quinta-feira, 11 de setembro de 2014

B & W

«Ler, ler...Para não enferrujar. Permitir que o nosso brinquedo cerebral se exercite geriatricamente como quando ingressou neste infantário. Nessa altura já existiam formas primevas de Sudoku onde os signos se cruzavam com os desejos no xadrez da realidade. É engraçado envelhecer e começar a perceber a relevante discrepância que os conceitos têm com a realidade e vice-versa. Não. Envelhecer, não é apenas perder habilidades. Puro engano para quem de longe aprecia horizontes tão alheios. A mística da longura ou da proximidade estiveram sempre presentes em quase todos os nossos momentos de vida. Ora bem, falava eu de quê ? Bem, não é ainda o Alzheimer mas, antes, a necessidade premente de me relembrar de nada. Como é que é possível sequer alguém ter uma recordação de nada? Mas, é, contudo, possível relembrar-se dessa tentativa. Estranho ensaio. Desvanecem-se os alinhamentos zodiacais, turvam-se as telescópicas lentes científicas mas, a claridade sempre penetra em águas turvas. No fundo, não se vê. Mas, vê-se sem cegueira alguma, sem turvez alguma, sem luz nenhuma que, clara e distintamente, não se vê. É de rir, não é ? O deslumbramento pela luz, cega. O desvanecimento da luz, desperta. Curioso, não é ? E, sabemo-lo, muito bem, que pior do que estar enganado é estar convencido erradamente de não o estar.»[noético-10/09/2014]




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