Caminhava em direção à escola onde lecionava e pensava para consigo mesmo, como poderia ensinar os alunos a refletir se, ele, como professor, nem sequer tinha tempo para refletir ? E dizia para consigo mesmo, bem, até teria tempo mas, a vida, não é só trabalho e reflexão, são precisos intervalos, pausas, recreios tal como existem entre as palavras que, também, por vezes se calam. Processos, processos e Kafka na memória. Tanto controlo e rigor descontrolados! A máxima eficiência transformada em força de inércia. Os burocratas aos uivos clamando pelas estatísticas. Resultados, soluções, remendos, derivações, enfim!... Uma panóplia de infindáveis recursos usados para atravancar a vida em vez de a alavancar. Por isso, chama-se-lhe parafernália. Sobre a aparência de saúde o Homem está doente. As sociedades estão enfermas da vaidade pelas suas próprias obras.
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