segunda-feira, 30 de julho de 2012

Uma imagem vale mais que 1000 palavras

O título não é original mas sobre originalidade remeto para o texto «Imitadores» in Relatório sobre os Homens de Giovanni Papini, pp. 98-102.

A cidade eterna
Observo esta imagem. Quantas ordens existem nela que sejam possíveis de encontrar ? Não temos mente para tanto detalhe mas pelo menos podemos ter a grande alegria de ter uma. A polissemia da imagem é o que leva os lógicos e os espíritos mais abstractos a preferirem não trabalhar com este elemento tão maleável e viscoso. Na realidade, hoje aprendi mais uma coisa: as imagens mascaram mais do que revelam. Deve ser também por isso que pressinto em quem usa e abusa delas uma forma de resposta catártica a sentimentos de vivência opressiva. De facto, as imagens podem ser tão avassaladoras (overwhelming), que nem é preciso ultrapassar a unidade para o compreender e sentir. Também é óbvio que as infinitas formas e a velocidade com que são produzidas, ou criadas, ou simplesmente divulgadas, não deixam tempo para meditar nelas. Os tempos actuais, não são para isso. Meditar é algo primevo, esquisito,  abstruso, bárbaro, anormal, louco. Meditar para quê ? Poderia responder-se facilmente: para começar a aprender a ver.  Para descobrir-lhes as inúmeras ordens significativas que elas possuem. Para compreender melhor como se pode ser manipulado por elas - tanto influenciado a pensar como a sentir - et coetera. Mas é óbvio que isso não interessa. Nunca interessará. Aposta-se no comércio, nos mercados, no produzir para vender e comprar para consumir. Por isso, quanto mais alucinantes e psicadélicas se tornarem as montras e mostruários, os catálogos e os portefólios, tudo repleto de cores, formas, luzinhas de néon cintilantes como estrelas do firmamento vizinhas, menos se pensa e mais se reage irracionalmente aos estímulos, chegando por vezes a parecer que se vive apenas das colheitas (harvest)  - sem sequer se semear - numa alegria orgíaca de permanente festividade. Existem por isso, para os homens,  muito mais do que os desertos para lhes provocar miragens.
Aceitem o repto e leiam o texto de Papini.

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