sábado, 18 de maio de 2024

O MAR








Se há Deus há Mar

Pois, sem maré não há vida

Não há ir ou voltar

Não há dor nem ferida

Nem histórias para contar.

A alma entretida,

Perdida, embriagada

Sentindo o indefinido

Com rosto estarrecido

Ama

Vive

Realiza

Morre

Permite-se seguir o rumo

Escutar as ondas do fundo

Arribar às fronteiras do mundo

Entre névoas e fumo

Num uníssono prumo

Em harmonia universal.

Deus não é bem nem mal

Apenas silêncio radical

Evidente e ausente

Presente e oculto

Num amplexo paradoxal.

Cheira a Mar. 

Cheira aos filhos da Terra

A uma gesta rudimentar

Sedimento de homens

Apóstrofes de deus.

Andróginas criaturas,

Que nem são Afrodite nem Zeus!

Não há vida sem Lar

Nem vida sem Mar

Não há sopro sem Ar

Nem vida, sem respirar.


Children of the Sun

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