segunda-feira, 29 de abril de 2024

Mil anos sem mestria


Há mil anos disse, a ordem é aleatória. Parece uma contradição nos termos mas, temos de ser capazes de nos desvincularmos das nossas crenças. Na verdade, encontraremos ordem em tudo porque, a busca de sentido, a tal nos condiciona. Ter sentido, significa, controlar a lógica, conhecê-la. Se algo não a tiver, cria-se uma, adequada. Funciona, também assim, a ciência. A forja da ordem não pára. Mas, serão ordens sobrepostas, correlacionadas e correlativas ou outras ? Cabe na cabeça de alguém haver uma só lógica ? Admissível não significa a certidão de óbito da falsidade ou a transformação criativa da ordem do imaginário, que permite inventar novos mundos e acrescentá-los ao mundo que, nem em tudo, parece ser tangível na realidade. Deus quer, o homem sonha e ninguém pensa. Eis o que de certo o Poeta diz, não dizendo, apenas referindo, que a obra nasce. Pois é. Não pensa. Nada pensa. Só havendo ordem haverá sentido. E se não houver ordem, continuará havendo sentido ? A Natureza mata. Quem crê num super ser que os acode, desengane-se! Essa é a ordem que se sobrepõe à realidade mas, que, na verdade, se eclipsa de fundamento. Um furacão mata, quer um crente, um descrente, um velho, um bebé, uma mulher, um burro, seja quem for...Foi a mão sábia de deus! Será, essa a ordem ? Ou simplesmente queremos que essa seja a ordem das coisas para justificar a nossa dor e as nossas perdas e, conferir-lhes sentido ? Para mim, a ordem está no que acontece. Tenhamos nós interferência ou não, controlo ou não, haja sentido ou sentido nenhum. Não há uma ordem para além da ordem das coisas, do mundo, mesmo que tal, nos parece obscuro, incompreensível, desconhecido, vazio de sentido. Felizmente, que não vivemos em plenitude e que, a ressurreição é um sonho humano, senão, nunca acordaríamos e, acordar, despertar não significa uma manhã de bonomia. Haja o que houver...Tempestade, dor, tristeza, guerra, melancolia ou bonança, prazer, alegria, paz e sensaboria...
A ordem é do mundo, não da ordem da nossa construção racional. Matar inocentes, não é de fora do mundo. É o mundo e do mundo. Tem sentido ? Ordem tem. Sentido, não sei responder. Nem hoje, nem espero que nunca!

domingo, 21 de abril de 2024

Oratio de um ateu

Será a sabedoria saber, não estar aqui, quando todos os holofotes apontariam para a nossa presença ? Acredito de que ainda há mensagens de Amor de que ainda há quem amar e quem nos ame. Inferno, céu e limbo, são já aqui. As futilidades em que apostámos valeram apenas pelo tempo que não soubemos usar de outro modo. No fim, nada sobra.  A memória apenas permanece nos vivos por mais algum tempo. Nunca fomos ou seremos grandes, excepto, na vaidade e na ignorância. Sim, Amo a minha mulher, os meus filhos e os meus irmãos. Mas, amar é tão difícil! Há quem pense que tudo se resume a oferecer uma rosa no dia mundial dos namorados... É preciso Amar muito para nos desapegarmos. É preciso Amar muito para se ser acompanhante e não deixar ninguém dos que nos são próximos desamparados, embora só nós possamos viver a nossa própria queda, solitários e desamparados. Nas grandes decisões da vida, estamos, completamente sózinhos. Servem estes momentos para nos confrontar com a verdade que trazemos em nós soterrada por desvarios e poeira acumulada dos destroços que provocamos. Deus é talvez o nosso superego que fugiu para o céu...E foi-se embora mesmo. Creio que nunca voltará. Destapámos o tacho e atirámos a tampa sob a forma de disco voador para o espaço. Ficámos, iludidamente, senhores da vida e entregues apenas a nós próprios, como se tivéssemos olhos de ver e ouvidos de ouvir e pior, algo de bom nos nossos corações para ofertar.