domingo, 21 de abril de 2024

Oratio de um ateu

Será a sabedoria saber, não estar aqui, quando todos os holofotes apontariam para a nossa presença ? Acredito de que ainda há mensagens de Amor de que ainda há quem amar e quem nos ame. Inferno, céu e limbo, são já aqui. As futilidades em que apostámos valeram apenas pelo tempo que não soubemos usar de outro modo. No fim, nada sobra.  A memória apenas permanece nos vivos por mais algum tempo. Nunca fomos ou seremos grandes, excepto, na vaidade e na ignorância. Sim, Amo a minha mulher, os meus filhos e os meus irmãos. Mas, amar é tão difícil! Há quem pense que tudo se resume a oferecer uma rosa no dia mundial dos namorados... É preciso Amar muito para nos desapegarmos. É preciso Amar muito para se ser acompanhante e não deixar ninguém dos que nos são próximos desamparados, embora só nós possamos viver a nossa própria queda, solitários e desamparados. Nas grandes decisões da vida, estamos, completamente sózinhos. Servem estes momentos para nos confrontar com a verdade que trazemos em nós soterrada por desvarios e poeira acumulada dos destroços que provocamos. Deus é talvez o nosso superego que fugiu para o céu...E foi-se embora mesmo. Creio que nunca voltará. Destapámos o tacho e atirámos a tampa sob a forma de disco voador para o espaço. Ficámos, iludidamente, senhores da vida e entregues apenas a nós próprios, como se tivéssemos olhos de ver e ouvidos de ouvir e pior, algo de bom nos nossos corações para ofertar.

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