E queria de facto saber se algum dia o for, se o saberei ? É que todos os dias vou-me encontrando outro pelos caminhos, e desejando sempre, o que ainda não sou...Sabes?...Quem me dera...Quem me dera saber viver ainda e só apenas o que sou...Mas prefiro antes pensar que falhei a minha busca da felicidade a admitir que estou tomado pela vertigem de buscar em vão esse outro ouro que em lugar algum existe. É que isso seria mesmo cão! Será que estou a aprender a ladrar ?»
                                                                                                                              [noético- 03/10/2013]


 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

AMENA EXISTÊNCIA

Artista: João Beja - Fernando Pessoa
«Eu tenho essa vantagem de ser indiferente. Tão indiferente que ligo a toda a gente. E é isso mesmo que me torna assim. Nunca se é para toda a gente, embora se seja sempre para alguém, alguma coisa, algo a que muitos chamam pessoa. E é por isso que os pedaços que sou e que outros recolhem, são fragmentos, estigmas do fogo da existência, cuja temperatura lhes garante a ilusão, da amenidade da vida.»
[noético-02/10/2013]












A DOR SEM ANTRO

Egon Schiele - Merveille
Dor, por favor , não te enamores de mim
Não me desejes , nem me esperes
Que eu não tenho destino marcado
Nas horas que iludo ao ser…
Dor, por favor, não me sigas
Não te esforces tanto
Por me acorrentar ao tempo.
Por me prender a ti.
Que eu, de mim ausente
Te iludo o lugar em que tu não cabes,
Cá dentro… [Só é deserto].
E o espectro de te ver aproximar
Apenas me traz alento.
Mas é terreno incerto
Rochedo em pó
Lamento.
Dor, tu não queiras saber…
Tu não queiras entrar
Pela linha que não se abre
E que sem horizonte morre curvada
Sobre o seu próprio ventre.
Não, dor…Por favor…
Não te concedas vidas para mim!
[noético-02/10/2013]


AMASSAR O PÃO

Alex & Marine
«Há um mito de que o pensamento nos leva a algum lado. De que uma ideia é uma espécie de autocarro turístico em que se viaja até terras exóticas desde que se adquira um bilhete de ingresso. Há um mito. Mas não está só. Há muitos mais mitos. Há um mito de que ver é o mesmo que ser. Há um mito da necessidade de se ser. E fora os mitos, só restam mais mitos e pouco mais. Os mitólogos encarregam-se de os colorir, de lhes conferir textura, forma, figura, massa, força, movimento, energia, whatever... Whatever, não parece bonito... Incomóda ser-se estrangeiro na terra das outras palavras. Mas, tenho dito.»
                                                                                                                               [noético-02/10/2013]