terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O ÓSCULO

René Magritte, "Gli amanti (IV)", (1928)
«Tu, sabias que existiria um beijo imaginário, uma forma de te dizer que não estás só...Só por isso, o amor é belo, mesmo quando tu não estás.» [noético-25/02/2014]







FORGET BLESSINGS

Life - Michael Barata
«Being blessed can not turn into a guilty complex, just because someone has much less than you. Blessed can not also mean that you have to do voluntary work or practice charity. Blessed only means you're lucky to be alive, and have what you have. You can not never say you don't have nothing because, if you say that it's because you're still alive. So, you have something precious to keep on.» [noético-25/02/2014]




UMA TEORIA MAL EXPLICADA

Pensem...Tudo isto acontece aonde ?...No nada ?
«A actual teoria explicativa das origens do universo, mais conhecida por teoria do Big Bang, parte do princípio de que, do nada, tudo se criou, ou originou. Para mim, não passa de mais uma palhaçada criacionista, rapidamente aproveitada pelo Vaticano que acredita que do nada (o verbo) se fez luz (fiat lux). Esta, parece-me uma muito má teoria que não explica absolutamente nada do que existiria antes de tudo isso suceder. Deus, talvez ? Pois, é isso mesmo que eles queriam... Parece a teoria de um ponto do qual todos os outros derivam, o centro da circunferência ou coisa parecida, como na geometria. Eu, chamar-lhe-ia, mais uma teologia do que uma verdadeira teoria científica, pois recuso-me a entender que do nada surgisse algo, ou então, que um algo pudesse existir sem existir outro algo, como o espaço e o tempo. Enfim...» [noético-25/02/2014]

FALAS III

Criança morta parte do painel  Guerra e Paz - Portinari
«Morrer, embora inevitável, não é solução. Viver, não é, definitivamente, encalhar!» [noético-24/02/2014]

















EM QUE CHÃO ?

«Escuto os rendilhados da tua fantasia...Os passos falhados das tuas expectativas soam-me a côro... Acendo uma vela por ti e deixo-te à solta...Eu não conheço as chaves da tua felicidade?...Mas, descobrir um porto não é o mesmo que ter uma pista de aterragem para o sonho. Em mim, encontrarás solo, mas terás que ser tu a descobrir o chão.» [noético-24/02/2014]



O TEMPO ATRAIÇOA

«O teu vestido de noiva...Que boas ou más memórias!...Trazia-lo vestido como a esperança...Duraria uma eternidade...Mas, a traça ou o tempo não perdoam.» [noético-24/02/2014]



























O TRONCO

«Um tronco pode ser ferido pelo bico de um pássaro, pelo gume de um lenhador, por um qualquer roedor, abatido, por um qualquer fungo ou raio fulminante, mas, será sempre, o lenho que te sustém vivo.»[noético-24/02/2014]













O MITO DA MUDANÇA

«Cansado de repetição ? Experimenta, não variar da variação e logo verás!...» [noético-24/02/2014]










FALAS II

«A coisa que mais aprecio é que me agradeças, por nada...É um desperdício, bem-vindo. Adoro, inutilidades! Usa antes esse espírito e foca-te no que realmente te faz bem. Existem dois tipos de homens. Os que te fazem mal porque te querem mal e os que te causam sofrimento sem querer. Há que diferenciá-los. Mas, não creias nunca que existem apenas homens ou mulheres capazes de te fazer bem.» [noético-24/02/2014]


FALAS I

«Não me afastei do branco e do negro por serem sinistros. A esquerda nada tem a ver com a luz ou a escuridão. Sinistro, não é, permaneceres num lugar e nunca mais, dele, sair...Mas, é obscuro, nunca quereres sair da luz ou também, da escuridão, nenhuma  vez te desviares... Se o entendes, então, estás no teu caminho. Nunca ninguém disse que o mundo era apenas o preto e o branco.» [noético-24/02/2014]


sábado, 22 de fevereiro de 2014

A HISTÓRIA DA MINHA VIDA

Ericeira - Jogo da Bola
«Sinto-me como uma árvore podada, deixada aos caprichos do homem. Modelarem-me, não me proporciona maior beleza, não me melhora a vida, nem me empresta outra que, não sei ter. Apenas conservo as irregularidades do meu tronco, como as reais singularidades do meu ser que se eleva rebelde e cheio de vida, contra a força da gravidade. Olho em redor todas as outras árvores e percebo que o nosso movimento é comum. Nenhuma de nós se iguala e a beleza resulta da nossa unicidade. Não se evolui assim na vida por que se quer, pois, nem senhores das nossas características, que acabam por desabrochar em flores e frutos, somos. Mas, também, não somos donos das nossas cicatrizes, que o desleixo, as circunstâncias favoráveis ou ainda adversas, bem como, as intempéries, produziram em nós. Uma árvore, sabe olhar em todas direções, mas, também, para trás e ver...Apenas o orgulho das alturas me movia cega, para cima, alheia sempre, a tantas outras coisas, que os meus ramos, inúmeros, mas desiguais, não poderiam abraçar. Não me posso arrepender da seiva que me corre e do simples lugar que ocupo nesta floresta de seres que me rodeiam. Por isso, hoje, posso tranquilamente adormecer onde estou.»[noético-22/02/2014]

