segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Um Cro-magnon Informado

Leia-se um capítulo de Proust, Aristóteles, Séneca e, reflita-se, na pessoa que somos, no que temos capacidade para fazer, na forma e no alcance do que pensamos, na precisão do que escrevemos. Se, formos humildes, certamente,  sentir-nos-emos pequeninos anões, pó das estrelas, em matéria de elegância e solidez de inteligência, face a essas figuras do passado, que até hoje, nos ensinam. Ao comparar-me com eles, sinto-me um Cro-magnon Informado. Afinal, tanta informação, não me trouxe maior lucidez, maior sensatez, maior sabedoria. Quando me vejo entre os homens comuns de hoje, empoleirado numa gravata e num canudo de um curso qualquer superior, percepciono a mesquinhez desses nossos ensaios no ridículo. Titubeantes e indecisos ou cegamente decididos, oscilamos como velas ao vento, num marear obtuso e incoerente, sem rumo nem projeto, arrastados pela vida ao sabor das correntes.

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