quinta-feira, 27 de março de 2025

Sobre os tropeções e atropelos

Amigo, se caíste levanta-te. Se, não te conseguires levantar, gatinha. Se, não conseguires gatinhar, rasteja. Se, não conseguires rastejar, estás morto. Mesmo que te levantes não tardarás a cair de novo. Não somos sempre-em-pé. Quando dormimos, fazê-mo-lo, quase sempre deitados. A posição, para a vida, só interessa em termos de velocidade. Rastejar é mais lento do que correr, andar ou saltar. Não somos Cangurus. Mas, somos mamíferos. Não somos kanicus nem gúrus. 
Quem mais alto sobe, tanto maior será a queda. Mas, para que interessa a gravidade nessa matéria ? Não vamos todos descansar eternamente para o mesmo lugar ? Qual o poder de saber mais isto, possuir mais isto, isto ser de melhor qualidade, ter mais audiência, etc? Poder desfeito num ápice como tudo o resto. Então, o que resta ? Ser digno ? Ser signo ? Ser hino ? Ser ? Ser, é falso. Nunca se  é plenamente. Nunca se deixa plenamente de ser até morrer. Ou seja, somos contradição até à morte, contraditória à nossa vida. De lembranças que não queremos até ao desespero de querer lembrar o que já não se lembra, viajamos perdidos no tempo e no espaço, entre as sombras dos conceitos e as clareiras vazias.
Por entre os pingos da chuva há que caminhar, umas vezes secos, noutras molhados. Não há outro modo de viajar. Boa viagem é sempre o mote do desejo. Deus me salve daqui, será o lema do acossado ou aflito. Na realidade, nem se viaja desse modo, nem seremos abduzidos para outras paragens. Está tudo dito.

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