sábado, 3 de fevereiro de 2024

Entre-Rios


Há toda uma vida, de emoções, sentimentos, pensamentos, intenções, considerações que nos escapam a cada segundo que passa, para além ou aquém, sempre, desta vida que, a cada instante, concretiza-se. Só, a música e a poesia, parecem conseguir vislumbrar um pouco desse imenso universo, em movimento, obliterado. É, como se houvesse um negativo de nós, que nos escapa. Não, não é inconsciente. Por vezes, apesar da sua fugacidade, é até bem consciente e permanece, fraccionário, por segundos. Para onde corre esse outro rio de nós ?  E nós, se calhar, não passamos de uma pena de pássaro flutuando sobre as águas ao sabor da corrente... Quiçá ? E é, como se, houvesse realmente, um universo próximo, para onde a nossa posição saltaria, quânticamente, num ápice e, outra biografia, seria então, construída. Uma espécie do universo do não, em que, nunca seremos decisores, nem teremos arbítrio. Universo do não porque se perdeu oués fechou a janela de oportunidade numa fração de segundo. Não, um universo de negatividade. É quase como se fossemos convocados para um salto, mas a estrada já estivesse debaixo dos nossos pés, forçando o caminhante ao caminho. Parecem faíscas determinantes mas, deixam antever um outro mundo, neste. Uma fissura, não determinista, um ponto de fuga. Imagino, que, tal como uma maré, esse fluxo que nos sobrevoa a uma velocidade estonteante, também, reflua, minando a linearidade do continuum vivendum, numa espécie de preenchimento silencioso, a presença da ausência, a pausa na melodia que confere encanto ao desencanto. Ying e Yang!

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