«Vejo-te como aquela que se vê suceder em
outra. A todo o momento, não estás em ti, viajante, portadora de nada.
Rumas sempre, a cada instante, para outros lugares. Eu, nem ousaria
segurar o que és, o inefável. Contento-me em amar de ti as
tuas sombras e em seguir-te o rasto. E cada vez que te imobilizas,
emerge em cada tua nova máscara, um corpo sem rosto... Assemelhas-te a
uma andorinha ferida arrastando a asa, a uma nuvem gélida e petrificada.
Tu e eu, nunca estamos em nós, por isso, nos desejamos tanto.
Queremo-nos por inteiro porque nos sobramos um ao outro. Nunca nos
poderemos conter. Nem mesmo quando nos abraçamos e beijamos ou fazemos
amor. Nada temamos portanto.»[noético-16/09/2013]
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