quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Sem Margens




No mundo imaginário dos valores tudo é perfeito. A realidade é como é, fruto de muitas conjunções e disjunções de forças. Por isso, é difícil, se não impossível, querer traçar uma linha divisória diferenciadora ou delimitadora, como se, se tratasse de uma linha de circunscrição atida a cada contexto próprio.

Trata-se, afinal, de um puzzle onde raras são as peças que se encaixam e que, portanto, raramente deixa antever um sentido, uma direção, um ponto de fuga de compreensão de cada sua forma futura, retirando-lhe quase toda a previsibilidade. Uma espécie de amontoado de peças não emparelháveis. 

Como então estabelecer a ordem ? A lei ? Só no reino do arbitrário, por mais que o nosso ansioso desejo exija a sujeição às nossas virtuais linhas de controlo. É claro, que neste sentido, o caótico sobressai como espelho, não acrescentando, no entanto, a imagem reflectida, alguma outra margem de compreensão. Neste domínio as perspectivas disparam até a um número quase infinito. Por outras palavras, embora qualquer caótico se possa assemelhar a qualquer outro caótico não existirá aqui, nenhum esboço ou sinal de simetria.

Então, como delinear ou conjugar os valores com o real  de forma justa e balanceada ?

Um referente que se referência a si mesmo constitui uma obtusidade.




segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Eter-N-idade


Podemos visualizar, extasiados e em silêncio, a eternidade, mas, jamais conseguiremos tocar-lhe! Não se trata de nenhum Deus, mas sim, da Natureza à qual pertencemos.








Restos mortais


Somos um saco de batatas de desejos. No final, só resta a serapilheira. Para que valeu tanta batata ?









segunda-feira, 2 de outubro de 2023

A arenosa felicidade


Acontece muitas vezes. O porquê não é conhecido mas, que é visível para outros, é inegável. Seres que buscam a felicidade, que procuram ser felizes mas, que mesmo tendo-a ao seu alcance, a deixam escapar, tal como areia esvaindo-se da palma de uma mão (metáfora pictórica, muito bonita, do filme Out of Africa).
Os seres complicam, focam-se no não essencial, deixam-se atrair pelo sonante, vibrante, brilhante e, nisso enredados, afastam-se da felicidade por que tanto anseiam. Quem está de fora percebe, quem vive a sua existência está, muitas vezes, cego a essa possibilidade.
Como alguém detecta esse divórcio?
Querer demais não resulta. A felicidade não é só questão de querer muito, sobretudo quando, ela é incontrolável pela vontade.
Desejar demais, também não resulta. Satisfazer todos os desejos, não só é impossível, como insustentável e, existe ainda o perigo de desejar se tornar uma adição. Cuidado com aquilo que se deseja, diz um antigo ditado popular.