domingo, 19 de outubro de 2025
Aqui ou ali não são a mesma coisa
Se eu for inteligente deixarei de ser estúpido e ignorante. Não o sendo, como lidareicom a hipótese? Sim, hipótese. Há tanto a hipótese de ser inteligente como a de que isso resolva causalmente a minha estupidez e ignorância. Bem, sejamos deveras inteligentes. Uma decisão e/ou ação estúpida não implica estupidez subsequente. Uma decisão, desinformada, com um ação baseada na ignorância, também, parece, nada ter a ver com um estado de ignorância permanente. Dizem, que é preciso aprender a pensar, ter espírito crítico, alguns, até, asseguram que tudo isso mos irá redimir, salvar, libertar talvez da morte ? Percebe-se o exagero da crença na questão. Não "fui feito para a filosofia" dizem-me com frequência. Fico arrepiado. Parece que não foram feitos para viver?! Filosofar é vida. Quem matou isso ? Certamente mais um sabichão daqueles que nem sabem o que sabem ou que ficam impressionados pelo que julgam saber sem nunca sequer duvidar que apenas julgam que sabem, não sabendo nada, efetivamente. Parece uma conversa semelhante a esta sobre veiculos automoveis: "Sabes porque tenho um Ferrari ? Não! Tenho-o porque sou bem sucedido." Quantas falácias grassam nesta história ? O que significa ser-se bem sucedido e ser-se infeliz ? Bem, quanto ao sucesso crê-se que a infelicidade está excluída. Certo. Crê-se mas não mais do que uma leitura parcial da coisa. E, porque a infelicidade está excluída ? Só é válido viver-se feliz ? Uma mãe ou um pai adoecem. Dão trabalho, muita preocupação, muita tristeza e por vezes até muito desespero. Acabarão por morrer e com eles o desespero. Mas, será que não houve alguma alegria, algum alento por amarmos os nossos familiares ? Quem disse que felicidade era só prazer ? Sentir-se feliz de ter cuidado com amor os pais na velhice, tal como também se foi tratado com amor, cuidado e carinho na infância, apesar de todas as dores e contrariedades não será uma felicidade meritória e bem mais inquebrantável ? Doeu mas, superámos! Fomos dignos. Custou mas resistimos e sobrevivemos, com alegria de ter feito tudo quanto deveríamos ter feito. Alguém que amámos, faleceu. Sentimos uma perda menor por termos tido mais tempo acompanhando-os. A nossa vida não foi posta de lado, o nosso individualismo sim. A nossa vida, não somos só nós. Quanto aprendemos ? Afinal há coisas que o prazer não nos reserva. Afinal há alegrias bem mais profundas e duradoras do que nas ações esporádicas orientadas exclusivamente para o prazer imediato. É um orgasmo ter a consciência limpa. Dormir sem pesadelos. Ter a convicção de que somos dignos pela dignidade que praticamos. Diria até, eu que sou descrente, uma verdadeira benção!
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