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

UM MINUTO

Roberto Ferri
«Vivos...Virando o copo...Tu...Eu...E nada aconteceu que os olhos vissem...Não!...Não penses tu que foi paixão. Não! Estamos tão errados até sabermos o caminho! E é tão sómente isso! Vê se entendes que não existe maldade alguma em estar-se à procura...Sim! Todos os degraus se despem de mim e de ti, seja do que for...E aqui estou finalmente...Muito mais do que seja a poesia...Dizendo-te que se passou, sem ti! Ficas ferida, lamuriosa, cativa de que fantasia ?...Tu, não és culpada. Nunca o foste! E eu...Comportei-me como um...Homem...O que é isso ? Já compreeendes porque ando perturbado ?...Creio que não! Sei que sou de carne e osso e não de ferro, tal como tu, que procuras a minha cama e eu a tua. Não, eu não sou, nem aquilo que digo que sou, nem aquilo que penso ou desejo que sou, nem sequer o que imaginas que sou. Lamento ? Não tenho nada a lamentar. Nem tu me conheces para estares apta a acusar-me, nem eu, estou capaz de me defender, pois não existe personagem quando a gente procura ser outro. Eis o risco da regra, que se sobrepõe a toda a linguagem adquirida. Eu sou não sendo neste momento. Tens um minuto para me escutar ?...»

HORIZON

Daria Endresen
«A philosopher once said, no limits. All the others reach to him and said, but that is a limit. How can you say that ? And the question is yet to be solved, if it is possible to solve it. So, dear friend...I'd rather finish with this words!» [noético-18/02/2014]

UMA QUESTÃO DE HONRA

Audrey Kawasaki's Art
«No fundo eu não quero saber para nada da felicidade ou da realização. Estranho ? Não! Eu apenas quero honrar-me a mim mesmo e isso não exige Panteão nenhum para me receber. Só tu e eu é suficiente! Só tu amiga, só tu amigo...E que outros criem elegias e poesias de amor...É-me indiferente! Porque tu, tal como eu, já vivemos e já aprendemos. Honrar-me a mim é também honrar-te a ti, e penso que isso diz tudo.» [noético-18/02/2014]

SER EU SEM O QUERER

The Murmur of  the Innocents - Gottfried Helnwein
«Eu não queria, nem quero atrapalhar...Amar é deixar que você seja, sem que eu meta meu bodelho no seu baralho...Amar é coisa tão gostosa que nem sequer nos podemos dar ao luxo de encontrar e perder, bem, digo, eu... Esse, eu, que quase odeio por que vem sempre ao de cima...E se amo, perguntarão os entendidos, os convencidos, os iludidos e, lá vem, o meu eu, no fim...Extraordinário, mas rebelde, ser eu, sem o querer...Amar, atrapalhar e tudo o resto...Se você quer um amor certo, eu estarei no outro lado. Se você quiser um amor errado, eu estou do lado certo e...Assim, quase parece...Pelo menos pelas palavras que nunca nos encontrámos!»[noético-18/02/2014]

OFUSCADOS

Drawn into the darkness, blinded by the light
«Nós ficamos tão cegos pela luz como pela escuridão. A gratidão não é pedir perdão, desculpa ou outra coisa. A gratidão é acordar e ter um novo dia, com mais uma noite. E todos sabemos que o dia tem coisas que não foram roubadas à noite. E, também, todos sabemos que o dia tem coisas que a noite nunca roubou. Por isso, goze sua noite e dia, tal como eu faço, principescamente, desde que o Sol se levanta até que a Lua me adormeça.» [noético-18/02/2014]

