quinta-feira, 29 de maio de 2025

Sem Guarda

O mais incompreensível, que agora se tornou compreensível é a ausência da Verdade.  Muitos pensam que, não havendo uma Verdade então, tudo é válido e verdadeiro desde que alguém o faça acontecer. Mas, o que acontece com este posicionamento ? Podemos fazer explodir uma ogiva nuclear e, foi algo que aconteceu por efeito de uma ação de querer. Será um facto verdadeiro mas, não a Verdade. Um facto verdadeiro, seja julgado moralmente correto ou incorreto, fará sempre, parte da Verdade mas, não será nunca a Verdade. Cabe então perguntar o que é a verdade ? Ninguém sabe! É a única resposta humilde, responsável, racional e emocional. A verdade é como um modelo de triângulo perfeito. Algo que não existe na Natureza. Algo que a matemática e o pensamento humano conseguem equacionar e criar como utopia, utilizáveis à escala natural mas ausentes dela. A haver uma perfeição na Natureza ela não é sequer comparável à nossa capacidade de concepção. Isto não significa que tenha de haver deus. Essa é a resposta mais fácil para quem quer crer a qualquer preço. É com triângulos perfeitos que se medem áreas. Deus, poderia ser a perfeição matemática. Eu, não acredito nisso. Mas, sim, podia. A utopia é a perfeição. A perfeição é o que estamos condenados a perseguir sem nunca podermos alcançar. Parece ridículo? Pode parecer, até mesmo absurdo mas, não é. Se não houvesse um objetivo qual seria o objetivo? Se cada um tivesse e olhasse apenas para o seu projecto como seria possível construirmos uma sociedade juntos, com as vantagens e desvantagens daí supervenientes ?
Disse um dia, e muito bem, se a Verdade fosse apropriável rapidamente se tornaria numa arma de arremesso. É estranha esta contradição de se querer tanto a Verdade e, ao mesmo tempo, de haver tantas vantagens de não a haver. É muito melhor  ter um caminho a percorrer (por fazer) do que encontrar um caminho já percorrido (já feito e encerrado), embora, o já feito e percorrido também sirva de reserva estratégica de conhecimento para projetos futuros. Esta é a ideia de que a única verdade é não haver nenhuma. Mas, o homem, teve de construir os seus ídolos, os seus mitos, teve de ser honesto sendo desonesto, enganando-se a si e tentando enganar, a seu favor, a Natureza. Foi preciso sobreviver. Foi preciso construir um mundo com os outros  Foi preciso prescindir de um excessivo egoísmo. Chegámos com todas as virtudes e ou defeitos aonde chegámos pir que de certa forma, caminhámos juntos. Sózinhos não chegaremos a lado nenhum. Quem não entender isso pode sonhar com o Kaos que o espera. Uma das maiores virtudes destes novos tempos é a virtude convivencial, uma crescente raridade.