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| Salvador Dalí ~ Saltimbanques (Blue) 1921 |
«Alguns, não serão poucos, muito gostariam de nos convencer, converter,
seduzir e tornar-nos adoradores de bolhas de sabão. O que não faltam por
aí são profetas, sobretudo, nesta hora, de desgraça e de desencanto,
quando, afinal, os sonhos que todos desejaríamos ver realizados se
parecem desvanecer. Pois é! Ainda assim e de sonhos esfarelados, não há
que deixar entrar esses 'penetras' da ilusão, esses mestres do
artifício, esses vendedores ou comerciais da banha da cobra. Claro, que,
para eles, o mal, somos nós, o público esclarecido. Bem, não é tanto
assim. Verdade! Não é tanto assim, de facto. Ninguém está ou se pode
alvitrar (considerar) como verdadeiramente esclarecido. O problema das
Luzes, fica assim reduzido e esclarecido, isto, para que, não tenhamos
ou soframos de alucinações. Bem!...Mas quem é que nunca alucinou ? Será o
Pai Nosso, Alah, o Marx, o sentido de pertença a um povo eleito ou
qualquer outra forma de pensamento aristocrático ? Meninos...Pensem!
Claro, que, existem também os meditadores. Eles, somam fantásticos a
fantásticos e quando a gente se apercebe, afinal, aquilo era tudo treta!
Mais um vendedor de semáforos ou de preservativos com cheiros e
sabores, mais um bem sucedido da indústria cultural. E assim, meus
caros, não iremos a lado algum. Todos pensam que a sua piscina privada,
credo! Nem todos tem piscina privada. Alguns, nem charco têm! Mas, como
dizia, alguns, pensam que a sua piscina privada faz parte do Oceano, de
onde, até, retiram água, se preciso for. A velha disputa, sim, diz puta,
quase que já chateia! São sempre os mesmos filhos da mãe, Ideia, essa
coisinha inócua, meio platónica que infectam os lagos, onde todos os
patos se pavoneiam numa de socialite aguda e deturpada, mas sempre,
coerentes, sempre fieis à história e a outros capítulos da imundice
humana. Mas...Olha lá ?...Não somos iguais a ti, a tu ? Sois ou quereis
ser sóis, eis a questão ? Então, explica lá qual o teu papel ? Não foi
retirado de uma árvore, para ser papel ?...Brinco! Nem tanto! Eu sei que
existe comunicação com espíritos, com vidas de outros planetas. Bem!
Agora,hoje, até existem congressos de brasileiro que vem com a sua
superstição e misticismo para a Europa a pretexto de educar. Aconteceu
num programa. Acontecerá de futuro, financiado por sabe-se lá quem ?...
Agora, iremos todos comunicar com espíritos e ser espíritas, desenvolver
qualidades com base no critério de verdade em que assentaram todas as
religiões, a saber, a ignorância total. Agora, todos teremos mundos
paralelos como Platão falava e outros delírios nos nossos dicionários e
faremos disso credos, como as outras teologias da treta fazem há
milhares de anos. Os heréticos, os indigentes mentais, os alucinados são
os descrentes, os cépticos. Onde é que na História nunca se ouviu falar
neles ? Pois! É muito difícil governar pessoas esclarecidas,
conhecedoras, informadas. Mais vale declará-los heréticos, proscritos e
ostracizá-los, uma coisa, muito grega. Silêncio ? Mas quem é você para
me mandar calar ? Amigo, é a Lei! Resposta mais uma vez, subserviente,
de adesão cega a um qualquer tipo de Alcorão. A culpa, dizem, é sempre
do relativismo dos valores. Bem!...Os que combatem isso, certamente, se
baterão pelo absolutismo dos valores e, enfim, não enxergam mais nada,
nem filosófica nem pessoalmente. Estão na antecâmara do fanatismo! Eles,
os iluminados, os sabedores, os sorvedores de cultura, sabem tudo ou de
quase tudo e, até, sabem as regras pelas quais o universo se rege.
Sejam cientistas, sejam nabos da política, que é como eu os chamo, estão
todos a sofrer uma gravíssima doença, sabem qual ? A do excesso de
iluminação! No fim de contas, e em linguagem natural, têm todos a mania
que são portadores de luz, quando afinal, nem sequer uma acendalha são
capazes de incendiar. Essa é a verdade, pelo menos comum. O resto, um
deserto que nem tem nome que se lhe chame dada a vastidão da sua
dimensão.»[noético-30/01/2015]

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