sábado, 28 de setembro de 2013

CHOVE O QUÊ ?

«Estão sempre a dizer que aqui chove. Estão sempre a dizer que se a chuva não parar será pior ainda do que o Dilúvio. No entanto, olho em volta e aqui nada mais há senão o deserto. Por que pensas que têm a necesssidade de mentir tanto?...»
[noético-28/09/2013]







O AMOR NÃO É TRANSACIONÁVEL

«Quando se gosta de alguém isso não significa que tenha que se ser retribuído. No entanto, esta ideia parece um pouco contra-intuitiva. Aliás, na vida gosta-se sempre de muita gente e de muita coisa sem que se espere ou obtenha compensação proporcional. Mas, mal de nós se assim não fosse, pois nem aprenderíamos a amar fosse o que fosse. Se sempre esperássemos retribuição e a obtivéssemos à nossa medida seríamos uns seres estragados para a vida. Muito provavelmente, mesmo não sendo retribuídos na mesma proporção, seremos ainda seres estragados para a vida. A ideia de investir no outro é uma ideia comercial. Quem investe no outro não o ama nem o respeita, apenas arrisca no outro com o intuito de beneficiar, de lucrar com ele. Mais uma vez ganhar, nestas circunstâncias, parece natural . Mas, aprende-se muito desaprendendo. É preciso desfiar este novelo. Quem espera, exige, impõe fasquias, constrange ou pretende constranger, aguarda pelo troco. Há muitos amores destes que se compram e vendem em supermercados onde as prateleiras estão repletas de emoções em promoção. Só por engano ou ignorância é que o verdadeiro amor é um bem transacionável.»
[noético-28/09/2013]


 
Music: 8.5 Souvenirs - My Baby

DÓI-ME O TEU EXCESSO DE NADA

«Não precisas de apagar as tuas marcas, o tempo fará isso por ti. A simplicidade derrota-te a cada novo entusiasmo, nova prosápia, nova estátua que ergues. Sabes bem o vão que tudo isso é. Não é contudo o tempo que te mata. É o desejo que te consome. Compreenderás um dia que vives e morres pela mesma razão. Fugir de ti, da tua natureza é inútil, impossível. És livre? Primeiro terás que encontrar a liberdade e só depois a poderás desfrutar. Possuir pensamentos não significa o mesmo que ter ideias. A maior parte do tempo, tu não fazes a menor ideia do que se passa e do que se te passa. Só quereres não chega. Mais do que querer não há. Pena? Nenhuma. Condoer-me-ei por ti se persistires assim. Não me dói o que não tens. Doí-me antes o teu excesso. E tu queres e queres-te demais. És uma discípula da vontade. Acreditas piamente que partiste e que um dia irás chegar. Nem sabes aonde, mas crês. Crês que viajas, crês em tudo e mais alguma coisa. De malas e bagagens imaginas-te a viajar. As ninharias acompanham-te por toda a parte, fazem parte da tua mochila, da tua casa, da tua psicologia, da tua ambição. Não enxergas?... Partes tal e qual como és, e tu, não és assim tão diferente do caracol... As tuas duas pernas não chegam para enfrentar a existência. Mexer não é o mesmo que esbracejar e isso nem se compara com o abraçar. Mas, desengana-te. Abraçar não é o mesmo que estender os braços para segurar alguém. Isso é apenas suplicar. E tu suplicas muito, muito, muito. Vives a suplicar o céu e o inferno conforme te debates com esse vazio monstruoso que habita as tuas entranhas. Esgaravatas, escarafunchas, picas e arranhas. Imaginas que unhas são garras que te prenderão. Que dedos são pinças que te susterão. Que um dia a beleza cobrirá como um manto toda a Terra...Sonha, continua a sonhar...Nunca é demais sonhar mesmo que isso signifique que muito sangue se verteu em nome do que dele cresceu. Mas, se me permites, enquanto tu sonhas, eu prefiro evaporar-me.»
                                                                                                                               [noético-28/09/2013]

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

EM MEMÓRIA DE ANTÓNIO RAMOS ROSA (1924-2013)

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa, in "Viagem Através de uma Nebulosa"

sábado, 21 de setembro de 2013

ENJOY LIFE


NEITHER THE ONLY OR THE ONE TRUTH

«We can not say yes or no if we ever know all about the Universe or Multiverse as now some scientists state. Meanwhile we know what we know and it is possible to know and that is the best we can and we are in the chapter of knowledge. One thing is beautiful. The Big bang theory so fastly adopted by the Vatican guys with their philosophy of the «Verb» according to the Bible «Fiat Lux» is losing ground. And that for me is a victory of science over dogmatism and superstition!»
                                                                                                                               [noético-20/09/2013]

