Pois, sem maré não há vida
Não há ir ou voltar
Não há dor nem ferida
Nem histórias para contar.
A alma entretida,
Perdida, embriagada
Sentindo o indefinido
Com rosto estarrecido
Ama
Vive
Realiza
Morre
Permite-se seguir o rumo
Escutar as ondas do fundo
Arribar às fronteiras do mundo
Entre névoas e fumo
Num uníssono prumo
Em harmonia universal.
Deus não é bem nem mal
Apenas silêncio radical
Evidente e ausente
Presente e oculto
Num amplexo paradoxal.
Cheira a Mar.
Cheira aos filhos da Terra
A uma gesta rudimentar
Sedimento de homens
Apóstrofes de deus.
Andróginas criaturas,
Que nem são Afrodite nem Zeus!
Não há vida sem Lar
Nem vida sem Mar
Não há sopro sem Ar
Nem vida, sem respirar.
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