«Declara
a tua morte. Depressa. Declara a tua morte. Assim anunciarás a tua
ausência a quem te cobiça nos seus sonhos e delírios. Morre-se muitas
vezes. Mas a ninguém parece agradar a tua morte, pois isso significa que
não te tornarás num verdadeiro colaborador, num fiel consentidor. Morre
e morre em paz mesmo que te o recusem por amor. Não te rendas a
qualquer forma de opressão não consentida. Na morte serás livre. Não,
não confundas com suicídio. Não, não é nada disso... Que disparate! É
que só morrendo poderás renascer, renovar-te a partir das cinzas, largar
essas sucessivas camadas de pele que te mascaram e causam uma coçeira
quase visceral. Por mim, morre a cada vez. Mata-te que a tua miséria é
mesmo não conseguires apagar essa vida que te habita. Morre e desperta.
Nunca é tarde para se morrer. O reino dos mortos é teu, assim, tu o
queiras ?»[noético-02/08/2013]
Sem comentários:
Enviar um comentário