sexta-feira, 7 de abril de 2023

A Tragédia de Édipo Rei


A tragédia Édipo Rei é uma das mais famosas peças teatrais que Sófocles (496 a.C. a 405 a.C.) escreveu durante a sua vida, e apresenta um dos episódios da vida de Édipo, que veio a influenciar mais tarde Sigismund Schlomo Freud (1835-1930) na elaboração da teoria do complexo de Édipo.

 

Súmula:

Édipo era filho de Laio (o pai) e de Jocasta (a mãe) reis de Tebas. O oráculo anunciou aos pais que Édipo mataria o pai e casaria com a mãe. Por este motivo, os pais abandonaram Édipo num deserto. Um pastor encontrou-o e entregou-o à guarda de Políbio rei de Corinto e que o adoptou até à idade adulta. Já adulto, Édipo consultou o oráculo e não querendo matar aquele que julgava ser seu pai, Políbio, abandonou Corinto. Na viagem matou com um cajado o seu verdadeiro pai biológico, sem o saber. Depois, caminhou para Tebas passando pelo monte Citero onde se deparou com a esfinge (monstro com rosto de mulher e corpo de leão alado) e que colocava o seguinte enigma aos viajantes: «qual é o animal que tem quatro pés de manhã, dois de tarde e três à noite?» Quem não respondesse correcto a esfinge devorava-o. Mas, Édipo decifrou o enigma, dizendo que se tratava do Homem. A Esfinge que tanto atormentava a cidade de Tebas matou-se. Édipo foi aclamado pelos Tebanos que lhe deram o trono e para ficar mais ligado à sua nova pátria desposou Jocasta, desconhecendo que era sua mãe biológica e de quem veio a ter diversos filhos. Um dia, Édipo veio a descobrir a verdade relativamente à sua origem. Tomando Jocasta conhecimento de que desposara o seu filho, fechou-se no seu quarto e enforcou-se. Édipo, retirando-a da corda, tirou-lhe o alfinete de ouro que prendia o vestido de Jocasta e cegou-se a si próprio, de vergonha, tendo-se exilado de seguida.


Comentário:

Não enveredando pela leitura tradicional, de carácter psicologista, que tem a ver com relações incestuosas e questões de culpa, sugiro-vos uma outra leitura, a que o leitor não tem de se ver constrangido a aceitar acriticamente. Em meu entender, o suicídio de Jocasta não se deve apenas à vergonha e à culpa, mas antes, por se tornar insuportável tolerar uma verdade extremamente desagradável revelada pelos factos. O gesto de Édipo segue o mesmo sentido, revelando ao cegar-se que não mais deseja ver a verdade dos factos e exilando-se cobardemente ao fugir-lhe. Ou seja, quando a verdade é dolorosa, nós humanos, temos muitas vezes a tendência para fugir e rejeitar os factos.

Bibliografia

SILVA,AGOSTINHO,(1999),Sófocles ÉDIPO REI, ed.,Mem Martins: Editorial Inquérito

 Citação da semana

 «Não consigo ver nada de errado num entusiástico patriotismo, no amor ao país e à raça. Mas o patriotismo não é desculpa para nenhum grupo de homens assaltar os seus vizinhos ou impor os seus pontos de vista sobre os outros através do fogo e da espada.»1

 


1 EINSTEIN,ALBERT,(2009),EINSTEIN- On Cosmic Religion and other Opinions & Aphorisms,Mineola:NewYork, Dover Publications, p. 68 - «I can see no wrong in enlightened patriotism, in love of country and of race. But patriotism is no excuse for any group of men to assail its neighbors or to impress its point of view upon others by fire and sword»


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