terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Como não pensar, nem compensar ou "ditosos os normais esses seres tão estranhos" (Van Gogh)

Os idiotas pensam, a realidade apresentará as soluções. Outros idiotas, pensam que, nunca será encontrada solução. Outros, ainda idiotas, pensam que será difícil mas não, impossível encontrar uma solução. Acontece que, qualquer destes modelos é frágil e inconsequente. A realidade, nada tem a ver com as nossas expectativas ou pensamentos, apesar de "os" tentarmos conformar/ajustar. Mas, a realidade, o mundo, e em parte o mundo é humano, influenciável, manipulável (em parte, mais uma vez), não quer saber nada de nós, humanos. A realidade é humana em apenas uma décima (estou até estatisticamente a exagerar), tudo o resto é fora dos nossos contornos morais, éticos, racionais. Então a questão que se coloca é, não qual a solução mas, antes, qual a nossa verdadeira compreensão da realidade de modo que estejamos habilitados a formular uma qualquer pergunta muito mais adequada à realidade que nunca poderemos solucionar mas, à qual, sempre poderemos responder e responderemos, ainda que, tudo isso, não passa de um verdadeiro delírio de controle, a que os imbecis chamam viver! Não há qualquer controle sobre a vida. É uma garantia vitalícia. Ah, os jovens...Sim, os "iluminados" de um futuro, de que até ignoram exponencialmente o passado, essa massa anónima idiotizada pela sua auto-veneração.
Eles, são o futuro, portanto, a solução. Que falácia é esta? Que imbecilidade do pensar?!...A realidade não é manobrável! Eis, uma versão polémica. Será? Quando mudam o curso de um rio, alteraram a realidade, dizem. Portanto é manipulável. Engano. Alteraram uma miríade de possibilidades de funcionamento mais ou menos adequadas à dimensão dessa parcela real. Relembro que o todo não é a soma das partes, uma velha questão. Então o que foi alterado, manipulado, não foi como mudar as agulhas de uma ferrovia. Mudámos sim, não sabemos é que nova entidade real obtivemos em todas as suas dimensões, respostas, funcionalidades, problemas, etc. Disse "problemas"? Claro! Soluções não serão apenas um mero entretenimento para imbecis? Não resolveram nenhum problema, não encontraram nenhuma solução. Apenas transformaram o problema, em outro, passível de nova transformação mas, sempre, sempre sem solução. As pessoas adoram doces, vinagre e novas formas de exaltação. Deixá-los. A grande verdade é que ninguém a sabe, conhece, domina ou controla. No entanto, nada disso conta, interessa. O que conta é o controle sob o fascínio da verdade e, isso, sim, vale quase tudo, até mesmo guerras, martírios e auto flagelações. Vale até mesmo reduzir a vida de um ser a uma paródia, a breves instantes, amortizando qualquer significado da existência desse mesmo ser. Alguns, imbecis, confundem isso com a "sua redução à insignificância". Estão completamente equivocados! Detesto cada vez mais a palavra "humanos" e aprecio cada vez mais a palavra "ser", embora isto, nada tenha ver com esta actual colectiva paixão, moda de adoração da bicharada. Para mim, um pardal morra e viva um ser humano. Ser humano. Não basta nem ser, nem ser-se humano. Apenas ambas as dimensões nos elevam. Saber-se um ser, significa saber-se entre uma miríade de outros seres existentes em miríades de outras dimensões. Saber-se humano, significa reconhecer-se numa única dimensão do espectro dos seres o que nada tem de minúsculo ou arrebatador. [Noético in "fins e alvores", 20/12/2022]
 


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