sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

A próxima fé!

Tenhamos sido bons ou maus, ricos ou pobres, bem ou mal sucedidos, com melhor ou pior saúde, quase todos nós teremos um dia que enfrentar a dor, antes da morte. Quase ninguém escapa a esse sofrimento. Prémio ou castigo, ninguém sabe. O corpo definha e cobra ao espírito esse preço, como se, de uma vingança se tratasse, não o sendo, no entanto. Habitaste-me agora, morres comigo. Irás sofrer. Que destino tão belo que deus nos traçou. Fomos uma criatura sujeita aos seus desígnios ou caprichos e fartamos-nos de sofrer, dizem, para a nossa purificação. O certo é que, ao que parece, fomos criados com defeito, caímos em pecado por causa de termos usado um instrumento que deus nos concedeu e para o qual não nos habilitou. Então, para quê que deus nos dotou de um instrumento que não sabíamos utilizar ? Andou a brincar connosco ? Fomos ou somos o seu divertimento ? Perdoem-me mas, só idiotas acreditam nisso. Não é certamente esse deus. Mas, então qual ? A vida continua a ser igual para o homem independentemente de qualquer que seja o deus adotado. Das duas uma, ou não sabemos explicar o que seja deus ou tudo não passa de uma medíocre invenção, ou de um ardil para nos subordinarem  ao poder de certos homens. Lembram-se das monarquias absolutistas ? Os clérigos funcionam quase na mesma base. Sofreremos todos para remissão dos pecados devido a uma criação defeituosa do próprio deus ?  Bem, outrora e ainda hoje, em certos lugares se, dissermos estas palavras somos considerados blasfemos e heréticos, criaturas quase satânicas. Para eles só há céu e inferno, deus e satã e mais ums anjos e pequenos demónios. Tido muito maniqueísta. Ou preto ou branco ou cinzento ? Pois, o limbo foi abolido tal como dantes foi considerado. Nota-se as certezas que têm sobre essas ditas realidades fantásticas. Qual é então o problema? A ameaça que representamos para as suas mentiras e doutrinas enganosas. Até poderia haver eventualmente Deus mas, certamente não é o que eles defendem ou teorizam e nem nós sequer conseguiríamos explicar. Porém, se Deus estivesse para além da nossa compreensão e entendimento, como saberíamos alguma vez que existe identificável, e até, como conheceríamos a sua palavra ? É muito contraditório e muito duvidoso. Entretanto, também, igualmente possível seria não haver deus algum, algo bem mais fácil de explicar e/ou demonstrar por absoluta ausência de provas concretas ou abstratas da existência de deus. As únicas provas advêm do testemunho de humanos que acreditavam nessas entidades supranaturais e dos seus acólitos convertidos a essa ordem imaginária dogmática que nunca findou de se reproduzir para perpetuar o poder de alguns homens sobre outros. Daí que, as tiranias ainda hoje ocorram. As doutrinas de pensamento único baseadas em factos imaginários ainda proliferam com muito sucesso por aí. Falta só criar ainda a religião do unicórnio-deus.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Pensar bem ou mal e não pensar

Pensar bem o que é ? Bem, não há nenhum pensamento perfeito. E, também, não há nenhum pensamento sem sujeito. É impossível um conhecimento puramente objetivo nesse sentido. É o sujeito que conhece. Mas, ainda que não consigamos definir com um critério rigoroso e objetivo nenhuma valorização válida, temos todos que reconhecer que há patamares (prefiro, em vez de graus) de proficiência do pensamento. Ora, haverá patamares muito inferiores e outros muito superiores. Em quê e como ? Irei falar do que constitui os patamares, os graus. Graus de quantidade e qualidade de recolha de dados. Graus de coesão e relacionamento entre esses dados. Graus de tratamento/análise desses dados de modo a constituir informação relevante para qualquer determinado fim ainda que hipotético. Graus de enquadramento de cada realidade. Graus de adequação da informação à realidade. Graus de reanálise da realidade e da adequação da informação a essa reavaliação. Haverão mais situações mas, não iremos ser exaustivos relativos ao quê. Como ? O Como tem a ver com o modo e a modalidade. De que modo se pensa ou se pode pensar ? Há sempre um sujeito e um objeto, uma relação e uma ou mais finalidades envolvidas. Uma das finalidades é a conformidade ou adequação. A relação pode ter variadíssimas vertentes e disposições. Pode ser mais lógica do que emocional, pode ser o contrário, pode ser um equilíbrio entre as duas, mas terá sempre que conformar-se a uma ideia ou a uma realidade. Porquê esta distinção? Porque uma ideia pode simplesmente significar um fim imaginário. Uma realidade pode ter essa modalidade, mas, referimo-nos, neste caso ao mundo físico e à nossa adequação/adaptação a ele. Podemos adaptar-mo-nos de modos diferentes mas, certamente, alguma disposição sobressairá sobre outras adaptações numa realidade em constante mudança. Óbvio que uma realidade tem inúmeras modalidades possíveis e até talvez inimagináveis. Então, temos um Como muito complexo. Há quem confunda confuso com complexo. O sujeito pode confundir-se. A realidade é o que é, ou seja, o que se depara ao sujeito e, também, em parte, a forma como ele a interpreta. A forma como cada um interpreta e interage com a realidade é múltipla, diversa, com alguns laivos susceptíveis de padronização mas nunca uma forma única e absoluta e/ou imutável. Bem, já refletimos um pouco sobre o pensar bem ou mal. E, quanto ao que designamos como não pensar ? Bem, ninguém na realidade conseguiu alguma vez o Nirvana, embora, alguns, adorem ser adorados por dizerem tê-lo alcançado. Mas, não era a este sentido de suspensão do pensamento que nos referíamos. Talvez, possamos chamar-lhe apenas pensamento reativo. Porquê? Por que não é um pensamento proativo, minimamente fundamentado, situando-se quase no domínio do caótico e das relações básicas entre preconceitos, podendo os fins serem efetivamente reais e concretos. Este é o não pensar. Independente da disposição, ao sabor das emoções, caoticamente organizado, umas vezes lógico, esporadicamente, outras vezes, quase um pre pensamento humano, cheio de força mas sem direção ou sentido. É um tipo de pensamento não tão incomum entre os homens ditos "sóbrios".