sexta-feira, 7 de abril de 2023

A Tragédia de Édipo Rei


A tragédia Édipo Rei é uma das mais famosas peças teatrais que Sófocles (496 a.C. a 405 a.C.) escreveu durante a sua vida, e apresenta um dos episódios da vida de Édipo, que veio a influenciar mais tarde Sigismund Schlomo Freud (1835-1930) na elaboração da teoria do complexo de Édipo.

 

Súmula:

Édipo era filho de Laio (o pai) e de Jocasta (a mãe) reis de Tebas. O oráculo anunciou aos pais que Édipo mataria o pai e casaria com a mãe. Por este motivo, os pais abandonaram Édipo num deserto. Um pastor encontrou-o e entregou-o à guarda de Políbio rei de Corinto e que o adoptou até à idade adulta. Já adulto, Édipo consultou o oráculo e não querendo matar aquele que julgava ser seu pai, Políbio, abandonou Corinto. Na viagem matou com um cajado o seu verdadeiro pai biológico, sem o saber. Depois, caminhou para Tebas passando pelo monte Citero onde se deparou com a esfinge (monstro com rosto de mulher e corpo de leão alado) e que colocava o seguinte enigma aos viajantes: «qual é o animal que tem quatro pés de manhã, dois de tarde e três à noite?» Quem não respondesse correcto a esfinge devorava-o. Mas, Édipo decifrou o enigma, dizendo que se tratava do Homem. A Esfinge que tanto atormentava a cidade de Tebas matou-se. Édipo foi aclamado pelos Tebanos que lhe deram o trono e para ficar mais ligado à sua nova pátria desposou Jocasta, desconhecendo que era sua mãe biológica e de quem veio a ter diversos filhos. Um dia, Édipo veio a descobrir a verdade relativamente à sua origem. Tomando Jocasta conhecimento de que desposara o seu filho, fechou-se no seu quarto e enforcou-se. Édipo, retirando-a da corda, tirou-lhe o alfinete de ouro que prendia o vestido de Jocasta e cegou-se a si próprio, de vergonha, tendo-se exilado de seguida.


Comentário:

Não enveredando pela leitura tradicional, de carácter psicologista, que tem a ver com relações incestuosas e questões de culpa, sugiro-vos uma outra leitura, a que o leitor não tem de se ver constrangido a aceitar acriticamente. Em meu entender, o suicídio de Jocasta não se deve apenas à vergonha e à culpa, mas antes, por se tornar insuportável tolerar uma verdade extremamente desagradável revelada pelos factos. O gesto de Édipo segue o mesmo sentido, revelando ao cegar-se que não mais deseja ver a verdade dos factos e exilando-se cobardemente ao fugir-lhe. Ou seja, quando a verdade é dolorosa, nós humanos, temos muitas vezes a tendência para fugir e rejeitar os factos.

Bibliografia

SILVA,AGOSTINHO,(1999),Sófocles ÉDIPO REI, ed.,Mem Martins: Editorial Inquérito

 Citação da semana

 «Não consigo ver nada de errado num entusiástico patriotismo, no amor ao país e à raça. Mas o patriotismo não é desculpa para nenhum grupo de homens assaltar os seus vizinhos ou impor os seus pontos de vista sobre os outros através do fogo e da espada.»1

 


1 EINSTEIN,ALBERT,(2009),EINSTEIN- On Cosmic Religion and other Opinions & Aphorisms,Mineola:NewYork, Dover Publications, p. 68 - «I can see no wrong in enlightened patriotism, in love of country and of race. But patriotism is no excuse for any group of men to assail its neighbors or to impress its point of view upon others by fire and sword»


quinta-feira, 6 de abril de 2023

A QUEDA METAFÍSICA

Poço iniciático da Quinta da Regaleira

Percebi um dia que a vida é uma espécie de queda metafísica. Viver é estar permanentemente em queda, como se tivéssemos caído num poço. E porquê esta comparação? Não é verdade que estamos sempre em busca de elementos fiáveis, de algum tipo de salvação, de nos mantermos saudáveis para evitar a morte, etc ? Essa queda gera aflição. Podemos cair ainda mais, podemos padecer, podemos perecer.Por isso lutamos aflitos para nos agarrarmos às paredes do poço. O materialismo é fruto dessa queda metafísica. Há quem lhe chame ferida mas, que se saiba ninguém vive a sangrar.Agora, a queda é real e, ainda contém mais elementos de admiração. Não se conhece o fundo do poço nem quando o encontraremos. Por isso esbracejamos aflitos, estressados, alguns aterrorizados até e queremos segurar tudo, higienizar tudo, controlar tudo para seguir ao leme, como timoneiros. Desgraça! Ninguém consegue mas, ainda assim não desiste de tentar. Ou nos seguramos ou caímos. Caindo a velocidades relativas equiparadas, sentimo-nos acompanhados, mais distraídos na queda. De ilusão em ilusão vamos sentindo essa gravidade da queda, nessa enormíssima queda metafísica, pois é só de metafísica que se trata. [noético-06/04/2023]





domingo, 2 de abril de 2023

Tudo começa e termina por nós enquanto vivos.