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

COPISTAS NÃO FALTAM

From: The British Library
«Deixem de inventar, interpretar ou copiar as frases aos bocados...Deixem de pensar que tudo o que vos torna felizes é desejar o mesmo que todos os outros desejam para a sua felicidade. Isto, é o mesmo, que desejar um caminho que não é o vosso. Porque a felicidade é apenas o mito que cada um persegue e apesar de estarmos demasiado instruídos a seguir os passos dos outros, quase desde que nascemos, esse, não é certamente o caminho. Mas não haverá o direito de desejar uma felicidade comum ? Claro que há, mas não é da forma que cada um a pinta, com votos muito kantianos pietistas ou diocesanos de universalidade... Esquece essa treta de recados, de que com esta frase me animas ou te animas. Esquece! Segue, antes, o teu caminho e deixa os outros em paz. Não sei se são, os pregadores do antigamente, os que oravam que havia apenas um caminho, os piores manipuladores de viagens terrestres, até hoje conhecidos? Hoje, pois é... Hoje, tem muitos tempos, inclusivé toda uma panóplia de optimistas que te parecem dar coragem para seguires-lhes a senda. Tu, se gostas, segue, mas desampara-me a loja! Estou farto de afrodisíacos artificiais, de orgasmos delicodoces, de vendedores de sonhos, de profetas do irreal. Por favor, nem sequer te atravesses no meu caminho, pois posso até mesmo não te ver e esmagar-te com o meu próprio peso de existir, um peso não equiparável ao teu, certamente. Não é uma ameaça, é uma verdade. Depois, não te desculpes de que «quem te avisou teu amigo era» ou de que ficaste sem uma perna... A amizade tem muito de bom, mas adopta também formas crueis....Sim crueis. O não gostares, não é tido para isso nem achado. Dirás, estão-se nas tintas para os meus preciosos sentimentos...Pois dirás! Mas o equívoco reside precisamente na tua invulgar valorização disso mesmo, não, na realidade que não sabes enfrentar, pura e dura tal e qual como ela é e não como tu desejarias que ela fosse. Há os que caminhando sozinhos dispensam qualquer tua aprovação seja para o que for. Isto, não significa que não existas e não sejas importante. Tu és de facto importante, mas não podes querer vender-te com a marca de uma vedeta quando não o és. Só és vedeta para ti própria. Por isso, não queiras que a tua importância se transforme na única forma possível de adorar. Cresce e aparece, não para os outros, mas para ti. Só depois verás com nitidez a realidade que te transmito e que tu, talvez, não tenhas nunca querido gostar.»[noético-19/02/2014]

CARREGADO DE MENTIRAS

From: Green Savers
«Um dia alguém me perguntou, o que é mais real ? Eu, olhei-o estupefacto, com a pergunta. Minutos depois, pois, nunca se está preparado para quase nenhuma pergunta, ao contrário do que se tenta demonstrar e, já, mais recomposto da surpresa, respondi-lhe que o real é apenas o que ambos ficcionamos estar presente em qualquer lugar a cada momento. Não sei se respondi bem. Há questões que levarei até à morte, isso, é quase uma certeza. Mas isso, também, me faz pensar...Bem, demasiado...E não me quero dispersar. Seria absolutamente fácil fazê-lo! Seria muito mais fácil, levantar ainda mais questões e depois, pegando no aspirador metódico de Descartes, começar a arrumar a casa. Para quem não perceba a ironia, eu confesso...Ahahahahah...Confissão! Os teístas e deístas delirarão com esta palavrinha que lhes disse, eu não! O que o matemático dizia e muitos professam é que se tem que começar por algum lado e resolver cada questão à vez. Pois bem, nada do que o matemático disse leva a lado algum. Tenho pena, pelo método que, hoje, está de novo, tão em voga. Atomizar as questões e resolvê-las uma a uma, funciona para casos quase isolados. Okay, admito... Também, existe o trabalho em equipa, diferenciado. A ciência inspira-se nisto. Pior, tornou-se seguidora desta doutrina, tal como outrora, quando Deus justificava todo o método e toda a verdade.O problema não está nem nunca esteve em Descartes, tal como nunca esteve em Deus, se o há ?A questão está mesmo nos nossos olhinhos cordeiros, ausentes de pai ou mãe, sedentos de salazarzinhos que adoraríamos ter para nos situar. Lambemos a matéria, seja ela, orgânica ou mental, por que já alguém a fez. É bem mais fácil. Sempre fomos e seremos adeptos do fácil, mas isso, não justifica que o fácil seja o caminho a percorrer, que o já previamente estabelecido, feito, regrado, legislado, seja o horizonte! Horizontes há muitos, como chapéus do pátio das cantigas!» [noético-19/02/2014]

