segunda-feira, 10 de novembro de 2025

O catastrofismo amedronta mas, afinal não é o fim.

            Chelsea Saunders/Current Affairs

Texto extraído da plataforma Google (IA):

O tecnofeudalismo é um conceito (popularizado pelo economista Yanis Varoufakis) que argumenta que o capitalismo, tal como o conhecíamos, chegou ao fim e foi substituído por um novo sistema económico e social dominado pelas grandes empresas de tecnologia, como Google, Amazon, Apple e Meta.

Neste sistema, essas "Big Techs" atuam como modernos senhores feudais digitais

Diferenças Fundamentais em relação ao Capitalismo

A tese central é que, enquanto o capitalismo se baseava no lucro (extraído da produção e venda em mercados competitivos) e na propriedade dos meios de produção, o tecnofeudalismo baseia-se na renda (extraída do controlo de plataformas e dados). 

As principais características incluem:

1- Feudos Digitais: As plataformas online (como a Amazon, Google Search ou Facebook) funcionam como "feudos na nuvem". Em vez de possuírem terras, estas empresas controlam a infraestrutura digital essencial e os algoritmos que ditam as interações económicas e sociais.

2- Servos da Nuvem: Os utilizadores e até mesmo outras empresas que dependem destas plataformas tornam-se "servos da nuvem". Trabalham (produzem conteúdo, dão dados, treinam IAs) de forma não remunerada, gerando valor para os "senhores" tecnológicos em troca de acesso aos serviços e à visibilidade nas plataformas.

3- Capital em Nuvem: O "capital em nuvem" (a interconexão de máquinas, software, algoritmos e hardware) tem como objetivo principal modificar o comportamento humano e extrair renda, em vez de produzir bens tangíveis no sentido tradicional.

4- Monopólio e Controlo de Mercado: As Big Techs procuram eliminar ou absorver a concorrência, solidificando o seu monopólio e impedindo o livre mercado (uma premissa do capitalismo clássico). A Amazon, por exemplo, substitui o mercado tradicional ao intermediar diretamente a venda e a compra através dos seus próprios algoritmos. 

Em suma, o tecnofeudalismo descreve uma concentração de poder sem precedentes nas mãos de poucos gigantes tecnológicos, que exercem um controlo quase absoluto sobre a vida digital e a economia global, extraindo valor de forma rentista, em vez de produtiva. 

Discussão (humano):

Parece-me um dos erros, generalizar toda a economia, resumindo-a às rendas das tecnológicas. Na realidade pode haver alguns feudos (alguns monopólios, plutocracias) tecnológicos mas, as transações comerciais não se baseiam exclusivamente em algoritmos digitais, nem o sistema produtivo se resume aos bens digitais e, mesmo dentro do mundo digital existem plataformas que competem entre si, gerando diferentes oportunidades de mercado. Youtubers e influencers, indivíduos  com certos talentos, também lucram muitíssimo com as plataformas digitais e, não são os senhores feudais das plataformas mas, manipulam em seu benefício multidões. O conceito de tecnofeudalismo é pois muito enviesado e extremamente redutor.

Quanto ao "Capital na Nuvem" transformado em bens não tangíveis, poderemos, também argumentar que, muitos dos bens tangíveis se baseiam na cosmética, que sendo algo de essencial à vida humana, não são, e nunca foram, uma das componentes mais vitais da nossa vida, exemplificando uma economia baseada na superficialidade, algo de muito pouco tangível, no sentido de absolutamente necessário. Não vou falar de cinema ou de literatura face à  realidade concreta. Vejamos a indústria dos pets ou mesmo da cosmética e todas as sub indústrias que lhe estão associadas. Que utilidade produzem para além de exaurirem os recursos naturais e satisfazerem os desejos estético-atrativos, como forma de exercício do poder de fascinio dos humanos sobre outros humanos ? Por outro lado, as IA’s também consomem água, energia e silício, bem como outros elementos raros, necessários para os chips, em quantidades abissais.

