quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O BELO E O PURO

«Tento não pensar para não percorrer do pensamento sempre as mesmas enseadas. Uma duna onde uma flôr vermelha sobressai dum monte de ervas contorcido pelo vento arrasta-me para outra praia. Imagens que se compoem sem nexo aparente com histórias que é preciso contar. Flores de um sentimento poderoso e imparável que cobre de areia todas as palavras corroídas pelo sal. Já não se vive de encanto. Já nem as lágrimas ou os sorrisos o soltam das suas amarras de beleza estilizada. Acabou-se com a pureza e substituiu-se pela assepsia mercantilizada de paraísos mecanizados e virtualizados. Tudo postiço, tudo polido, tudo reificado. Há progressos que a cada novo passo ocultam o puro, o descarnado, o simples, o não premeditado. Até os discursos se tornaram diálogos psicologizados. Mais do que na renovação da Terra há que continuar a acreditar na sua regeneração.»[noético-09/01/2014]

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