segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Confissão
Nunca fui santo nem mártir. Sei que não sou nenhum exemplo, quer positivo, quer negativo. O que sou, não perturba o que possa pensar sobre mim ou sobre o mundo. Pode-se-lhe chamar esquizofrenia ou algo parecido, é-me indiferente! Sofro quando vejo as consequências de de pensar e agir mal, não porque, não se reflita mas, por se refletir tão apressada e precipitadamente, ou ainda, por se refletir tão interessadamente, cuidando apenas daquilo que consideramos egótica e enviesadamente como benéfico, ao invés de refletir de forma desapaixonada, não imediatista e apressada. O mundo choca-nos e tinge-nos de horror. Somos homens e não nos parecemos com Homens mas sim, mais com bichos ou pior ainda. Animais, sem forma. Animais que já não são bichos e homens que nem chegam a ser Homens. Alguma forma intermédia que mais parece uma anomalia da natureza. Parece e, é. Os indeterminados. Os indistintos. Porém, sobressaem porque têm um Deus, o dinheiro, que os faz rojarem-se como répteis ou trepar como chimpanzés para alcançarem o seu modelo. Vivem, correm, matam-se, esfolam-se e renegam-se nesse delírio de perseguição à imaginada pobreza e nessa obsessão compulsiva de atingir os píncaros da fortuna dourada. Tudo o resto, até mesmo futuros danos causados a eles próprios figuram fora das suas equações. Indistintos e autodestrutivos. Poderiam ser zombies, meios mortos, meios vivos mas, não. Estão de pé como faróis, cegos pela luz que perseguem como barcos à deriva quer haja tormenta ou calmaria. Para eles, tudo, todos os dias se agita e, a tarefa nunca termina, são ávidos e da avidez se saciam. O mundo enche-se de horror e de dor e nem nessas horas eles se estancam.Os indistintos querem ter nome, ser eleitos, reconhecidos, idolatrados, forçadamente amados, em suma, senhores do mundo e de todos. Sem o que lhes escapa, parecem ouriços, espicaçam tudo e todos os que os rodeiam e que com eles habitam. No fim de tudo, a morte. Não, não choram, nem se arrependem pois, nunca se souberam amar, dominar, controlar, abrir, repartir, dar a comungar. Era o seu projeto perseguirem o inalcançável como se fosse um troféu de caça. Era o seu mote conquistar o que lhes revelaria o universo que sempre lhes faltaria para conquistar. Morrem fiéis a esse mundo e é tudo quanto levam com eles, sem que deixem muitas memórias pois, logo outros indistintos lhes tomam o lugar e mais uma vez, até na morte, mais rapidamente se desvanecem.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Embebedemos-nos
Alguém virá acusar-nos de faltar à moral por ter-mos escolhido este título. Vem sem encontro marcado. Não precisa estar preparado. Embebedar-se fará o resto. Que resto ? Fará sentido. Sim, fará sentido. Enamorar-se é de certa forma, perder-se e reencontrar-se de outro modo. Sem enamoramento o tempo parece esvaziar-se sem sentido. Enamorados, cada minuto ganha sabor, côr, contexto, expressão, sentimento, vida. Enamorar-se é ganhar dimensão não para se tornar grande mas, por gangar alento, sopro, coragem, sentido. O amar, amoroso, é sem amarras. Enamorar-se é estar-se vivo, presente, ausente e a chegar de braços abertos a qualquer lugar, sem possessão, sem avidez, sem delírio. Quem nunca se enamorou jamais poderá compreender a poesia. Enamorar-se não é um destino, uma fé, um acoplar-se a algo mas, é ser-se transiente ou transeunte. Em movimento consciente. Ser-se, sem amarras, nem pálas, nem pingentes, nem desígnios. Ser-se, pura e simplesmente. Sem adjetivos, sem objetivos, sem subjetivos, sem relativos mas, também, sem absolutos. Enamorar-se é embebedar-se, permanecer sobriamente turvo, maravilhar-se!
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