quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A Razão e os Ratios

Alguém nos procura por termos cometido um crime afim de nos condenar à morte. Procuramos asilo junto de um amigo. Este concede-nos abrigo. Os nossos perseguidores batem à porta do nosso hospedeiro e interrogam-no se sabe onde nos encontramos. Duas questões se colocam inicialmente, ou o nosso amigo acolheu-nos sabendo que tinhamos praticado um crime ou então fê-lo por simples amizade e em absoluta ignorância dos factos. Neste último caso, não termos sido honestos para com ele. Em qualquer dos casos o que significa ser honesto (verdadeiro) para a o nosso amigo hospedeiro quando instado a responder aos nossos perseguidores ? Se o hospedeiro nos deu abrigo com conhecimento dos factos deverá ele mentir aos nossos perseguidores mantendo a sua honestidade para connosco ? Se, pelo contrário nos abrigou, sentindo-se traído na confiança que depositava em nós, por lhe termos ocultado os factos, deverá denunciar-nos ?  No primeiro caso ele poderá mentir aos nossos perseguidores sendo verdadeiro quanto à amizade e confiança que depositou em nós e mantendo a sua palavra para connosco. Mas, no caso contrário, em que ele nos abrigou sem que lhe tenhamos contado os factos ? Factores a ponderar; ele é nosso amigo;não fomos honestos com ele; não confiamos o suficiente nele para lhe contar. Poderá ele não querer ser conivente com um crime por nós praticado, denunciando-nos ? Pesará para ele mais a obediência cega à Lei ou a fraternidade da sua Amizade por nós apesar de esta não ser perfeita ? Pesará para ele mais o crime que nós cometemos ou o crime que irá ser cometido pelos nossos perseguidores em nome da Lei ? Primeiro caso. Não nos denuncia. Afinal, uma Lei que condena um crime praticando outro, nem merece esse desígnio. Em segundo lugar, não existe nenhuma Lei que mereça a amizade de ninguém, pois a amizade é algo que se estabelece entre pessoas, que demora o seu tempo a cimentar-se e que, apesar de possuir muitas falhas é quase inestimável. Por outro lado, a amizade não se estabelece entre pessoas e Leis abstractas. Mas vejamos o caso inverso. O nosso amigo hospedeiro, denuncia-nos. Cumpriu o seu dever perante a Lei e perante si disse a verdade. Traiu contudo os amigos. Terá sido honesto (verdadeiro) para com eles ? Não pactuou com o crime pelos seus amigos cometido, mas pactuou com o crime que irá ser cometido pelos agentes da Lei (pena de morte). Terá aqui ele sido honesto, verdadeiro ? Duvidamos! Não é nenhuma Lei que nos humaniza mas apenas a humanidade que pode humanizar a Lei. Eis o que vos deixo para reflectirem.

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