Faz já algum tempo que deixei de exercer actividades lectivas. Ainda, hoje, conservo o bichinho de ensinar, actividade para a qual estou perfeitamente qualificado. Sucede que, perante um futuro de exigência mas, repleto de instabilidade optei por outros caminhos profissionais. Exerci, com alma e coração e, foi bom enquanto durou. Depois, a percepção do carreirismo de alguns professores, os currículos de ensino quase imutáveis, a falta de compromisso dos pais com a aprendizagem dos filhos/alunos, o desinteresse dos sucessivos governos pela educação, a imbecilidade da representação sindical, únicamente preocupada com a sua agenda política, o descentramento geral, social e colectivo quanto aos interesses dos alunos, libertaram-me da mestria. Não quero mais ensinar. Não acredito no futuro dos alunos, numa sociedade perdida e caduca em declínio. Facilita-se tudo. Alunos no 10° e 11° ano que sabem recitar discursos sem perceber patavina do que leram, entre muitas outras situações. As estatísticas melhoram com a diminuição da exigência quer na habilitação dos professores, quer na habilitação dos alunos e, os governantes, apenas pretendem resultados para exibir a sua vaidade encobrindo os verdadeiros intuitos políticos que se pudessem reduziriam as massas a ignorantes para poder manter o poder ou, degradando a escola democrática, a pretendem apenas qualificada para a elite. Na realidade, como um dia disse aos meus alunos, não sou eu, professor, quem mais importa. Não é o currículo, são eles, os alunos, o centro de toda a educação. No entanto, pelos discursos que vemos de políticos, pais, sindicalistas e até de alguns professores, nem se fala deles, os alunos!
Por isso desisti de pregar a bestas quadradas sobre os benefícios de uma verdadeira aposta na educação e ensino, tendo como alvo e objectivo único, servir os alunos e aumentar-lhes o máximo dos conhecimentos e perícias, adquirindo-o e utilizando-o com critério, mantendo sempre uma atitude de probidade e humildade intelectual. Salvé o Ensino! Sem ele, descenderemos às cavernas. Já falta pouco. As multidões vociferantes de nada se apercebem, apenas dizem mal, numa espécie de fátua crítica atirada para o ar, sem alvo definido, à toa.
Não, não professo mais, não ensino mais ninguém. Quem quiser aprender recorra às máquinas, à IA, aos professores fáceis, aos políticos e políticas circunstanciais, aos currículos promovidos pelo marketing e sobretudo, dedique-se a ensinar-se a si mesmo. Não contem mais comigo. Sejam adultos! Tomem conta do vosso Destino já que se acham tão capazes, defendendo este actual estado de coisas.
Não, não voltarei a ensinar! Remeto-me ao silêncio da minha ignorância para deixar brilhar a vossa!

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