A INSUBSTITUÍVEL INGENUIDADE

Drawn into the darkness, blinded by the light
«Um dia perguntei-me de que tens medo ? Como resposta, obtive a ideia errada, mas a que parecia mais certa... Do que mais tinha medo era de enlouquecer. E porquê ? Por que simplesmente me tinham ensinado que a «a loucura» era mau, só causava problemas. Problemas ? A quem ? É que para quem coloca problemas existem pelo menos dois lados. O lado da procura da resposta e o lado de quem continua duvidando. Claro que existe um lado e muitos outros, passando por aquele que nem sabe o que pergunta, ao outro, aquele que simplesmente pergunta só para não permanecer parado, bastando isso para se sentir vivo. É interessante acima de tudo a dúvida. Nunca ninguém duvidou dela! Estranho, não é ? Não adianta quem tem razão ou quem está do lado da razão, excepto, para evitar os corvos empenhados em levar a doutrina de Hobbes de reeencontro à escolástica. O homem é o lobo do homem, mas desde quando ? Surgiu, depois, do rasgo da amizade e do amor romântico, o vazio. Nem a amizade contou, nem o amor triunfou. E afinal, com que linhas nos cozemos ? Claro, que «nós» é um abuso. Mas, por que será que a amizade falha tanto, como o dito amor ? Já se perguntaram isso ? Alguns de vós, certamente. Claro que sim. E justificarão o fim das amizades, claramente, com menos ódio do que aqueles que confiavam no amor e se sentiram atraiçoados. Mas em que consiste uma traição, afinal ? A menos que seja cometida, pois também as há, propositadamente, a traição acaba por se revelar apenas mais uma prova de ingenuidade. Ingenuidade daqueles que acreditam demais, ingenuidade daqueles que nem sabem por que estão a trair. Por isso, julgar, o conteúdo pela rama, resulta quase sempre num exercício fátuo. Mas, voltando ao princípio, ao medo de enlouquecer. Por que teria eu pensado que tinha medo em enlouquecer ? Mais uma vez duvidei, de quase tudo, segui Descartes, mas, isso, não interessa sequer a um verme. Não me parece bem é ter receio disso... Por que terei que temer, achar-me louco, ou deixar-me simplesmente enlouquecer se esse for o meu caminho ? Haverá algum comprimido que o detenha ? Alguma palavra que o faça parar ? E, se no final, do enlouquecimento, apenas se tivesse vivido a vida de verdade ? Não estariam todos errados os terapeutas ? E eu tivesse apenas feito o meu caminho. Não o fez Napoleão ?...» [noético-19/02/2014]

ATRAÇÃO DOS CORPÚSCULOS ?

Dali Museum - Petersburg, Florida
«Gostaria de questionar os cientistas, se a atração do amor, da simpatia, da amizade, apesar de se poder medir hormonalmente em oxitocinas, justifica que, o amor é como as partículas, os átomos, as moléculas atraindo-se, ou se, o não é, realmente e então, se não será muito mais do que esse universo de brinquedo com que costumam tanto brincar ? Que me expliquem então porque, quando praticamos juntos alguns actos menos propositados, isso, nos dá anormalmente, um gôzo enorme ? Identificação ? Que giro, nenhum de nós se revê na própria cara, nas suas próprias palavras, nem sequer nos seus próprios sentimentos ou níveis hormonais...Interessante, pegar pela pequena ou quase nenhuma transgressão, que a Lei, só por si, ao ser criada, previa...Só me apetece rir... Juro francamente!» [noético-19/02/2014]

VERDADE ?

From 1,000,000 Artists
«Verdade?... Real?... Viver, é o lugar só, de um invulgar e singular passageiro, temporariamente habitado por tantos outros, na mesma condição.»[noético-19/02/2014]

TODAS AS PRAIAS

Ian Gamache - Crowing at Dawn
«Mas sabes, ninguém é férreo e, se o fôr, acaba por dobrar. Mesmo na geologia sabes que as montanhas acabam por aplainar, ainda que tenham períodos de elevação. Praias é o que não falta por aí por explicar?...»[noético-19/02/2014]

O QUE NUNCA ESCUTASTE...

Camile Seaman
«Não. Não vale a pena leres-me. As palavras apenas acrescentam mais ao teu desengano. É que 'A' como todo o resto do abecedário, tem para mim, sempre, diferentes significados, mesmo sem te incluir a ti, ou ao 'A' que queremos traduzir, em conjunto. Como poderias tu, criatura, que te julgas criada, poder adivinhar ? Nasceste sem ciências e criaste várias. Nasceste sem cultura e criaste muitas. Pareceu-te em algum lado ter ouvido ou escutado as respostas a esta pergunta ? Pois, eu, nunca as consegui ouvir!» [noético-19/02/2014]

WHY YES OR NO ?

«You don't need to be with me...You don't need to be nothing to me. I know that the feeling is strange to you, and even sometimes to me. You, are you, and I am just I, not me. I is oneself. Oneself doesn't carries anyone with him. The power of comunication just swallows the meaning crowning it. You...I prefer to think of yourself more beautiful for just being what you are, not the queen of my deck. I hate worships! But, what I like or not shouldn't make any differen
ce. So why did I say this ?» [noético-19/02/2014]

