Sermões Silenciosos
Um lugar de criação e reflexão.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Confissão
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Embebedemos-nos
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
O catastrofismo amedronta mas, afinal não é o fim.
Chelsea Saunders/Current Affairs
Texto extraído da plataforma Google (IA):
O tecnofeudalismo é um conceito (popularizado pelo economista Yanis Varoufakis) que argumenta que o capitalismo, tal como o conhecíamos, chegou ao fim e foi substituído por um novo sistema económico e social dominado pelas grandes empresas de tecnologia, como Google, Amazon, Apple e Meta.
Neste sistema, essas "Big Techs" atuam como modernos senhores feudais digitais.
Diferenças Fundamentais em relação ao Capitalismo
A tese central é que, enquanto o capitalismo se baseava no lucro (extraído da produção e venda em mercados competitivos) e na propriedade dos meios de produção, o tecnofeudalismo baseia-se na renda (extraída do controlo de plataformas e dados).
As principais características incluem:
1- Feudos Digitais: As plataformas online (como a Amazon, Google Search ou Facebook) funcionam como "feudos na nuvem". Em vez de possuírem terras, estas empresas controlam a infraestrutura digital essencial e os algoritmos que ditam as interações económicas e sociais.
2- Servos da Nuvem: Os utilizadores e até mesmo outras empresas que dependem destas plataformas tornam-se "servos da nuvem". Trabalham (produzem conteúdo, dão dados, treinam IAs) de forma não remunerada, gerando valor para os "senhores" tecnológicos em troca de acesso aos serviços e à visibilidade nas plataformas.
3- Capital em Nuvem: O "capital em nuvem" (a interconexão de máquinas, software, algoritmos e hardware) tem como objetivo principal modificar o comportamento humano e extrair renda, em vez de produzir bens tangíveis no sentido tradicional.
4- Monopólio e Controlo de Mercado: As Big Techs procuram eliminar ou absorver a concorrência, solidificando o seu monopólio e impedindo o livre mercado (uma premissa do capitalismo clássico). A Amazon, por exemplo, substitui o mercado tradicional ao intermediar diretamente a venda e a compra através dos seus próprios algoritmos.
Em suma, o tecnofeudalismo descreve uma concentração de poder sem precedentes nas mãos de poucos gigantes tecnológicos, que exercem um controlo quase absoluto sobre a vida digital e a economia global, extraindo valor de forma rentista, em vez de produtiva.
Discussão (humano):
Parece-me um dos erros, generalizar toda a economia, resumindo-a às rendas das tecnológicas. Na realidade pode haver alguns feudos (alguns monopólios, plutocracias) tecnológicos mas, as transações comerciais não se baseiam exclusivamente em algoritmos digitais, nem o sistema produtivo se resume aos bens digitais e, mesmo dentro do mundo digital existem plataformas que competem entre si, gerando diferentes oportunidades de mercado. Youtubers e influencers, indivíduos com certos talentos, também lucram muitíssimo com as plataformas digitais e, não são os senhores feudais das plataformas mas, manipulam em seu benefício multidões. O conceito de tecnofeudalismo é pois muito enviesado e extremamente redutor.
Quanto ao "Capital na Nuvem" transformado em bens não tangíveis, poderemos, também argumentar que, muitos dos bens tangíveis se baseiam na cosmética, que sendo algo de essencial à vida humana, não são, e nunca foram, uma das componentes mais vitais da nossa vida, exemplificando uma economia baseada na superficialidade, algo de muito pouco tangível, no sentido de absolutamente necessário. Não vou falar de cinema ou de literatura face à realidade concreta. Vejamos a indústria dos pets ou mesmo da cosmética e todas as sub indústrias que lhe estão associadas. Que utilidade produzem para além de exaurirem os recursos naturais e satisfazerem os desejos estético-atrativos, como forma de exercício do poder de fascinio dos humanos sobre outros humanos ? Por outro lado, as IA’s também consomem água, energia e silício, bem como outros elementos raros, necessários para os chips, em quantidades abissais.