VIVER POR INTEIRO

«Tu sabes bem que já aprendeste a viver com o teu outro lado. Já há muito que entendeste que a harmonia não é passividade nem um mar de rosas. Quem quiser que pense assim mas que se desengane depressa. Um violino com cordas afinadas continua a ser um violino e pode tocar peças com ritmos e melodias muito díspares. Nunca será um piano e vice-versa. Um dia estás calma e tranquila e outros irritada e intranquila. Assim, a música será diferente. Uns dias podes ter muito a dizer e outros nada mesmo que valha. Não se é todos os dias igual. A coerência vem de afinares as cordas do teu instrumento e não das melodias que nele tocas. Seres um violino ou um piano ou um saxofone ou outro qualquer instrumento afinado. Se quem contigo convive não entende isso, paciência. Não vais desafinar o teu instrumento por amor às audiências ou para as salvar. Ninguém te escutará depois de morta. Por isso, aprendeste a viver também com a raiva, o sofrimento, a revolta e não apenas com um sorriso forçado cravado nos lábios. Tu sabes que nunca serás uma perfeição ou um poço de virtudes. Não foste feita para desistir de ti. Seria bom que a hipocrisia já tivesse tido o seu tempo. Porém, pelo menos para ti, tu sonhas que ela se acabe de vez e preferes que temam antes a tua fúria honesta do que a tua raiva dissimulada. Tu sabes bem os danos que esta última atitude provoca nas relações com o tempo. Corrói-as. Para ti já basta de palavras. Tu passaste aos actos. Vives inteira e por inteiro e é tudo.»
[noético-21/09/2013]

DEVER AO TEMPO

«Não existem razões para exultar ou para escarnecer. A tua efemeridade é gritante. Limitado, demasiado limitado a ponto de nunca variares para além de duas ou três vertentes. E tanto, mas tanto tempo na demora em aprender da vida o vernáculo. Não podes dever tanto tempo. Não podes?»
[noético-19/09/2013]

O QUE FICAR DE PÉ

«Que fique de pé o que ficar. O que sobrevive não é certamente e sempre o mais claro ou o melhor, mesmo que seja o adaptado ou o sobrevivente a um holocausto nuclear. Inúmeros exemplos existem que o comprovam que não creio necessário enunciar. Neste sentido portanto as evidências ou o que é ou parece evidente valem o que valem. Ou seja, dentro do espectro do conhecimento têm também o seu peso relativo tal como tudo aquilo a que chamamos factos.»
                                                                                                                             [noético-20/09/2010]

terça-feira, 17 de setembro de 2013

MEMORIAL

«IN MEMORY OF ALL NEGLECTED THOSE WHO STILL DIE OF HUNGER, THIRST, PERSECUTIONS DUE TO RELIGIOUS AND POLITICAL REASONS, DUE TO ABUSES OF ANY KIND, DUE TO WARS AND LACKS OF SHELTER, FOOD OR TREATMENT... THINK FOR MOMENTS. AFTER ALL WHO ARE THE REAL TERRORISTS THAT WE MUST FIGHT?»

«EM MEMÓRIA DE TODOS OS NEGLIGENCIADOS TODOS AQUELES QUE AINDA MORREM DE FOME, DE SEDE, DEVIDO A PERSEGUIÇÕES RELIGIOSAS E POLÍTICAS, DEVIDO A MAUS TRATOS E ABUSOS DE TODO O TIPO, DEVIDO A GUERRAS E CARÊNCIAS DE ABRIGO, ALIMENTO OU DE TRATAMENTO... PENSEMOS POR MOMENTOS. QUEM SERÃO AFINAL OS REAIS TERRORISTAS QUE TEMOS QUE COMBATER ?»

[noético-09/11/2013]

FIDELIDADE ?

«Não sofro de incontinência moral nem de obstipação sexual...Ser-te fiel não pode implicar que te apropries do meu corpo e tornes subserviente o meu espírito. A confiança não pode ser construída sobre a submissão. Isso não pode consistir em amor. Lamento pelo teu equívoco.»
[noético-16/03/2013]



TU E EU SOMOS UNS OUTROS

«Vejo-te como aquela que se vê suceder em outra. A todo o momento, não estás em ti, viajante, portadora de nada. Rumas sempre, a cada instante, para outros lugares. Eu, nem ousaria segurar o que és, o inefável. Contento-me em amar de ti as tuas sombras e em seguir-te o rasto. E cada vez que te imobilizas, emerge em cada tua nova máscara, um corpo sem rosto... Assemelhas-te a uma andorinha ferida arrastando a asa, a uma nuvem gélida e petrificada. Tu e eu, nunca estamos em nós, por isso, nos desejamos tanto. Queremo-nos por inteiro porque nos sobramos um ao outro. Nunca nos poderemos conter. Nem mesmo quando nos abraçamos e beijamos ou fazemos amor. Nada temamos portanto.»
[noético-16/09/2013]


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

BOM DIA, AMOR!

«Há um som em cada toque, um abraço em cada respiração…Assim te descubro, desnuda, outra…E é delicioso ver-te despertar no leito da vida, sentindo vagarosamente cada partícula do teu corpo vibrar a meu lado… Bom dia, amor!»

