domingo, 9 de março de 2025

Céu e Inferno



O céu e o inferno estão em nós. Deus é a força que nos move, que nos faz vencer a inércia em direção ao céu e que, nem sempre se alcança, uma vez que, ninguém deseja o inferno. Estar no inferno, cair nele nem sempre é evitável ou voluntário. Também, o céu, nem sempre é alcançável ou voluntário, apesar de ser quase sempre desejável. O desejo e a vontade podem apenas um pouco quanto ao sentido das nossas escolhas. É o pouco que nos cabe fazer, o pouco que baseamos no nosso ínfimo saber. Saber é pouco e, nunca é muito poder. Nem mesmo a posse do saber é decisivo para alcançar o céu. O imponderável faz a maior parte. Não é o acaso que manda mas, também, não é o mito ou crença na razão, por muita que seja a fé, que dirige os acontecimentos. Se fizermos más escolhas poderemos ainda assim ficar mais próximos do céu. Fazendo boas escolhas podemos inacreditavelmente aproximar-nos do inferno. No geral, no entanto, más escolhas trazem-nos desvantagens e boas escolhas potenciam maiores vantagens. O certo nem sempre é a adequação. O julgamento falha, não só, porque inadequado mas, também, porque a priori torna-se complexo revê-lo. A priori é ponto de partida e nunca de chegada. Revisão só a posteriori e, esta, pode ocorrer tardiamente, quando já a proação e/ou qualquer reação sejam irrelevantes. Há então que reorientar o sentido, realinhar a disposição, redobrar o esforço e recuperar a desvantagem em direção ao céu. A força é o movimento da massa em deslocamento que flui como lava incandescente, lentamente, quase incontrolável mas, sempre imparável até ao seu zénite entrópico. Não é outro ente. É matéria em transformação incandescente. Deus é o telúrico obrando à superfície do ser.

Sem comentários:

Enviar um comentário