Relativamente ao exemplo da Amazon, há que referir que, sendo uma plataforma distribuidora quase global, permite encomendar produtos que, por sua vez tem de ser produzidos tangivelmente antes de chegarem ao consumidor final, de acordo com as necessidades deste. Note-se que outrora, também havia lojas grossistas e a retalho a intermediar as trocas comerciais. A diferença é que a intermediação passou a digital. Também os xamãs e os padres intermediavam as relações com os deuses. Tudo hoje, porém, é mais simples, mais rápido e mais cómodo. De resto, nada de novo quanto ao comércio se ter transferido em parte para plataformas digitais. O surgimento dos hipermercados, embora tenha causado muitos estragos ao comércio também, não acabou com todas as pequenas superfícies comerciais e com os mercados tradicionais de rua.
A invenção do multibanco e dos serviços bancários online, bem como das portagens com Via Verde, nunca teria acontecido sem a World Wide Web, e como isso nos facilita a vida. Aquilo que nos aprisiona, afinal, é o desejo do nosso próprio bem estar, não é nenhum algoritmo extraterrestre.
Consideremos também a invenção tecnológica do automóvel. Primeiro criaram-se as máquinas, depois, as estradas e depois sucedeu-se um rodopio de transformações colaterais, (entre elas, das cidades e dos campos) que modificaram completamente a nossa forma de viver e de estar e de negociar e nos tornaram servos dele. No entanto, ainda se anda de burro, carroça e de coche e, agora, com o advento da moda do “elétrico” até de trotinete o que é fantástico mas não milagroso. Igualmente, o telefone, ao tornar-se móvel, realizou semelhante transformação e trouxe novas formas de comunicação, de negociação, de transação e de alienação. Portanto, nada de novo, aqui, também.
Quanto aos servos da nuvem, poderíamos dizer que os protótipos se democratizaram e que agora todos os utilizadores são experimentadores (Beta Testers). Fornecem dados, (os serviços de inteligência também escutavam e gravavam conversas por telefone ou vasculhavam correspondência escrita, os candidatos a emprego, também expõem muitos dos seus dados nos seus currículos, etc.) colaboram e não são remunerados, ações que outrora cabiam ao voluntariado, ou ainda antes, aos escravos, tendo apenas mudado os meios e não os processos. Portanto, aqui também, não há grandes novidades.
Resumo curto das críticas ao tecnofeudalismo:
1 - O conceito exagera ao reduzir toda a economia aos lucros das Big Tech e ignora a diversidade dos mercados;
2 - O digital não eliminou a produção tangível nem as formas tradicionais de comércio, apenas criou novas e, a outras, transformou;
3 - A influência da tecnologia sobre o comportamento não é nova — sempre existiu (arco e flecha, fogo, roda, olaria, aquedutos, automóvel, eletricidade, telemóvel, internet);
4 - Os “servos da nuvem” são apenas uma versão moderna de práticas antigas de colaboração não remunerada ou de vigilância por relações de poder, interesses económicos ou de segurança.
Em resumo, o tecnofeudalismo simplifica demasiado e não capta a continuidade histórica das transformações tecnológicas.
Crítica ao conceito de tecnofeudalismo pela IA:
A tese de Varoufakis é poderosa como metáfora, mas falha enquanto explicação estrutural do sistema económico atual.
O conceito de “tecnofeudalismo” confunde poder de plataformas com poder feudal, ignorando que as plataformas operam num ambiente de mercado global, com pressões competitivas e regulatórias — algo inexistente no feudalismo histórico.
No feudalismo, o vínculo era jurídico e vitalício; hoje, a relação entre utilizador e plataforma é voluntária e reversível, ainda que condicionada por efeitos de rede. As plataformas extraem dados e influenciam comportamentos, mas não exercem controlo territorial, militar ou institucional como um senhor feudal.
Além disso, assumir que o capitalismo morreu e foi substituído por uma ordem rentabilista total carece de evidências.
Continuamos num capitalismo profundamente plataformizado, mas ainda assim capitalismo.
O termo “tecnofeudalismo” funciona como metáfora crítica, mas não descreve com rigor o sistema económico atual.
Conclusão da discussão: (humano)
Pensamos que o catastrofismo medra sob a forma de metáfora interpretativa e amedronta, apelando à resistência e luta, como antídoto salvítico às doutrinas, igualmente populistas da Salvação.