Relativamente  ao exemplo da Amazon, há que referir que, sendo uma plataforma distribuidora quase global, permite encomendar produtos que, por sua vez tem de ser produzidos tangivelmente antes de chegarem ao consumidor final, de acordo com as necessidades deste. Note-se que outrora, também  havia lojas grossistas e a retalho a intermediar as trocas comerciais. A diferença é que a intermediação passou a digital. Também os xamãs e os padres intermediavam as relações com os deuses. Tudo hoje, porém, é mais simples, mais rápido e mais cómodo. De resto, nada de novo quanto ao comércio se ter transferido em parte para plataformas digitais. O surgimento dos hipermercados, embora tenha causado muitos estragos ao comércio também, não acabou com todas as pequenas superfícies comerciais e com  os mercados tradicionais de rua.

A invenção do multibanco e dos serviços  bancários online, bem como das portagens com Via Verde, nunca teria acontecido sem a World Wide Web, e como isso nos facilita a vida.  Aquilo que nos aprisiona, afinal, é o desejo do nosso próprio bem estar, não é nenhum algoritmo extraterrestre.

Consideremos também a invenção  tecnológica do automóvel. Primeiro criaram-se as máquinas, depois, as estradas e depois sucedeu-se um rodopio de transformações colaterais, (entre elas, das cidades e dos campos) que modificaram  completamente a nossa forma de viver e de estar e de negociar e nos tornaram  servos dele. No entanto, ainda se anda de burro, carroça e de coche e, agora, com o advento da moda do “elétrico” até de trotinete o que é fantástico mas não milagroso. Igualmente, o telefone, ao tornar-se móvel, realizou semelhante transformação e trouxe novas formas de comunicação, de negociação, de transação e de alienação. Portanto, nada de novo, aqui, também.

Quanto aos servos da nuvem, poderíamos dizer que os protótipos se democratizaram e que agora todos os utilizadores são experimentadores (Beta Testers). Fornecem dados, (os serviços  de inteligência também escutavam e gravavam conversas por telefone ou vasculhavam correspondência escrita, os candidatos a emprego, também expõem muitos dos seus dados nos seus currículos, etc.) colaboram e não são remunerados, ações que outrora cabiam ao voluntariado, ou ainda antes, aos escravos, tendo apenas mudado os meios e não os processos. Portanto, aqui também, não há grandes novidades.

Resumo curto das críticas ao tecnofeudalismo:

1 - O conceito exagera ao reduzir toda a economia aos lucros das Big Tech e ignora a diversidade dos mercados;

2 - O digital não eliminou a produção tangível nem as formas tradicionais de comércio, apenas criou novas e, a outras, transformou;

3 - A influência da tecnologia sobre o comportamento não é nova — sempre existiu (arco e flecha, fogo, roda, olaria, aquedutos, automóvel, eletricidade, telemóvel, internet);

4 - Os “servos da nuvem” são apenas uma versão moderna de práticas antigas de colaboração não remunerada ou de vigilância por relações de poder, interesses económicos ou de segurança.

Em resumo, o tecnofeudalismo simplifica demasiado e não capta a continuidade histórica das transformações tecnológicas.

Crítica ao conceito de tecnofeudalismo pela IA:

A tese de Varoufakis é poderosa como metáfora, mas falha enquanto explicação estrutural do sistema económico atual.

O conceito de “tecnofeudalismo” confunde poder de plataformas com poder feudal, ignorando que as plataformas operam num ambiente de mercado global, com pressões competitivas e regulatórias — algo inexistente no feudalismo histórico.

No feudalismo, o vínculo era jurídico e vitalício; hoje, a relação entre utilizador e plataforma é voluntária e reversível, ainda que condicionada por efeitos de rede. As plataformas extraem dados e influenciam comportamentos, mas não exercem controlo territorial, militar ou institucional como um senhor feudal.

Além disso, assumir que o capitalismo morreu e foi substituído por uma ordem rentabilista total carece de evidências.

Continuamos num capitalismo profundamente plataformizado, mas ainda assim capitalismo.

O termo “tecnofeudalismo” funciona como metáfora crítica, mas não descreve com rigor o sistema económico atual.

Conclusão da discussão: (humano)

Pensamos que o catastrofismo medra sob a forma de metáfora  interpretativa e amedronta, apelando à resistência e luta, como antídoto salvítico às doutrinas, igualmente populistas da Salvação.

