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| Salvador Dali |
«Os discípulos do Zen fascinam-me, tal como os discípulos de qualquer
outra corrente teológica ou filosófica. Encontrado o fácil, justificada a
identidade com a corrente de ideias ou com o grupo que as sustenta,
tudo passa a ser possível justificar, sem sequer, previamente, se
analisar seja o que for, que vier. O jogo da confiança desempenha, aqui,
um papel verdadeiramente traiçoeiro. Parece-se com as formas de
raciocínio indutivo que todos nós utilizamos. Se o Sol nasceu ontem
e anteontem então é quase certo que nascerá amanhã. E se não nascer,
como é que é ? Certo que parece haver uma certa regularidade na
natureza. Daí existirem tantas ciências. Exactas ? Por favor, não! É bom
dialogar com seres diferentes, tentar compreender os engôdos mentais em
que se dizem 'libertar', 'curar', 'abrir ao mundo'. Somos, de facto,
fascinantes! E enquanto alguns discutem a metafísica da verdade a física
interpõe-se e, de repente, toda a equação se baralha. Afinal, onde está
a verdade ? Quando me aproximo de algo que me pareçe ou me é
apresentado como verdadeiro, ganho cada vez mais suspeitas. Não tenho
pena nenhuma, nem sequer contemplações. Os titulares da verdade sempre
oscilaram ao longo da História. Nem Zen, nem Nirvana, nem Buda, nem
Jeová, nem Cristo, nem Uno, nem Deus, nem verdades absolutas.
Compreende-se que a labuta diária facilite esta preguicite aguda de
procurar o mais fácil, o mais eficiente, o mais rápido. A solução com
cuspo, diria! Dirão, alguns, que tudo isto não passa de teoria. Talvez,
talvez....Mas morrer por certezas infundadas valerá mais do que morrer
de incertezas ?»[noético-05/09/2014]

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