Parece-nos que este termo contém em si, pois, um viés propagandístico e ideológico deliberado, não cabendo por isso, a nosso ver, na categoria dos conceitos filosóficos, não acrescentando nada de superlativo à discussão das questões económicas atuais.
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
In-Direitos humanos
sábado, 1 de novembro de 2025
O mesmo mundo
domingo, 19 de outubro de 2025
Aqui ou ali não são a mesma coisa
domingo, 5 de outubro de 2025
Tolices
Já viram algum morto consciente ? Eu, não!
sábado, 4 de outubro de 2025
O mais estranho é ser-se íntimo!
segunda-feira, 29 de setembro de 2025
A direção do ser
Filosofia da Bimby
domingo, 1 de junho de 2025
O que parece melhor
quinta-feira, 29 de maio de 2025
Sem Guarda
quarta-feira, 30 de abril de 2025
É preciso amar a sabedoria
quinta-feira, 27 de março de 2025
Sobre os tropeções e atropelos
sábado, 22 de março de 2025
Texto crítico
domingo, 9 de março de 2025
A Catedral Inacabada
Céu e Inferno
Ensinar a refletir sem refletir
Porque não somos as marionetas de deus
Nem é difícil
A LEI DO 'FURÃO'
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| Van Gogh |
E se de repente...
SOBRE O LIVRE ARBÍTRIO
É estranho
O Antropocentrismo será um fatalismo?
Os cépticos têm alguma razão para se pronunciar ?
moldes, funcionais, à realidade. Ninguém sabe o que é zero, ou um número imaginário ou, até mesmo, um triângulo equilátero. E, no entanto, não saberíamos descrever ou prever, a realidade, com tanta exactidão, sem esses instrumentos. É estranho, muito estranho. Por outro lado, dizem-nos, alguns neurocientistas, que o cérebro é que cria a ilusão da realidade. A questão é então, esta: Se o cérebro é que cria a ilusão da realidade, também, é ele que cria os métodos e instrumentos de medição que permitem manipular e prever com relativa precisão essa mesma ilusão sem que, com tal, surjam acidentes e eventos caóticos causados pela inaptidão humana. Estranho, novamente. Para mim, este argumento, basta, para derrotar o determinismo neurociêntífico. Se captamos tão mal a realidade como podemos tanto sobre ela ? De que equívoco falamos ? Dirá o ceptico, conhecemos a ilusão não a verdade. Pois... Como é que sabemos melhor o que é uma ilusão e menos o que é uma verdade acerca da realidade, dita, fantasiada ? É possível pensar que nada se conhece, sem se pensar ou sem se crer no que se pensa ? Pois é... Quem sabe ? O céptico ?
Ser Jovem, Todo o Terreno.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
A próxima fé!
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025
Pensar bem ou mal e não pensar
quinta-feira, 21 de novembro de 2024
Bem, não é bem assim...
segunda-feira, 28 de outubro de 2024
Um Cro-magnon Informado
sábado, 12 de outubro de 2024
A CAVERNA É A BOLHA
sábado, 31 de agosto de 2024
O Grau Zero
sexta-feira, 23 de agosto de 2024
Em favor do silêncio
O motor imóvel. O que move e não é movido, excepto que é movido a mover, não é verdade ? Mas, se não é movido a mover porque move ? Tem de agir para mover. Será deus um paradoxo ? Pode um paradoxo constituir uma prova argumentativa ? Não. Pode resultar de uma demonstração argumentativa ? Sim!
Ora, o que move e não é movido é causa primeira de tudo que se move. Se é causa provoca um efeito. Todas as causas provocam um efeito e este efeito é causa de outros efeitos ad infinitum. Mas, se assim sucede, uma causa tem de ter outra causa que lhe antecede, ou seja, uma origem. Nesse caso não haverá causa primeira e existirão também causas originárias e não originais, ditas "primeiras", antecedentes, também ad infinitum. Ora, isto não parece razoável.
A necessidade versus a contingência ou os acidentes. A ideia de um substare ou substrato advém de Aristóteles. Há coisas ou qualidades permanentes e outras impermanentes, contingentes ou acidentais. Segundo o filósofo o permanente seria o palco que susteria os acidentes e, sem os quais, estes últimos não se dariam. Estilo, a estabilidade é o garante da impermanência. Vejamos... Um objeto diz-me sem cor porque a quantidade de luz absorvida e reflectida varia e os órgãos dos sentidos que a captam interpretam de modos diferentes. Primeiro, o objecto varia no tempo tal e qual como a luz e a fonte da luz que é outro objeto. Portanto, qual é o permanente aqui ? A mudança, como diria Heráclito. Ora, será possível que, no meio de tantas mudanças, não possa haver um ou mais momentuuns em que, quer o corpo iluminado, a fonte que ilumina e o corpo que percepciona se repitam ao coincidir ? Será impossível que tal aconteça, estilo, uma capicua, 222, 333, etc ? Ou seja o corpo está num momento de repetição, o ângulo e a frequência da luz também num momento de repetição e a fonte o mesmo ? Um alinhamento triplo repetido. Possível é. Aliás, para quem acredita na "substância" no "substare" não é difícil pois, é nisso mesmo que acredita. Porém, aqui, o mundo está invertido. Os acidentes é que permanecem e as condições de repetição é que constituem o acidental, o raro, o fortuito. Ou seja, a substância é impermanência e os acidentes é que permanecem. Não é isto, contraditório em si ? Pois, parece-me que sim e, no mínimo paradoxal. Não podem ambos os argumentos serem verdadeiros.
E, poderíamos seguir por aí fora na desmontagem dos argumentos de Aquino.
Em resumo, crê quem quer crer e, muito provavelmente, constitui um exercício espúrio tentar provar a existência do não existente.
O que é o desconhecido? É vasto e ninguém sabe. O que é a morte ? Ela existe e ninguém sabe! Quem será ou serão deus ou os deuses ? Ninguém sabe! Haveremos de os inventar como às sereias e aos unicórnios. Do que podemos falar e conhecer ? Do que acontece e da vida.
sexta-feira, 16 de agosto de 2024
Máxima
Tardiamente
Chega uma hora em que apenas esperamos que os acontecimentos da natureza evoluam a nosso favor, tudo apenas, porque há muito tempo nos divorciámos dela e, como seres conscientes, tememos as consequências dessa nossa atitude precipitada.O controlo é ilusório, a consciência é mínima, a necessidade imperativa, a construção provisória, a vontade esperançosa e o conhecimento fragmentário, de modo que, só nos resta a humildade e o espanto, mais do que o prazer e a dor, a alegria ou a tristeza no meio de tanto encanto e desencanto.Se as coisas são como são, afetam-nos de um modo em que elas não são, mas sim no algo em que se tornam pela nossa compreensão. Podemos saber coincidir assim como mostrar diferença por comparação, nuns casos atendo-nos noutros excedendo-nos, sem que nunca esse vínculo seja definitivo. Declarar seria se, de tudo o que é dito surgisse maior claridade, tal como, diferenciar o "juntar" do "somar", não se limitando a discorrer sobre o óbvio.Quantas e quais células transportam um pensamento ? Quantas e quais formam um conceito ? Não há pensamentos sem células, sem moléculas, sem átomos, sem partículas, sem energia, sem Universo e, muito menos (como pescadinha com rabo na boca) sem pensamento. Poetizando, pensar é quase como um produto de fabrico químico, incontrolável na sua génese, para qualquer humano. O livre arbítrio será como uma corrente químico-eléctrica emergente entre múltiplas correntes que lhes confere uma orientação ou ordem cuja origem pode até ser um núcleo ilusório chamado sujeito, como se as marginais correntes das marés é que lhe delineassem os contornos mais ainda do que as areias de uma praia. Uma espécie de princípio de impulsão de Arquimedes mas no eixo horizontal (para compreensão) e em múltiplos eixos, na concretude. Tudo isto, já estava inscrito no Tao. Fazer do Tao uma religião é perder-lhe completamente o sentido. A insuficiência das línguas e o seu cada vez maior atrofiamento não permitem diferenciar o sagrado do sacralizado. O Sagrado, não é Deus. O sacralizado é! Sacralizado é como a cristalização de um mineral. É o advento das ideologias que, por serem prolíficas e daninhas, ocupam todo um vasto espectro do espaço-tempo, parecendo ser, ou prometendo ser, a revelação ou a salvação. Sagrado é, outra coisa. Não envolve nenhum ser parasitário â mistura, nem é evidente como revelação e muito menos salvação. O Sagrado não se revela, respeita-se pelo entendimento. Não se venera, simplesmente, não se profana. Não nos salva, apenas nos desperta aonde estamos a cada instante.É preciso ter olhos para ver para além das imagens e do imaginário. Nada é sobrehumano ou inatural. O Universo é natural. O homem que ama e que mata é natureza. Há que aprender a pensar entre as palavras e escapar ao eflúvio de falsas erudições murmurantes e ruidosas. Não acredites no Sagrado, encontra-o!
