«Há
um tempo em que o sangue gela. Paro, escuto e ponho-me a sentir...
Desejar mais ? Querer o que tenho diante dos olhos ? Mas é possuir que
me torna mais feliz ? Acumular tem realmente algum significado se nem a
vida levamos da nossa própria vida ? Não, isto não são pensamentos
negativos, contaminados por qualquer moral que coloca tudo em termos de
preto ou branco, de bem ou mal, de positivo ou negativo, bem ao jeitinho
do maniqueísmo platónico subtilmente cristianizado. As raízes disso,
deixo para explicar em outra ocasião. Por agora, concentro-me no
conceito de vazio e relembro-me do TAO. No vaso que se enche e vaza e
que nunca está verdadeiramente cheio nem derradeiramente vazio. A
verdade e a autenticidade ganham nas pretensões, mas perdem nos actos.
Vence, quem melhor se souber vender e promover. Fama e sucesso são fogo
fátuo, embora possam perdurar muito tempo. Mas será o tempo que ditará
isso ? O esforço, o querer, o lutar ? O que significa triunfar, afinal ?
Existe algum triunfo, de facto, nas nossas vidas? E se existir, será
que é repetível, reprodutível, mensurável, conservável ? Ah!...Guardar
memórias...E lá voltamos nós novamente ao acumular. Dizemos que sem
sedimentos não existe experiência perdurável, que sem recordar, tentar
perpetuar, perderíamos o Norte. Isto, parece-me muito mais um vício que
adquirimos do que uma verdadeira proposta de viver. Habituar-nos a este
tipo de vícios torna tudo muito mais fácil, cómodo, implica muito menos
trabalho. E é então que surgem os gurus da economia salvadora, tentando a
todo o custo libertar-nos da dor que é quase sinónimo de infelicidade.
Pois é, toda uma economia se constroi com base nas nossas crenças,
valores e prospera à base de receitas que mais parecem a banha da cobra
vendida em qualquer feira de vaidades. Há um tempo em que o sangue gela,
de facto. Em que, parar, não significa ganhar nem perder tempo. Tudo
isso, é produto de calendários bem diferenciados dos nossos. Não faço
contabilidades. Contabilizar é já o fruto de uma acumulação, de um vício
de ponderar sobre as trocas. Mas como reaprender para além deste
uni-verso (único universo) que se baseia no número e na força dos
números ? Que dizer deste uni-verso que se centra nos rebanhos, porque a
eles se lhes prometem cobras e lagartos travestidos de céus exuberantes
e repletos de delícias jamais conquistadas ? Parece tão bom seguir sem
saber por onde ir... Pois é!
Alguns ainda acreditam que a lei dinamiza, cria dinâmicas. Só conheço dois lados em qualquer lei. O permitido e o proscrito ou condenado. Que uma lei crie alguma dinâmica, não estou a vê-lo em nenhum lado. Que a lei, cria vícios e prisões, parece-me muito mais real. Estar vínculado a uma lei é ter a ordem geral do seu lado. A coisa mais bonita que conheço depois da criação dos rebanhos e pastores é a fundação das leis. Em rebanho, só se funciona em hierarquia e não existe qualquer outra possibilidade, senão dá em turba à solta, insurrecta e desvairada por ter perdido os seus ídolos, para os quais, foi sempre expressamente treinada. A lei é justa para isso, mas não cria justiça alguma e só um vesgo não o conceberia. Ahahaha...A única coisa que sempre me resta é a fabulosa ironia e essa, não se acumula, vive-se dia-a-dia.» [noético-02/01/2014]
Alguns ainda acreditam que a lei dinamiza, cria dinâmicas. Só conheço dois lados em qualquer lei. O permitido e o proscrito ou condenado. Que uma lei crie alguma dinâmica, não estou a vê-lo em nenhum lado. Que a lei, cria vícios e prisões, parece-me muito mais real. Estar vínculado a uma lei é ter a ordem geral do seu lado. A coisa mais bonita que conheço depois da criação dos rebanhos e pastores é a fundação das leis. Em rebanho, só se funciona em hierarquia e não existe qualquer outra possibilidade, senão dá em turba à solta, insurrecta e desvairada por ter perdido os seus ídolos, para os quais, foi sempre expressamente treinada. A lei é justa para isso, mas não cria justiça alguma e só um vesgo não o conceberia. Ahahaha...A única coisa que sempre me resta é a fabulosa ironia e essa, não se acumula, vive-se dia-a-dia.» [noético-02/01/2014]

Sem comentários:
Enviar um comentário