quarta-feira, 21 de junho de 2023

O singular plural

Georgy Kurasov

No final é quase tudo igual ao começo quanto à estranheza e espanto do conhecimento. Afinal, tudo parecia estar destinado a desafinar, cada ser estruturado em torno da sua genética e adaptação, com os seus muitos e diversos episódios, semelhante, mas desigual.
Impossível, quase, viver uma vida inteira sem doença. Um teste à nossa resiliência e ciência, de desfecho imprevisível.
Todos somos mortais mas, vivemos, ignorando esse facto, pensamos que somos imortais. Viver é, alienação pura. Só o teatro nos permite sobreviver, enquadrando-nos entre o real e a máscara a ponto que, ambos se fundem e confundem numa completa unidade, muitas vezes.
Cremos nas continuidades, mesmo que elas possam nem sequer existir. É esse fechamento que nos aliena e nos afasta da esquizofrenia do conhecimento, pois, conhecer seria certamente algo similar. A luz não só cega como, vista no seu total espectro representa uma multiplicidade inequacionável. Só sabemos gerir multiplicidades através de unidades. Cada número é um infinito, estilo mônada. De outra forma não haveria ciência e/ou conhecimento. Conhecemos por que adaptamos o mundo aos nossos conceitos que são agregados unitários e entre eles estabelecemos relações, capturando e agregando essas multiplicidades em direcionamentos, vetores de coligação entre conceitos. O eu, o único, são estruturas nossas. São as raízes múltiplas basilares sobre as quais assenta todo o nosso conhecimento. Agregar é o método, a base, o solo fértil de onde emerge qualquer noção ou termo. No fundo, tal como os humanos, a espécie. Daí falarmos nas estranhezas, inicial e final. Estranhamos por compreender essa magia subjacente ao nosso mundo. A objectividade é também uma agregação do sujeito. O sujeito é um agregado. Faz parte da mesma Natureza de múltiplos onde o raro, é muitíssimo raro mas nunca chega a ser único. Argumentarão, aquele Sol extinguiu-se. Aquele é já parte de alguma agregação.  Se pensarmos bem, o uso da estatística como preditor é a prova disso. A realidade é plural, toda ela.




segunda-feira, 19 de junho de 2023

Não há perfeição

https://zlatkomusicart.wordpress.com/2014/10/31/beauty-lies-in-imperfection/
Zlatko Music

Se os energúmenos, crentes no seu Deus, sejam de que credo forem, na prática, renegam por completo o objecto da sua fé, podemos então, fácilmente descrer na sua fervorosa fé e, ainda pior, suspeitar da sua real falta de humanidade ao quererem segurar tibiamente adesões a falsos absolutos. Para quê, tanta falsidade ? Para quê, tanta máscara de fé, autêntica? Todos os mentirosos patológicos enredam-se e acreditam piamente nas sua mentiras como se do consolo da sua imaginação extraissem verdades. Infelizmente, dada a abundância destes seres,  esta sua fragilidade torna o mundo um lugar tão virtual quanto desvirtuado.
Por isso, afirmo que, o lugar da não crença, o lugar mais desabitado é, o lugar certo, onde, não se será contaminado por esse veneno modal e irresponsável.