quinta-feira, 15 de agosto de 2024
Reflexões
Os meus botins, que trago calçados, fazem-me lembrar os teus sapatos de atacadores azuis, que foram os teus últimos. Pensava há pouco, ao avistar um pequeno ser de guarda-chuva, graciosamente caminhando, nas saudades que sinto. Estou aqui, ainda, rodeado da prateada beleza do Mar, vista sublime do Oceano. Tantas horas solitárias, tantos sonhos frustrados, tantas esperanças, tantas horas sem sentir o prazer de compartilhar. Só caminhei, só caí, só me ergui mas, só, nunca foi a minha natureza. Mar, ventos, sol, nuvens, tempestades... Fui salvo pela agrura dos elementos que sempre me despertaram ou tornaram sonâmbulo caminhante por entre os vivos.
Mudança de Paradigma
Sem livre arbítrio não há ciência
Deixo-vos
Método
Trilogia
quarta-feira, 14 de agosto de 2024
Potássio na água
O mais valioso perante a morte é
Viver e estar em paz
Pois, depois de mortos, tanto faz.
Porquê a paz se a morte é descanso eterno?
A paz como equilíbrio,
Adaptação, sem excesso.
Não eternidade,
Não prolongamento,
Insustentável, indevido.
Não uma sonolência absurda
Mas, simples prudência,
Evitando o inferno,
E buscando o céu,
Na Terra dos homens.
Ainda que, esse céu, seja só por nós habitado e que, raramente,
Ou mesmo nunca, chegue a ser partilhado.
Há muito mais do que nós, em nós,
E cada jardim possui a sua geometria.
Alguns jardineiros tratam bem do seu quintal
Outros, apenas sonham com o quintal alheio
Ainda outros ou são tolos ou desleixados
Mas todos os jardins têm flores
Mesmo aqueles em que as sementes não estão visíveis à superfície.
Todos os nossos jardins morrem de forma diferente, só muda o modo...
O nosso ego aflito dilui-se como potássio na superfície ondulada da água
E, depois, mais nada.
Fadigas e canseiras,
Alegrias e brincadeiras
Jardins e jardineiros
Num ápice, tudo finda
E seremos nada.
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
Quando der por mim...
segunda-feira, 15 de julho de 2024
A intimidade
sexta-feira, 12 de julho de 2024
Falta-lhes um dedo!
quinta-feira, 27 de junho de 2024
Considerar os intervalos
Viver
A vida é o acto mais solitário que existe.
Um soldado caído, exclama, alvejaste-me, não pares, mata-me!
A vida é o próprio existir solitário em acto, acrescenta quem alvejou, é por isso que não te mato.
Prazer e sofrer são os únicos sentires do que é estar-se vivo.
A dor acorda e desperta para a maldita hora que se consome para a meta.
O gôzo emola e ruma ao consolo da bastança, efémera celebração asceta.
Talvez, um frequente oscilar temporário seja o único estado do ser-se vivo.
Mas, de que tudo isto interessa, após ter-se morrido ?
Interrogar é o coração de todo este ruído, imersão total nos sons que nos transportam ao destino.
Valeu a pena ter vivido ? À pena valeu, também, ela, termos fingido!
