Nova era, velha era, media era, em suma, todas as idades. Não há verniz que sobreviva às nossas existenciais arranhadelas. Todos acordam procurando a verdade, seja com "V" maiúsculo ou "v" minúsculo. Na língua, os "V" e os "v" pouca diferença fazem para a linguagem falada. Os "V" e os "v" só contam para a linguagem escrita, aquela que pode ser vista ou afagada em Braille, mas cuja dimensão se perde totalmente na oralidade. Não há modo de enfatizar nenhum "V" ou "v" na oralidade. No entanto, até mais do que a escrita, a oralidade da língua é exímia. Contudo, falamos aqui no "V", por que falamos da verdade e não do caractere "V" na oralidade desta língua Portuguesa. A verdade pode então ser vista como a primeira visão (Thomas Samuel Kuhn) de quem tem cada dia para enfrentar ou como o empenho extra ou não, de encontrar uma "solução", uma visão transparente, um insight, uma iluminação, um vislumbre, um horizonte alargado em que o objecto do desejo, da visão, mental e/ou fisiológica e a realidade se fundam numa unidade harmoniosa e nos tinjam como meta. Almejamos o que se nos escapa por entre as mãos, o que se nos furta, e a própria vida flui em nós enquanto de nós se furta em simultâneo. Ao que nos escapa, felizmente o que não controlamos, chamamos liberdade, é por isso que dizemos ser livres pois, nenhum controlo temos sobre tal. A inteligência, outra espécie de instinto, a origem da cultura humana é uma segunda pele, uma segunda natureza que embora limitada se apresenta como virtualmente desprogramada no sentido de possuir fixados os operadores mas não os operandos. O "+", o "-", o ":", o "x", etc, são fixados geneticamente, mas os "a" e "b" das equações é que determinam a métrica dos resultados, avanços ou recuos, subidas ou descidas segundo os planos pré-estipulados. Que importam por isso as eras ? Há a carga genética variável e a muito plural e dinâmica emergência cultural e que sobra sempre algo mais, desconhecido, no final que permanecerá na herança também ela volátil. "V" de verdade ou de viagem ? Interseccionados, rarefeitos ou compactos ou em decomposição, vivemos, perecer é apenas mais uma estação. Eternidade...Sonhámos com ela, que bom! Viajámos com ela, ou talvez nela, ou talvez tudo não passe desta imaginação?! Que tempo há, há sempre tempo, enquanto somos do tempo, no tempo. Mas e a V-erdade ? Platão equiparava a verdade à beleza. Percebo porquê! Perceber não é o mesmo que reconhecer, ou admitir, tal como Platão que tal é a verdade. A tal harmonia encontrada ou reencontrada de que falava atrás, sendo parametrizável, passível de se estabelecerem critérios, não é certamente a "Verdade". Mas, então dirão, não haverá julgamento universal para a verdade ? Se não houver, então, tudo não passará de uma crença?! É essa a subtileza da verdade, a sua incredibilidade, a sua imparametrização que nem cabe no reino da crença, da estética ou sequer simplesmente da razão, mas se constitui como corolário para todas essas dimensões. Há uma verdade na crença ? Sim, há. Há uma verdade na beleza ? Sim, há. Há uma verdade na razão? Sim, há. No entanto, apesar de haver muitas verdades, a V-erdade, não é relativa a uma só, ou a uma combinação de qualquer desta dimensões sequer. Ela sobrepuja-se e esquiva-se, não cai em controle, não se cristaliza, excepto na sua imortalidade e eternidade evasiva.

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