Bem haja pela Terra, pela Lua, pelo Sol. Bem haja pelos Oceanos, pelas plantas, pelos animais, pela litosfera. Bem haja, pela música, pela literatura e por todas outras artes, de ofício ou não, sem as quais o quotidiano seria insuportável. Bem haja pela filosofia, pela ciência e até pela religião e pela política. Bem haja pelos homens e mulheres de bem, pelos que lutam corajosamente e honestamente para que nada falte nas suas e nossas vidas. Bem haja pela vida e pela morte, pela saúde e pela doença. Em suma, bem haja!
Porquê, bem haja? Por que esquecemos, banimos, eclipsámos ou enterrámos, o agraciar, o agradecer, o bem dizer, o apreciar, o rejubilar, o abençoar !?
O Homem aflito não tem tempo, alimentado que é pela voracidade do imediato, do tudo pronto, do tudo resolvido, do tudo feito, ou seja, furtando-se ao verdadeiro fruir do aprender ao fazer, atormentado pela totalidade do tudo ou nada. O Homem aflito é também aquele cuja mesura é a desmesura, o incontido, o desenraízado, o perdido e que procurando ou não uma salvação que não existe, esbraceja, ri ou chora des-alma-da-mente, o Homem que se joga na abertura imensa do que não é sua natureza, numa fúria desenfreada de transgredir os seus inultrapassáveis limites. O Homem aflito é também o Homem que se esqueceu de si. Num mundo completamente espelhado onde a sua imagem se multiplica ao infinito, perde-se na perspectiva dos seus reflexos e desencontra-se de si mesmo.
Bem haja é não só dar graças mas bem agir! No acto de gratidão reconhecemos e encontramos o Outro, sejam os seres, sejam as coisas, ou seja, abri-mo-nos para o que está e é além de nós, quebramos a solidão, a cadeia narcísica do nosso ente, transcende-mo-nos, emula-mo-nos.
Bem haja, que haja vida e o seu ciclo natural a morte, a doença e a saúde, para que tudo se regenere.

Sem comentários:
Enviar um comentário