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

DE VOLTA A AL BERTO

Terra - Guy Garnier
«Nada me consola, nada me desperta curiosidade, nem as mãos que inventaste para me revelares escondidos lugares me tocam. Sou o último habitante da espessa noite do desejo, morada do imenso cansaço onde as alucinações perturbam e maravilham. A voragem dos amargos dias de espera, a prolongada espera, o tempo que abre medonhas gretas na memória. sombras azuladas de corpos movendo-se na paisagem.Dantes, tremia ao ver-te, podia confundir-te às mais estranhas paisagens. Hoje, apenas as percorro, já não faço parte delas. Pouso as mãos no fundo do rio, reconheço as aves estelares que pernoitam a meu lado e assustado continuo a sobreviver. Das ruas sobe um cheiro a enxofre, e da cal soltam-se rumores e palavras que não conheço. O corpo arruinado caminha de vislumbre em vislumbre, à procura dalguma repousante eternidade. Mas, por vezes, alguém murmura ao ouvido enquanto durmo. São palavras confusas que me percorrem, finjo continuar a dormir. Suavemente procuro com o suor das mãos o rosto, e no escuro encontro o que se parece com a ausência desse rosto. Nunca o meu ou o teu rosto. Depois, um corpo sem dimensão nem peso cola-se-me à pele, não ouso abrir os olhos, se o fizesse descobriria o segredo disto e todo o seu medonho esplendor. Não devemos perturbar os mortos quando humildemente se estendem sobre nós, e amam.» Al Berto, O Medo ,Liv. V, 4ª ed., p.231, ed. Assírio & Alvim


INSTANTES DE POESIA

Sieste à Rio - Guy Garnier
«...Desculpa/o que te queria dizer talvez não fosse isto/a solidão turva-se-me de lágrimas/ e nas pálpebras tremem visões do meu delírio/olho as fotografias de antigos desertos/corpos coerentes que fomos/bocas de papel amarelecido/onde a sede nunca encontrou a sua água/e às vezes ainda tenho sede de ti...» Al Berto, "Três cartas da memória das Índias" in O Medo, Liv. VIII,p. 389, ed.: Assírio & Alvim





CHESTERTON POR BORGES

Ecriture - Guy Garnier
[Esperança e utopias à parte, se calhar a coisa mais lúcida que sobre a linguagem se escreveu terão sido estas palavras de Chesterton: «O homem sabe que há na alma matizes mais desconcertantes, mais inumeráveis e mais anónimos do que as cores de uma selva outonal. No entanto, julga que esses matizes, em todas as suas fusões e transformações, são representáveis com precisão por um mecanismo arbitrário de grunhidos e de guinchos. Julga que de dentro de uma bolsa saem realmente ruídos que significam todos os mistérios da memória e todas as agonias do desejo» (G.F.Watts, p. 88, 1904).] - Jorge Luis Borges, "O idioma analítico de John Wilkins" in Obras Completas, Vol.II, p.84, ed.: Teorema


sábado, 15 de fevereiro de 2014

JÁ O DIZIA CAMÕES...

«Love changes everything even itself.» [noético-14/02/2014]











SOBRESCRITA

«Ao ver um programa sobre Vieira, questionei-me sobre quais seriam as suas reais motivações, para continuar a escrever até ao fim da sua vida? O que levaria as pessoas do seu tempo a escrever e a persistir na escrita? Certamente que não era o comércio de livros ou seria? Na época seria ainda possível viver da escrita? Hoje, há quem o consiga e até seja milionário, mas, não é, certamente, a grande maioria dos escritores, os quais, da escrita não chegam a poder fazer vida. E a questão mantém-se. Se era pela escrita que viviam, ainda que tendo algum mecenas por detrás, então, está quase tudo explicado. Mas, se não o era, terá sido uma forte necessidade de expressão ou a coragem que lhes terá permitido tal ousadia. O que está aqui em causa é, acima de tudo, como é que esses escritores olhavam para a escrita? Provavelmente, de uma forma bem diferente daquela com que todos nós a olhamos hoje, e talvez, também, com muito mais vigor intelectual e seriedade do que a que encontramos em muitos dos mais famosos escritores actuais.»[noético-13/02/2014]


A OSSIFICAÇÃO DA MEMÓRIA

«Já não creio em espaços ocultos cuja substância o pensamento quereria povoar. O feito deixa todo o por fazer por realizar. Um gato poderá seguir esse novelo e até aprender a tricotar a lã que lhe ensinaram. Vultos movendo-se como sombras neste firme firmamento, neste lamento quotidiano da realidade, agitando-se como fantasmas sem qualquer recurso, sem qualquer cenário, limitando-se a expressar. A conta gotas flui a água humedecendo cada recanto sentimental. Queixumes, nervosismos, alívios, gritinhos ténues em expiral. Anoitece. O silêncio entra pelos poros da melodia que se meneia ao ritmo da dança do tempo. Não há inferno, exclama-se, acompanhado pela eloquência dessa feliz sentença. E os dedos adormecem na memória de qualquer superfície reconstruída a detalhe como a cinza vulcânica erguendo poeira de qualquer cratera ao compasso de cada passo.Não...Não é sonho nem evidência. É fissura arquitectónica que a timidez faz corar de cimento e pedra reduzida a areia do mar. Era aqui nesta terra que costumávamos namorar os nossos planos de dimensões estrelares. Agora é apenas espectro de lembrança, rebuçado que nos deixava divertidos de lábios lambuzados. E sorríamos jovens afogueados pela importância do nosso acreditar. Hoje, somos um nó deslaçado, fragmentos de intensidades. Amigos, amantes, desmaterializados. Hoje, tal como ontem e amanhã, seremos. O ser se cumprirá ainda que sem missão ou finalidade nestes nossos invólucros ossificados.»[noético-14/02/2014]


