sábado, 26 de agosto de 2023

DESAPAIXONADAMENTE ?

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«Desapaixonadamente, porque não te entregas às minhas mãos, em vez de, às minhas palavras ?... Certo! Eu, deveria dizer-te o contrário. Afinal, sei lidar, bem melhor, com palavras. Sabes, tenho uma tremenda falta de jeito para usar as mãos. Nasci, assim. Penso, que morrerei, ainda, desse modo. Mas, então, porque te peço isso ?... É que se me queres amar é melhor começares por aceitar aquilo em que não nasci dotado, em de vez de te deixares deslumbrar pelo fugaz vigor de algum talento que possa ter herdado. Desapaixonadamente, procuramos, quase sempre, encontrar fórmulas que resultem, para a vida, para o amor, etc. Porém, com o tempo descobrimos que tudo isso, é, perfeitamente, aleatório. Bem, existe sempre uma vida escrava da admiração dos outros, em que tudo se faz para ficar bem visto, iludindo-nos com isso, porque, uma coisa é estar na ribalta e outra, ser-se verdadeiramente amado. E tanta diferença existe entre as côres e o brilho! Desapaixonadamente, como solução imaginada, imaculada, ou seja, sem sofrer a torrente de emoções e desejos que a paixão provoca, vendo, nesse modo diferente de abordagem, uma forma mais estruturada para enfrentar coisas que, não se controlam, embora, nos sintamos mais aconchegados por esse pretenso desprendimento. Engano. Mero engano. Como se pode viver desapaixonadamente uma paixão ? Então, não é, certamente, uma paixão. O amor não é um livro de perguntas à espera de respostas exactas.»[noético-24/10/2014]





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