«Todos abanam as asas, quais hermafroditas do futuro, quando se fala de
futuro. Todos aguçam os bicos, todos, cacarejam qualquer coisa. Todos
seguem modas e transformam tudo em moda, como a religião já o foi,
pensando como os republicanos que acabaram por substituir a cadavérica da
monarquia, apenas costurando de outra maneira. Filosofia ? Zero! Enfim!
Os crentes, comportam-se dentro dos seus padrões, sempre previsíveis e
demonstrando matematicamente e logicamente, se possível, sempre
dentro da sua própria lógica, porque isto é, assim, e não de outro
modo. A maioria, aplaude e acha-lhes imensa razão. Afinal, pardal, fala
como pardal. Odeia gavião. Abutre é, apenas, o degenerado dos pardais, o
que cobra tudo! Será Deus ? Mas não é ? Não é a Deus que devem tanto e
quase tudo ? Quem é esse cobrador celeste senão o abutre que comanda,
dirige, os transforma em marionetas da sua vontade ? É claro, que os
palhaços e todos os outros falhanços da natureza, somos nós, os
descrentes nesse palheiro de galináceos! É comum! Hermafroditas do
futuro com a cretina mania que estão a par, que sabem de tudo, que
alvitram sobre tudo. Mas que sabem eles ? Uma montanha de disparates,
que, atribuídos à tradição, nunca se pode pegar fogo ou deitar fora. Os
restos, os dejectos do passado que chegaram até nós são todos veneráveis
? Só quem não se interroga sobre isso, sofre de síndrome gripal de consciência, todos os invernos. E que isto, está, uma invernia, mesmo
com sol, ai lá isso está!»[noético-30/01/2015]

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