segunda-feira, 5 de agosto de 2013

HOJE

«Hoje não foste minha, meu amor. Eu retive-me sem me deter em lado algum caído como mancha numa espécie de negro fluorescente. Tu retiraste-te para as sombras do meu pensamento. As horas partiram sem se despedir de nós. Não fomos nós que não estivemos presentes. Ambos transgredimos os nossos lamentos e alongámos os nossos silêncios. Há vozes que não podem ser ditas, melodias que não podem ser transcritas, entoações breves de cânticos perdidos, alegrias esparsas por entre pétalas de flores. Hoje...Sinto desaguarem-me as palavras como prantos de rios invisíveis. Sinto ? Adormeço esvoaçando como uma pena por entre os teus abraços inertes esculpidos pela dor. Hoje, não sinto que seja hoje. Hoje, não tenho a coragem de hoje. Hoje não poderia ser hoje e é hoje ainda.»
[noético - 02/08/2013]

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