Existe a falácia de que não devemos ajuizar, quando de facto, proferimos juízos de facto e de valor a toda a hora, sendo ambos estruturais da natureza humana. Mas, ater-mo-nos aos factos, apenas, também, nem sempre funciona. Exemplo: alguém roubou alguma coisa em miúdo ou até em adulto - um pouco mais grave -, segundo os factos essa pessoa roubou, poderemos enquadrá-la no conceito de ladrão ? Se não, a partir de quantos roubos poderemos enquadrá-lo nessa categoria ? Faz lembrar o paradoxo do careca, que diz, a partir de quando poderemos considerar alguém careca? Nenhum cabelo, um só cabelo, uma dúzia, uma centena de cabelos ? Porém, também, não podemos apenas obstar ao julgamento de valor que nos leva a ser prudentes com essa pessoa após esse seu primeiro acto. É de elementar sensatez. Então, como ficamos ? Só pelos julgamentos de facto ? Não. Mas, também, é abusivo e insensato, usar indiscriminadamente juízos de valor sem considerar e respeitar os factos. Embora, ninguém saiba onde está ou fica o meio, excepto no fiel de uma balança, é nele que habita a excelência, o equilíbrio.

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