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«Desapaixonadamente, porque não te entregas às minhas mãos, em vez de, às
minhas palavras ?... Certo! Eu, deveria dizer-te o contrário. Afinal,
sei lidar, bem melhor, com palavras. Sabes, tenho uma tremenda falta de
jeito para usar as mãos. Nasci, assim. Penso, que morrerei, ainda, desse
modo. Mas, então, porque te peço isso ?... É que se me queres amar é
melhor começares por aceitar aquilo em que não nasci dotado, em de vez
de te deixares deslumbrar pelo fugaz vigor de algum talento
que possa ter herdado. Desapaixonadamente, procuramos, quase sempre, encontrar
fórmulas que resultem, para a vida, para o amor, etc. Porém, com o
tempo descobrimos que tudo isso, é, perfeitamente, aleatório. Bem,
existe sempre uma vida escrava da admiração dos outros, em que tudo se
faz para ficar bem visto, iludindo-nos com isso, porque, uma coisa é
estar na ribalta e outra, ser-se verdadeiramente amado. E tanta
diferença existe entre as côres e o brilho! Desapaixonadamente, como
solução imaginada, imaculada, ou seja, sem sofrer a torrente de
emoções e desejos que a paixão provoca, vendo, nesse modo diferente de
abordagem, uma forma mais estruturada para enfrentar coisas que, não se
controlam, embora, nos sintamos mais aconchegados por esse pretenso
desprendimento. Engano. Mero engano. Como se pode viver
desapaixonadamente uma paixão ? Então, não é, certamente, uma paixão. O
amor não é um livro de perguntas à espera de respostas
exactas.»[noético-24/10/2014]

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