O motor imóvel. O que move e não é movido, excepto que é movido a mover, não é verdade ? Mas, se não é movido a mover porque move ? Tem de agir para mover. Será deus um paradoxo ? Pode um paradoxo constituir uma prova argumentativa ? Não. Pode resultar de uma demonstração argumentativa ? Sim!
Ora, o que move e não é movido é causa primeira de tudo que se move. Se é causa provoca um efeito. Todas as causas provocam um efeito e este efeito é causa de outros efeitos ad infinitum. Mas, se assim sucede, uma causa tem de ter outra causa que lhe antecede, ou seja, uma origem. Nesse caso não haverá causa primeira e existirão também causas originárias e não originais, ditas "primeiras", antecedentes, também ad infinitum. Ora, isto não parece razoável.
A necessidade versus a contingência ou os acidentes. A ideia de um substare ou substrato advém de Aristóteles. Há coisas ou qualidades permanentes e outras impermanentes, contingentes ou acidentais. Segundo o filósofo o permanente seria o palco que susteria os acidentes e, sem os quais, estes últimos não se dariam. Estilo, a estabilidade é o garante da impermanência. Vejamos... Um objeto diz-me sem cor porque a quantidade de luz absorvida e reflectida varia e os órgãos dos sentidos que a captam interpretam de modos diferentes. Primeiro, o objecto varia no tempo tal e qual como a luz e a fonte da luz que é outro objeto. Portanto, qual é o permanente aqui ? A mudança, como diria Heráclito. Ora, será possível que, no meio de tantas mudanças, não possa haver um ou mais momentuuns em que, quer o corpo iluminado, a fonte que ilumina e o corpo que percepciona se repitam ao coincidir ? Será impossível que tal aconteça, estilo, uma capicua, 222, 333, etc ? Ou seja o corpo está num momento de repetição, o ângulo e a frequência da luz também num momento de repetição e a fonte o mesmo ? Um alinhamento triplo repetido. Possível é. Aliás, para quem acredita na "substância" no "substare" não é difícil pois, é nisso mesmo que acredita. Porém, aqui, o mundo está invertido. Os acidentes é que permanecem e as condições de repetição é que constituem o acidental, o raro, o fortuito. Ou seja, a substância é impermanência e os acidentes é que permanecem. Não é isto, contraditório em si ? Pois, parece-me que sim e, no mínimo paradoxal. Não podem ambos os argumentos serem verdadeiros.
E, poderíamos seguir por aí fora na desmontagem dos argumentos de Aquino.
Em resumo, crê quem quer crer e, muito provavelmente, constitui um exercício espúrio tentar provar a existência do não existente.
O que é o desconhecido? É vasto e ninguém sabe. O que é a morte ? Ela existe e ninguém sabe! Quem será ou serão deus ou os deuses ? Ninguém sabe! Haveremos de os inventar como às sereias e aos unicórnios. Do que podemos falar e conhecer ? Do que acontece e da vida.
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