quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Embebedemos-nos
Alguém virá acusar-nos de faltar à moral por ter-mos escolhido este título. Vem sem encontro marcado. Não precisa estar preparado. Embebedar-se fará o resto. Que resto ? Fará sentido. Sim, fará sentido. Enamorar-se é de certa forma, perder-se e reencontrar-se de outro modo. Sem enamoramento o tempo parece esvaziar-se sem sentido. Enamorados, cada minuto ganha sabor, côr, contexto, expressão, sentimento, vida. Enamorar-se é ganhar dimensão não para se tornar grande mas, por gangar alento, sopro, coragem, sentido. O amar, amoroso, é sem amarras. Enamorar-se é estar-se vivo, presente, ausente e a chegar de braços abertos a qualquer lugar, sem possessão, sem avidez, sem delírio. Quem nunca se enamorou jamais poderá compreender a poesia. Enamorar-se não é um destino, uma fé, um acoplar-se a algo mas, é ser-se transiente ou transeunte. Em movimento consciente. Ser-se, sem amarras, nem pálas, nem pingentes, nem desígnios. Ser-se, pura e simplesmente. Sem adjetivos, sem objetivos, sem subjetivos, sem relativos mas, também, sem absolutos. Enamorar-se é embebedar-se, permanecer sobriamente turvo, maravilhar-se!
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