«Ler, ler...Para não enferrujar. Permitir que o nosso brinquedo cerebral
se exercite geriatricamente como quando ingressou neste infantário.
Nessa altura já existiam formas primevas de Sudoku onde os signos se
cruzavam com os desejos no xadrez da realidade. É engraçado envelhecer e
começar a perceber a relevante discrepância que os conceitos têm com a
realidade e vice-versa. Não. Envelhecer, não é apenas perder
habilidades. Puro engano para quem de longe aprecia horizontes tão
alheios. A mística da longura ou da proximidade estiveram sempre
presentes em quase todos os nossos momentos de vida. Ora bem, falava eu
de quê ? Bem, não é ainda o Alzheimer mas, antes, a necessidade premente
de me relembrar de nada. Como é que é possível sequer alguém ter uma
recordação de nada? Mas, é, contudo, possível relembrar-se dessa
tentativa. Estranho ensaio. Desvanecem-se os alinhamentos zodiacais,
turvam-se as telescópicas lentes científicas mas, a claridade sempre
penetra em águas turvas. No fundo, não se vê. Mas, vê-se sem cegueira
alguma, sem turvez alguma, sem luz nenhuma que, clara e distintamente,
não se vê. É de rir, não é ? O deslumbramento pela luz, cega. O
desvanecimento da luz, desperta. Curioso, não é ? E, sabemo-lo, muito
bem, que pior do que estar enganado é estar convencido erradamente de
não o estar.»[noético-10/09/2014]

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