Na cama do hospital, sentimo-nos ínfimos, esmagados mas, ajustados à nossa real condição de seres interdependentes. Na cama do hospital apenas conseguimos imaginar, sem factualidade, como vivem os outros do lado de fora, enquanto eles, quase por completo, ignoram a nossa vida numa cama de hospital. Estando próximos permanecemos tão distantes, à distância de uma parede e de um tecto. À distância da condição de estar numa cama de hospital.
Na cama do hospital e diante da perspectiva próxima da dor e da morte quase todos se compadecem, se entreajudam, estabelecendo os mais simples laços de humanidade. Na cama de hospital a dor é suportada quer pelo instinto de sobrevivência, quer pela medicação, quer pela empatia dos que, heroicamente, batalham para nos curar.
Na cama de hospital o mais apto oferece-se aos outros não para se exibir mas para os aliviar. Na cama do hospital o mais antigo ensina aos neófitos tudo o que lhe pode facilitar a sua vida, presumivel, temporária e/ou definitivamente afectada.

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