terça-feira, 17 de setembro de 2013

TU E EU SOMOS UNS OUTROS

«Vejo-te como aquela que se vê suceder em outra. A todo o momento, não estás em ti, viajante, portadora de nada. Rumas sempre, a cada instante, para outros lugares. Eu, nem ousaria segurar o que és, o inefável. Contento-me em amar de ti as tuas sombras e em seguir-te o rasto. E cada vez que te imobilizas, emerge em cada tua nova máscara, um corpo sem rosto... Assemelhas-te a uma andorinha ferida arrastando a asa, a uma nuvem gélida e petrificada. Tu e eu, nunca estamos em nós, por isso, nos desejamos tanto. Queremo-nos por inteiro porque nos sobramos um ao outro. Nunca nos poderemos conter. Nem mesmo quando nos abraçamos e beijamos ou fazemos amor. Nada temamos portanto.»
[noético-16/09/2013]


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