quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Potássio na água

O mais valioso perante a morte é 

Viver e estar em paz

Pois, depois de mortos, tanto faz.

Porquê a paz se a morte é descanso eterno?

A paz como equilíbrio,

Adaptação, sem excesso.

Não eternidade,

Não prolongamento,

Insustentável, indevido.

Não uma sonolência absurda

Mas, simples prudência,

Evitando o inferno,

E buscando o céu,

Na Terra dos homens.

Ainda que, esse céu, seja só por nós habitado e que, raramente,

Ou mesmo nunca, chegue a ser partilhado.

Há muito mais do que nós, em nós,

E cada jardim possui a sua geometria.

Alguns jardineiros tratam bem do seu quintal 

Outros, apenas sonham com o quintal alheio

Ainda outros ou são tolos ou desleixados

Mas todos os jardins têm flores

Mesmo aqueles em que as sementes não estão visíveis à superfície.

Todos os nossos jardins morrem de forma diferente, só muda o modo... 

O nosso ego aflito dilui-se como potássio na superfície ondulada da água

E, depois,  mais nada.

Fadigas e canseiras, 

Alegrias e brincadeiras

Jardins e jardineiros

Num ápice, tudo finda

E seremos nada.


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