Parece-nos que este termo contém em si, pois, um viés propagandístico e ideológico deliberado, não cabendo por isso, a nosso ver, na categoria dos conceitos filosóficos, não acrescentando nada de superlativo à discussão das questões económicas atuais.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

In-Direitos humanos

Ok, certo, todos temos direitos iguais. Falta a parte de que temos deveres iguais, entre os quais, preservar esses mesmos direitos. Questão; matar não é direito nem dever, será que deve ser tolerado ? Se sim, qual a vossa resposta? Se não, qual a vossa resposta ? Um preso por assassínio deve ser apenas privado da sua liberdade de movimentos, permanecendo preso ou, deverá quase perder todos os direitos racionais humanos e, ser tratado como um bicho sem qualquer consciência moral (mesmo  que revele arrependimento) ? Um miúdo matou mãe porque esta o chateava ou pressionava a estudar. É natural que se deduza que, se mata a mãe com frieza, matará qualquer um de nós que o contrarie e que não lhe seja familiar com a maior  das friezas. Regenerar-se com o peso na consciência da morte da sua própria progenitora será possível ? Vai estar preso ou internado o resto da vida ? Terá cura da sua psicose social ? Viverá, com a famosa receita da Disney, um dia de cada vez. Mas, não é isso que fazem os seres normais ? Um dia de cada vez ? E, certamente, a maioria, não se dedica, contêm-se e, não pratica crimes durante uma vida inteira. Portanto, um dia de cada vez não serve de paradigma ou atestado de cura de ninguém. Matou, foi intencional, não por acidente. Matará quase certamente outra vez. Verdade absoluta? Não. Mas, nenhuma sociedade normal consegue viver tranquila e pacificamente com gente desta nas proximidades. Direitos humanos ou direitos animais para quem se comporta animalescamente ? Está na altura dos humanos decidirem o que os torna humanos e diferentes e não o que os torna animais e grotescos. Direitos Humanos aplicam-se a humanos não a simples animais. A esses, apliquem-se os Direitos Animais, ou outros, excluindo o direito de não querer trabalhar ou de continuar a desobedecer às regras que lhe são impostas pela comunidade prejudicada e,  pela penalidade a que foi condenado por ações ilícitas.

sábado, 1 de novembro de 2025

O mesmo mundo

O mundo continua habitado pelos mesmos seres, exceto os extintos. Na voragem dos dias deparamos com a inversão dos "direitos humanos" simplesmente pela aniquilação dos "deveres humanos". Quais são, então, os nossos deveres ? Se não temos deveres, será que temos direito a ter direitos ? Se os nossos atos se pautam pela violência, pelo crime, estamos em condições de exigir ser tratados de acordo com os direitos humanos, uma vez que, nas nossas ações, agimos contra esses mesmos direitos na pessoa dos outros ? É lícito a quem cometeu um crime hediondo, quando detido, ter o direito de se recusar a trabalhar para contribuir para a despesa que provoca com o seu encarceramento ? É lícito para um indivíduo matar, roubar, violentar outros, só por que nasceu com maiores dificuldades, menos apoios, porque não teve ou não escolheu ter as mesmas oportunidades que outros ? Muitos, resistem, integram-se, esforçam-se, alcançam, superam-se e triunfam da pobreza e também da miséria moral. Outros, simplesmente abandonam-se ao mais fácil, tudo tem de ser prazeroso, agradável, srm obstáculos e, se estes aparecem, sentem-se umas vítimas da História e da Humanidade. Haja paciência para eles, também, mas,  piedade alguma! Quando dói, dói a todos. Somos todos de carne e osso, alguns com "alminha" outros com "caquinha". A sorte nem sempre está do lado dos inteligentes,  porém, também, nem sempre está do lado dos que não a usam. Daí ao desastre, qual dos dois está mais apetrechado para o evitar ? A inteligência, porém, também não resolve tudo. Porque somos como somos, o que queremos e o que fazemos para querer ser assim como queremos ? Viver para nos queixarmos, para nos vitimizarmos é uma forma maior ou menor da nossa existência ? O que nos torna verdadeiramente diferenciados dos outros seres do reino animal ?