terça-feira, 9 de setembro de 2014

FASHION EASY

Salvador Dali
«Os discípulos do Zen fascinam-me, tal como os discípulos de qualquer outra corrente teológica ou filosófica. Encontrado o fácil, justificada a identidade com a corrente de ideias ou com o grupo que as sustenta, tudo passa a ser possível justificar, sem sequer, previamente, se analisar seja o que for, que vier. O jogo da confiança desempenha, aqui, um papel verdadeiramente traiçoeiro. Parece-se com as formas de raciocínio indutivo que todos nós utilizamos. Se o Sol nasceu ontem e anteontem então é quase certo que nascerá amanhã. E se não nascer, como é que é ? Certo que parece haver uma certa regularidade na natureza. Daí existirem tantas ciências. Exactas ? Por favor, não! É bom dialogar com seres diferentes, tentar compreender os engôdos mentais em que se dizem 'libertar', 'curar', 'abrir ao mundo'. Somos, de facto, fascinantes! E enquanto alguns discutem a metafísica da verdade a física interpõe-se e, de repente, toda a equação se baralha. Afinal, onde está a verdade ? Quando me aproximo de algo que me pareçe ou me é apresentado como verdadeiro, ganho cada vez mais suspeitas. Não tenho pena nenhuma, nem sequer contemplações. Os titulares da verdade sempre oscilaram ao longo da História. Nem Zen, nem Nirvana, nem Buda, nem Jeová, nem Cristo, nem Uno, nem Deus, nem verdades absolutas. Compreende-se que a labuta diária facilite esta preguicite aguda de procurar o mais fácil, o mais eficiente, o mais rápido. A solução com cuspo, diria! Dirão, alguns, que tudo isto não passa de teoria. Talvez, talvez....Mas morrer por certezas infundadas valerá mais do que morrer de incertezas ?»[noético-05/09/2014]



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