sábado, 4 de outubro de 2025

O mais estranho é ser-se íntimo!

Ninguém dá um vintém para me procurar. Eu, ele, do ponto de vista do outro, sou autónomo, independente, quase auto suficiente. Ele, não precisa de nós e nós podemos, então, concentrarmos-nos, também, nas nossas exclusivas vidas, sem receios ou preocupações demasiadas. Enquanto  não houver más notícias, não precisamos de atuar. Porém o tempo passa e o amor ou o tempo para amar acaba por faltar. Muitas vezes, chega-se tarde, acorda-se, desperta-se, reage-se tarde. Hoje, nunca é hoje mas, sim, a possibilidade do amanhã. António Variações sabia o que dizia e cantava. 
Porém, porque haveria alguém de ter que me atribuir um vintém ? Chega a ser ridículo, mendigarmos amor, carinho, atenção. Mas, será que o é ? Ridículo ? Mendigarmos ou penarmos ? Penar é o verbo e termo correto. Penamos. Não, não se trata do Limbo, Purgatório ou similar. Trata-se de estar vivo. Pena-se pelo outro e quase sempre sem o outro, por vezes sem nós próprios ou como se nós próprios fossemos o outro que almejaríamos ser e de que não temos noção se já fomos, se o somos ou se, algum dia o seremos. E que importância tem a figura, o que figuramos de nós e para nós com vista ao dúplice que é o outro ? Pois é! Claramente eu não sou de cá. O ser estrangeiro ocupou-me o eu, que por sinal, nunca fui. O mais estranho é ser-se um eu.

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