«Honestamente? Neste canto escuro, neste lugar solitário e abandonado ? O
que importa ser-se herói oculto ou morrer exposto aos fogos exteriores ?
Humano, não é isto ou aquilo. Medidas ? Há tantas! De que serve
reclamar uma medida única ou tomá-la como a melhor ? Muitos leram e
compreenderam apenas ao modo de Janus uma única face interpretativa da
asserção: o homem é a medida de todas as coisas. É óbvio que não é de
todas mas, certamente é de quase todas, inclusivé da especificidade
de cada homem único, irrepetível, desigual. É na diferença que mais nos
comportamos como espécie singular. Confunde-se muitas vezes compromisso
com similitude, caminho com unicidade e os erros repetem-se por
pensarmos quase sempre de acordo com a infalibilidade do que nos foi e
continua a ser ensinado. Se, alguém, pensa pequeno, julgamos, pouco. Se,
alguém, pensa grande, julgamos, desmesurado. Se, pensamos, nem de um
modo ou outro, julgamo-nos como forasteiros. Mas, o longe,por vezes, é
perto e, o próximo, distante ou mera ilusão. Por isso, precisamente, o
homem, em todas as suas diferentes manifestações é, deveras, a única
medida, pois, só ele, e apenas ele, possui essa capacidade de medir e
julgar o mundo. Nem falo sequer em exclusiva medida matemática, pois,
nesse capítulo, o homem não é único. Um dia se irá provar que outros
animais têm capacidade de cálculo, se, não consciente, pelo menos ao
nível, diria, básico-instintivo. Todos os animais de uma forma ou de
outra, escolhem. A escolha, na maioria dos casos, não todos, é sempre
uma tentativa de sobreviver, ou seja, não piorar ou prolongar o estado
actual. Não sei quem foi o imbecil que decidiu que tudo era feito para
melhorar, embora existam várias pistas. Pena é que se continue nessa
senda da imbecilidade, do adestramento condicionado elevado a Lei, etc. A
minha, a tua, a dele ou dela, vida, vale muito mais do que qualquer
cultura, filosofia, religião, política ou o que queiram
equacionar.»[noético-27/11/2014]
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