POR QUE SOU ÁRVORE

«Tu vives incrustada na minha memória por onde corres como seiva petrificada pelo tempo. Tu moras nesse aroma a terra molhada que se me entranha como perfume pelas minhas raízes. Tu és a luz que cintila por entre os meus braços estendidos por entre a folhagem dos meus anos. Tu és o musgo suave que se aninha por entre as rugas do meu caule áspero e lenhoso. Tu és a razão porque só sei ser árvore.»[noético-15/02/2014]








I HAVE A LOT OF DIFFERENT SIDES NOT JUST THE DARK ONE

«Muitos me acusam de ser quase transparente. Gostaria de lhes conseguir demonstrar que nunca se fica nú, mas deixo essa encomenda ao tempo, que se encarregará de lhes ensinar. Outros me acusam de sofrer do baralho, ou seja, de não ser ...Sabe-se lá o que isso quer dizer, de se «ser igual» ?... A única coisa que tenho a dizer-lhes, é que sou assim e assado, tal e qual como vou sendo. Não existe nenhum arrivismo ou arrogância em sê-lo. Nenhum «Eu» é um lugar simpático. A convivência por vezes não é nada simpática, nada agradável, nada favorável. Mas, isso, depende apenas de nós ? Bem...Esta questão já trás água no bico. Depende, supõe que podemos controlar. Resta saber o que controlamos...E controlamos tão pouco de nós mesmos, por mais audazes, heróicos, que nos armemos aos cucos!... Ser como se é, tem uma enorme responsabilidade...Ou talvez não ?!...O autêntico tem algo que surpreende é um facto. Surpreende por que abala a confiança nas crenças que possuímos sobre como os outros são. Isto, é um facto. Se surpreende não estamos nunca à espera e pensamos logo indutivamente que a partir de agora teremos que contar com esta nova faceta. Engano! Por vezes existem actos isolados e ou não sequênciais na nossa vida. Ah...Deixem-me interromper... Escrever, isto é genuíno! Não estava escrito, nem dito, antes de aqui ficar expresso. Nem sequer estava arquitectado! Bem...Prosseguindo... Falava de surpresas. Há quem goste e quem nunca as aprecie. Mas como é que se pode gostar de alguém baseado apenas na confiança ou apenas na surpresa ? Não haverá que contar com ambos ? Penso que sim, que há que contar com ambos. Uma coisa é certa, ser nada tem a ver com amar. Somos, não por amor de nada ou por amor a alguma coisa. Ser é inevitável, tal como deixar de ser! Ser é algo que não controlamos, mas que, sim, julgamos até certo ponto comandar, dirigir, amplificar. Não acredito nessas teorias! Nem sequer lamento. Nada existe a lamentar em cada vida, por mais antipática, dissemelhante, anacrónica, chocante que ela seja. Um assassino não deixa de ser humano. Não deixa de ser uma vida. Não deixa de ser «um dos nossos», da nossa espécie. Claro que a maioria de nós não aprecia os seus actos, condena-os. Não estou aqui a dizer se faz bem ou mal. Gostos e apreciações não se discutem. Ou será que se discutem ? Claro que se discutem. Não quer dizer que todos os que condenam um assassino - e dizemos isto de alguém que já foi capaz de matar outro indíviduo da mesma espécie, raramente aos que matam os de outras espécies e, no entanto, todos vivemos de matar organismos vivos, seja no açougue ou através do antibiótico...Acho que não preciso de acrescentar mais... - estejam errados, ou que inversamente, os que aprovam estejam certos. Descartes prega a muita gente, grandes partidas. O preto e o branco, o claro e o distinto, são apenas categorias a que não podemos nos fidelizar com tamanha facilidade. Bem...O texto ainda vai no princípio para alguns e extenso demais para outros, por isso, fico-me por aqui.» [noético-15/02/2014]

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

EVOCAÇÃO

NPA - Evocação
«A diferença que separa a recordação da evocação é que a recordação não tem alma.»
Vergílio Ferreira, Pensar, 328, p. 225, ed.:Bertrand

PENSAR

NPA - Rebento
«Pensar. E se pensar fosse uma doença, mesmo que dela resulte uma pérola ?» Vergílio Ferreira, Pensar, 187, p. 145, ed.:Bertrand

LUGARES SEM ESTARES...

White Room - Natalia Molchanova
«O coração, se pudesse pensar, pararia.»

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego,p.39 ed.: Assírio & Alvim

PARALELISMOS

Souza Neto - Linhas Paralelas
«O paralelo tem tanto de romântico como de ambíguo. Se duas linhas se prolongam e não se discute o destino de cada uma delas, mas apenas se imagina entre elas uma infinita, porque inultrapassável, e finita, porque plenamente mensurável, distância, também são um convite à fantasia da fusão, precisamente no infinito imensurável. A ideia de paralelismo, evoca também uma dimensão de sincronia, em que todos os pontos, componentes das linhas ou dos planos se alinham permanentemente, como um substar, um permanecer inalterável e inalienável. A distância entre linhas é uma espécie de composição libidinosa de carácter platónico, os pontos que se vêm mutuamente mas não se tocam. A geometria impera. O modelo ofusca. O divino pode ser paralizante ou não, dependendo dessa mesma crença. A ilusão do passado e do futuro conjugam-se, nessa conjunta separação, que nada diz sobre o presente, mas que se projecta no futuro, no seguimento, no encadeamento dos pontos equidistantes. Não se sabe o que percorre cada linha. Diz-se então uma narrativa, declara-se como tal. A narrativa aparenta movimento ao contrário da forma que parece imóvel. Mas no paralelismo, tudo parece síncrono e, no entanto, se cada linha ou plano é um movimento, uma narrativa, pode não haver uma história, mas pelo menos duas, entre muitas outras possíveis. E, na aparente sincronia da forma, prefigura-se o assíncrono. Duas linhas e duas narrativas. Quatro ou mais e é preciso igualar. Mas, na realidade, é indecidível se qualquer paralelismo existe, apesar da permanência da sua forma geométrica. O que a  arte tem de belo é esse poder sobre o misterioso silêncio, do saber dizer sem saber como o dizer.» [noético-11/02/2014]

A SUSPEITA

«Toda a contestação social é vista com suspeita e de mau agrado. facto inegável das nossas «pseudo-democracias». Os detentores do poder começaram sempre por criar modelos de sociedade ideais, por exemplo, na idade média o que todos queriam é ser cavaleiros ou clérigos. Sucede que manter uma população a correr atrás de uma «cenoura» ou «lebre» como se de coelhos ou de galgos se tratasse, acaba por entreter mantendo distraídas durante alguns breves instantes as populações, mas não há remédios, nem salvações para sempre. O poder tende sempre a perpetuar-se, assim como quem não o tem o deseja ter, e, se o tivesse, passaria também a preocupar-se em mantê-lo. É humano. Mas não deixa de ser contraditório para com outros ideais, tais como, a igualdade, a fraternidade, a solidariedade. É pena que muitos, sejam incapazes de desmontar este ciclo vicioso, pois a paixão pela luta, não é em verdade, nenhuma verdadeira luta. Todos procuram ideais comuns, aqueles que os gúrus desta sociedade assíncrona e desigual, pretendem que todos professem, a bem, do conjunto, do colectivo, do universal. Até por vezes faz jeito ter uns tantos «indíviduos jurássicos» a protestar nas ruas. Dá até quase a sensação que isto é realmente uma democracia. Até se apluadem os opositores. Enfim! Quem se deixa levar pelo protesto acaba sempre do mesmo lado ou a desejá-lo, daquele que acaba por os receber. E no meio disto tudo, apenas o teatro permanece. A falsidade das pretensões, a ignorância do que seja justo ou seja justiça, etc. Tudo numa lógica, comum, demasiado comum, demasiado humana, de que todos pretendemos o poder que dá acesso à riqueza ou vice-versa. Bem, este é mesmo o discurso ou contra-discurso da História. O tal que aposta tanto na permanência da situação actual, quando favorável, como na revolução que salvaria ou obstaria a todos os males. A lógica é a mesma. Lógica ? Sim! Entranhamente ou talvez não. O que está aqui em causa não é o direito ao protesto, aliás, já existia protesto antes mesmo do Direito. Mas enfim, para a maioria da rapaziada isso é quase como provar a existência de Deus ou a sua inexistência. A malta, pensa que sabe, julga que tem direitos. Rapidamente os desinteressados nessa visão acusam-nos de que não querem deveres e que só pensam em direitos. E o carrossel prossegue nesta lentíssima e pleníssima estupidez, massificada por gentinha ignorante e que caminha de olhinhos mais fechados do que abertos, julgando até estar a ver o Sol. Para mim já chega de ver este carnaval de idiotas desfilar como se estivessem numa festa, quando nem sequer sabem o que é de facto festejar, celebrar, etc. Chega ? Não. Temos que aprender a viver com isto e a resistir-lhe sob a pena de deixar mesmo de existirem vozes realmente discordantes. O problema é que se «carnavalizou», outros dirão, banalizou, toda a constestação social, por falta de critério e de gente que pense. Mas, gente que pense, querem eles, os poderosos, o mais rapidamente, acabar, pois isso, não os favorece. Veja-se o que andam a fazer com a educação e com a cultura...Enquanto isso, vão podendo fazer o que querem nas costas das populações, pois os ignorantes só muito tardiamente lhes descobrirão as «carecas». Por isso, cada vez existirão mais contestações e actos imbecis dos poderosos igualmente cretinos nas suas respostas. Convém que tudo pareça estar na mesma base, dá um certo sentido mais democrático à coisa. Fá-la valer mais. Confere-lhe um certo prestígio, o de se jogar com as mesmas armas. Uma aparência de igualdade que subjuga muito mais do que as autênticas e verídicas desigualdades que existem por todo o lado e que, aqui, não preconizo de forma alguma acabar. Apaziguar é diferente de resolver. E o que hoje se faz ? Apazigua-se! Acalmam-se as populações, àvidas de segurança, de proteção e há milhares de anos, com o apoio das Santas Madres Igrejas, sejam de que confissão forem, sempre a apoiar. A malta vê nos contrastes, opostos, quando eles nem existem, mas é assim que as mentezinhas pensam, comummente! Haverá alguém que discorde realmente ? Que faça frente a tudo isso ? Será a educação que se dá nas Escolas e fora delas ? Não me parece. Os funcionários do «status quo» andam por todos os lados. Estão, aliás, todos instalados nas suas catedrais de saber, de poder, de bem-estar. Ordenam, estipulam, decidem para si e por todos. Retirem-lhes os privilégios e como seria ? Ah! Já sei! A Anarquia. E Anarquia é realmente o que mais temem, tremendo por todos os lados. Mas a Anarquia não é nada do que «esses habituais mentirosos dizem, senão ainda chegaríamos a acreditar neles, facto que muito facilmente acontece». Seria a extinção, não da sua raça, mas da sua presença como peste, enquanto gente. A extinção do seu posto, do seu estatuto, dos seus privilégios, da cordeirada a trabalhar para os seus próprios fins, enfim...O fim da sua comodidade que parte de uma base de confiança desvirtuada de contar sempre com os outros para se levantarem e se erguerem acima e por cima dos outros. Uma corja, autêntica. E esta atitude não existe apenas nos que nos governam...O que realmente governa «as massas» ou a«populações» como costumo dizer é mesmo a vontade de «reinar». Salve-se no meio disto tudo o idiota que sou eu. Mas ainda assim, prefiro sê-lo a fingir que me pauto pelas hipocrisias desta «palhaçada», sem desprimor quanto aos palhaços!»[noético-11/02/2014]

PRECISO DE GENTE COMO TU

«Nem te passa sequer pela imaginação...O que ele ou ela é, o que ele ou ela passam, a cada instante. Mas porque te reclamas tão próximo, tantas vezes ? Talvez por não saberes...Glorioso!...Haja gente como tu...Haja gente que sai, para sair, que diz para além do que é dito e fica subentendido...Haja gente como tu que sem bússola, sem matemática, sem planos, sem um suspiro sequer, acompanha! Oxalá houvesse tanta gente como tu!» [noético-12/02/2014]

PARÓDIA

From facebook: Neurons want food
«E achas tu que descobriste a «C» vitamina ? Mas sobre que ângulo ?... Já viste este comprimido de arte ? Esta pastilha cósmica sem Deus nem Belzebu?...Babe...É isso mesmo! Mas por favor não me escrevas na testa esse vocabulário!» [noético-12/02/2014]

NÓS...

«Queria esquecer o teu cinzento, encobri-lo de luz ou descobri-lo na escuridão, mas não há modo de me desfazer da cor. E suspiramos…Maldito o dia para que fomos feitos. E, no entanto, por aqui restamos, caminhando…Doi, faz sol e chuva, e tudo se vai arrastando…Tudo parece plácido, impávido, irreal…Nós, quem quer saber disso ?...Nós, essa palavra morta no dia de anteontem e que persiste para além do tempo…Amargo, doce, indiferente! Para nós todo o futuro se abre…Não há nuvem que assombre, luz que se apague, riso que se afogue em lágrimas, mas…Isso não é tudo tão fora de tempo ?...Sim, nós estamos fora estando dentro, sempre agarrados pelas palavras que se colam à nossa saliva como se fosse o firmamento. Sim, meu amor…E ambos odiamos o termo que a nada põe fim. Sim e não. Tudo isso que não é nada do que foi escrito e que vai ainda nascer, num advento que nenhum rasgo de visão consegue vislumbrar…Poesia é isto. Poesia poderia ser aquilo, aquele copo, aquele resto, aquele pedaço…Amo-te, meu amor…E nem eu nem ninguém sabe quem tu és ou nós somos.» [noético-12/02/2014]