sábado, 12 de outubro de 2024

A CAVERNA É A BOLHA

A caverna é a nossa bolha, a nossa ilha, o nosso círculo de verdade, a nossa rede social, a nossa ignorância. Dentro dela, vivemos acorrentados uns aos outros, numa cacofonia ruidosa que ilude ser um diálogo, presos às nossas crenças comuns, que são sombras, aparências, sem nunca nos questionarmos se estamos certos ou errados ou se existem outras realidades que desconhecemos e que, por vezes, outros, poderão partilhar connosco. O conhecimento comum, trivial, conformado e aparentemente consistente, não deve pois, obliterar o pensamento ousado, questionador, que busca e procura transcender-se e ampliar-se. As sombras não se extinguem enquanto não se extinguir o fogo desse inconstante desejo e dessa profusa emotividade que projecta e distorce o real e o converte em sombras e ruídos, não deixando penetrar a luz, o lúmen da razão que clarifica, delineia as formas, ordena e constrói de acordo com a dinâmica de um mundo vivo e real, onde o homem se torna homem, se liberta dos grilhões da ignorância, se autonomiza e, se transforma num ser moral, responsável pelo seu arbítrio e pela sua práxis. A caverna está por todo o lado e em todo o lado, mesmo quando, cegamos deslumbrados pelo conhecimento que, não é, nem de longe, nem de perto, a verdadeira sabedoria.

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