segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O COMUNISMO É UMA RELIGIÃO

«O comunismo é como uma religião. Talvez choque a muitos ouvi-lo, mas, é verdade. Esta doutrina, pois, afinal, trata-se de uma doutrina, possui a sua divindade, o seu Deus, uma sociedade sem classes, o seu reino dos fins, etc. Por isso, tal como uma religião, possui a sua missão, o seu télos, atingir o seu céu, lutando na terra contra o inferno, afinal, contra esse pecado de um mundo defeituoso ou possuído e governado por forças poderosamente demoníacas. O diabo chama-se capital. Há, por isso, que exorcizá-lo ou ostracizá-lo deste mundo, através da catarse, da luta sem tréguas. Parece, até, por vezes, uma sequela da teoria das ideias de Platão, em que, aquilo que se acredita é mais real do que a realidade. As Ideias são o real, o concreto, almejado pelos comunistas. A doutrina fundada no marxismo professa a doutrina da transformação da realidade material, afim de que as transformações no mundo material - o das infraestruturas - alterem o mundo mental - as superestruturas -. Tudo isto é conseguido através da dialética e da luta - não aceitação do mundo real e objectivo que se nos apresenta - contra a realidade não transformada por esse ideal. O comunista, como uma criança, vê o mundo sem o aceitar como é e, acredita que ele se tem de moldar à sua visão. Ele, procura a luta constante e desenfreada contra um mundo exterior que concebe como adversário, talvez, desse modo, camuflando a real raiz do problema, a sua luta interior nunca resolvida. Não admira pois o elogio do desassossego e o cultivo da luta sem tréguas contra o mundo como verdadeira manobra de diversão.Tese, antítese, síntese dão o mote - hegeliano e marxista - à luta transformadora da realidade, pelo construir, fabricar, intensificar, modificar a realidade de acordo com os seus ideais, os dogmas do catecismo comunista. Bem, quanto a ídolos têm as suas mestras figuras santificadas como Marx, Lenine, Stalin, Engels, Mao Tse Tung entre outros e mais uma imensa galeria de celebridades mártires, beatificadas, do género Simon Bolívar ou Che Guevara. Até tem o seu credo próprio, o Manifesto Comunista, outra espécie de Alcorão, Torah ou Bíblia. Mentira ? Isto parece quase um cristianismo mascarado de ideologia progressista, não sendo mais do que um conservadorismo dissimulado. Mesmo quando adopta a visão nietzschiana do mito do eterno retorno - que se explica pela dialéctica - ou a critica anti-cristã do rebanho, tudo indica, enfermar do mesmo enraizado mal. Afinal, para que se cerram fileiras, para que serve o colectivo senão para justificar o avanço de mais uma manada ? Enferma igualmente das doutrinas da virtude aristotélicas, estóicas e epicuristas e da iluminação agostiniana e plotínica assim como da esvaziada noção de progresso veiculado pelo espírito das luzes. Ou seja, esta doutrina enferma das mesmas limitações da linguagem herdadas pela tradição sem que nunca as tenha transcendido e ultrapassado. Na realidade, o comunismo é de facto e literalmente ultra-passado ou uma expressão hiperbólica do passado. Mesmo o seu pseudo-ateísmo, não admira, que pareça, a outros, um verdadeiro teísmo, vistas as coisas deste modo. O verdadeiro ateísmo não é, nem pode ser uma doutrina. E, se, a religião pode, por vezes, ser o ópio do povo, então, convém, também, não cair, inebriados, nessa outra forma de ópio ou de cegueira que a religião comunista tão habilmente mascara.»[noético-17/11/2014]


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