[noético-09/09/2013]

PORTAS

«E agora ? Agora ?...Nada! É dificil decidir entre sofrer por amor ou amar e sofrer. Em todo o caso, todas as coisas parecem acompanhadas de perda e de luto quando nos surgem como significativas. Por que será que o que nos diz tanto, o que mais nos importa é o que mais nos agride e afecta ? Por que nos deixamos enredar nessa trama se a nossa lucidez o poderia ter evitado? Pois é, Lucifer não vence Cupido. A cupidez vence a lucidez. Manda nela. Mas a cupidez leva a dois extremos. Ou nos arremeça para o fundo das trevas ou nos projecta em delírio para um universo de alegria. Podemos trocar o nome às coisas que as viagens apenas se inverterão. Permanecerão os mesmos destinos. Luto ou sombra ? Há sombras que são lutos e lutos que não são sombras. E agora? Agora ?...Nada. Há que aprender a viver à luz, à meia-luz e na escuridão. Também corre sangue e se respira na escuridão. Pode-se sempre sair por portas por onde nunca se entrou e pode-se sempre, também, entrar por aquelas por onde nunca se saiu.»
                                                                      [noético-19/08/2013]

ON MY WAY

«Things can be different than i talk about them. Although it will be always the way i see things. It is not right or wrong but the only way, the way, my way of seeing things. My world even if raised on error will be true anyway because it is the only I have and can aspire. The one I live and will live. So when you speak about the truth at which do you refer ? A universal truth that I didn't recognize as such ? Sorry for spoiling your plans, if I didn't saw it along my life please don't insist that it is universal because it is not. At least in my world it never existed. To ignore a truth doesn't turn your thoughts and life a lie. Your ignorance may not a be a denial of something but just another way of the truth manifest itself by not being known by you.»
[noético-19/08/2013]

A FICÇÃO DO NÓS


«A ficção do nós deu-te forte...Existem tantas combinações possíveis do nós como existem dos eus. O truque, já que não sou amante de segredos nem de mistérios está na relação ou se preferires na equação. Por isso, quando falas de nós nunca sei situar-me de tão escorregadia que me sôa a tua voz.»
[noético-07/09/2013]


QUERER VER PODE SER UMA CEGUEIRA

«I still have a heart although I do not need to show it all the time. You know...Nothing is visible all the time not even you. Don't you believe it ? Then let me ask you this... When you close your eyes and you go to sleep are you still visible to yourself ? Of course not. So most of the time of your life you spend it without seeing yourself and still you keep on living. That is why it is not so important that I show you my heart all the time. You must live and survive to that natural blindness.»
[noético-13/09/2013]

domingo, 1 de setembro de 2013

O CLIENTE DA LUZ



Der Blinde fuhrt die Blinden - Walter Heckmann (1991)

«A maior de todas as cegueiras é a lucidez e, é por isso, que agora sei quem eras e quem tu és. Não há lento nem apressado quando se age com naturalidade. Só há um tempo, aquele que é teu. Também, não existe nem culpa, nem remorso, nem ressentimento. O que não existe mais é o entendimento prévio, em que tu fazias do idiota deslumbrado, dominado pelo falhanço constante da luta contra as tuas próprias fraquezas. Afinal, estavas mais desperto do que demonstravas e transparecias. Por vezes deixavas-te alucinar amorosamente como se tomado pelo poder de uma droga. Não era hipocrisia. Disso tu não percebes nada. A esperança era o isco e tu seguias o fio de Ariadne como um sonâmbulo fascinado pela promessa adiada. Afinal, algo para o qual tinhas sido treinado toda uma vida. Só, por isso, sucumbias e tornavas a sucumbir, agarrando-te a essa tortuosa meada. Sim, tu não te comportavas como pessoa, nem como gente, mas simplesmente como um vulgar cliente. Como aquele, que se deixa seduzir por uma certo discurso apelativo e, que se deixa trair ou vencer pelo seu próprio desejo, fundado na ilusória supressão da carência, por algo, substancialmente tangível. Afinal, o jardim por onde caminhavas, não tinha flores. Habitavam nele apenas esqueletos e espectros, que em grotesca procissão noturna, entoando cânticos sedutores dançavam valsas delirantes. Sobre as sepulturas dos sentimentos cresciam desenraizadas, máscaras vazias de entes, aparentemente de outro mundo. Nada era estreito ou plano. Tudo era palco e teatro, génese de personagens e ficções ocupadas por ossaturas desengonçadas, quase ridículas, meio divertidas e deliciosamente picantes. No lume brando da fogueira alimentada por pequenas deixas ou grandes falas se montavam cenas e se produziam actos. Pois é…Todo esse carrossel parecia assombroso, mas de facto estava era assombrado pela luz, que protelava a sombra e te cegava pálida, indefinida, virginalmente alva. E tu sucumbias e sabias por que sucumbias e sucumbias por que sabias…Imbecil cego alucinado. Ainda bem que fechastes os olhos e acordaste!»
[noético-01/09/2013]