segunda-feira, 5 de agosto de 2024
Quando der por mim...
Quando der por mim, estarei morto. A ignorância parece ser o combustível que incendeia o conhecimento. O que não sei, desafia-me ou, desafia o meu orgulho, a minha vaidade, a sede de ser importante, de não me reduzir ou resignar à pequenez. Pouco importa o que não sei, pois se, sobre tal, nada sei, nem sequer posso avaliar a sua importância. Não há a prioris do valor. E, pouco importa o que seria pois, nunca se poderá achar muito a descobrir uma ínfima parcela. Por tudo isso, enquanto entretido a lutar contra o excesso de luz e, também, de escuridão, quando der por mim já deverei estar morto pois, se não sei, como posso dar por mim ? Como posso dizer-me consciente ? E, se o posso, em que termos? Da realidade, a cada instante, captamos e processamos uma infinitésima fração. Como é que uma ínfima parcela da realidade pode ter noção sequer do seu todo? Conhece uma formiga todo o deserto do Saara que percorre ? Enfim!...Ínfimos, somos e seremos. Não estúpidos. Esses, são os que sabem sem saber. Os que sem saber imaginam que já sabem. A humildade não extingue o saber, pelo contrário, é o seu verdadeiro ponto de partida, o qual, se persistirmos para sempre nele, nesse ponto permaneceremos. Mais que isso, é veleidade. Menos, é leviandade. Quem chega a um ponto acrescenta um ponto. O contrário é ser-se nulo. Mas, quando dermos por isso, já teremos terminado o que nem sequer iniciámos!
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário