segunda-feira, 5 de agosto de 2013

DECLARA A TUA MORTE

«Declara a tua morte. Depressa. Declara a tua morte. Assim anunciarás a tua ausência a quem te cobiça nos seus sonhos e delírios. Morre-se muitas vezes. Mas a ninguém parece agradar a tua morte, pois isso significa que não te tornarás num verdadeiro colaborador, num fiel consentidor. Morre e morre em paz mesmo que te o recusem por amor. Não te rendas a qualquer forma de opressão não consentida. Na morte serás livre. Não, não confundas com suicídio. Não, não é nada disso... Que disparate! É que só morrendo poderás renascer, renovar-te a partir das cinzas, largar essas sucessivas camadas de pele que te mascaram e causam uma coçeira quase visceral. Por mim, morre a cada vez. Mata-te que a tua miséria é mesmo não conseguires apagar essa vida que te habita. Morre e desperta. Nunca é tarde para se morrer. O reino dos mortos é teu, assim, tu o queiras ?»
[noético-02/08/2013]

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