No mundo imaginário dos valores tudo é perfeito. A realidade é como é, fruto de muitas conjunções e disjunções de forças. Por isso, é difícil, se não impossível, querer traçar uma linha divisória diferenciadora ou delimitadora, como se, se tratasse de uma linha de circunscrição atida a cada contexto próprio.
Trata-se, afinal, de um puzzle onde raras são as peças que se encaixam e que, portanto, raramente deixa antever um sentido, uma direção, um ponto de fuga de compreensão de cada sua forma futura, retirando-lhe quase toda a previsibilidade. Uma espécie de amontoado de peças não emparelháveis.
Como então estabelecer a ordem ? A lei ? Só no reino do arbitrário, por mais que o nosso ansioso desejo exija a sujeição às nossas virtuais linhas de controlo. É claro, que neste sentido, o caótico sobressai como espelho, não acrescentando, no entanto, a imagem reflectida, alguma outra margem de compreensão. Neste domínio as perspectivas disparam até a um número quase infinito. Por outras palavras, embora qualquer caótico se possa assemelhar a qualquer outro caótico não existirá aqui, nenhum esboço ou sinal de simetria.
Então, como delinear ou conjugar os valores com o real de forma justa e balanceada ?
Um referente que se referência a si mesmo constitui uma obtusidade.