O bichinho ruim, (a nossa besta,a nossa livre animalidade) não existe, a toda a hora, nem a todo o momento. O nosso santinho, infalível, nos seus bons actos, também não. Que nos entendemos não é verdade, também. Que apenas nos desentendemos, também, não é verdade. Há de facto, cacofonias, em que escutamos, harmonias e até sinfonias no seio delas, e que de facto existem. Haverá sempre ordem no caos e caos em qualquer ordem. Mas, então, por que tanto problema em nos entendermos? O que cada um de nós pode fazer a seu modo para que tal não se volte a repetir?
A pergunta, aliás as perguntas, na sua grande maioria, tal como as respostas, passam apenas por nós!

sábado, 1 de abril de 2023

Cegos, Surdos, Mudos - Blind, Deaf, Dumb

Cegos e, cada vez mais cegos por causa da obsessão da luz, do que brilha, do que reluz, numa vaidade insã, em que tudo gira em torno do visível, de de um só centro e em que a invisibilidade corresponde à não-existência, ao não ser.
Surdos e cada vez mais surdos pelo mau uso das palavras, pela sua vagueza, pela sua banalização, pelo esvaziamento e adulteração do seu sentido, pela sua prolixidade e ruído que quase parecem uivos de lobos para roubar a atenção à Lua.
Mudos e cada vez mais mudos, pois no meio deste histerismo ruidoso e de néon, no meio desta cacofonia de gritos de agonia, clamando por salvação, nesta brutal orquestração de máquinas barulhentas, quer sejam musicais, faladoras, ou não,  já quase nem há silêncio, nem se consegue distinguir o chilrear de um rouxinol.
Solução? Muitas, basta identificar as fontes do problema e agir.



sexta-feira, 31 de março de 2023

Embaraço (poesia publicada)

Virgem de Willendorf  and  Sheela-na-Gigs

 

Diz-me 

O que ninguém

Tem para me dizer

Traz-me

O que ninguém

Tem para me trazer

ou,

Deixa-me antes,

Procurar

Nas tua palavras,

Nos teus gestos de afeição,

Nos teus sentimentos...

Deixa-me apenas

Ter tempo

Para preparar

A tua chegada

[II Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea "Além da Terra, Além do ceú", sob o pseudónimo Mônica Azevedo (Noético - o autor original)]




quarta-feira, 29 de março de 2023

Pinóquio ou as regras de sobrevivência e civilidade que decidimos apagar

Pinóquio por Enrico Mazzanti - Florença - 1883

A vantagem de nada ler é termos um futuro promissor, por certo!...
Gepeto e Pinóquio podem ensinar os pais e os filhos a lidarem uns com os outros e muitas regras de poupança, sobriedade, humildade e civilidade. No entanto, tirando o boneco de pau muito giro, a História de Collodi como é velha, segue para o lixo pois parece haver videojogos muito melhores em termos de pedagogia. [Mesmo que pinóquio tenha muita  coisa a ver a teoria da Iluminação de St. Agostinho].Mas já agora, também O tal Santo, no seu diálogo sobre a felicidade também tratava as mulheres com escárnio apesar daquela pseudo-sensação-de abertura de que os clérigos quase sempre dão mostra. Tratar mal as mulheres e pior à propria mãe, que afinal se revelou ser uma das pessoas mais sensatas desse diálogo.
Hoje, em dia, assistimos com frequência à afrmação: "Somos contra os fósseis". Porém os requerentes não parecem deixar de usar roupas derivadas dessas matérias fósseis, usar o carro do papá para ir para a faculdade, em suma, queremos afirmar que somos emancipados. Tudo certo, só falta a  emancipação do cérebro/mente mas sempre ccom uma consciência de um corpo que nos faz habitar por entre outros corpos e mentes.
Nos dias de hoje, nada temos a aprender na relação entre liliputianos, medrosos e gigantes com cérebros ôcos como em Gulliver de Jonathan Swift. Há muito mais essa hsitória do que isso.  Isso são tudo livros subversivos, que devem ser esquecidos, censurados, desvirtuados, reescritos com os dogmas oficiais ou, até,  eliminados.
Mas o que é isso de literatura? Guinevere negra, Napoleão gay, Alexandre Magno queer e porteiro de discoteca e os livros de Agatha Mary Clarissa Christie a ser-lhes alterado o vocabulário (para não ofender ninguém e tornar mais real a real história falsificada). Época de falsificadores
Bem melhor mesmo é queimar a Metafísica de Aristóteles pois o filósofo teve a infelicidade de defender a escravatura. Portanto, preto sim, negro não, apesar dos africanos de pele negra terem sido traficados em grandes navios chamados "negreiros". Racismo ou desvirtuar a História?
Robinson Crusoé deveria ser queimado e já agora mudava-se a sexta-feira para não ofender esta geração de gelatina.
Pinóquio, Pinóquio e muitos mais universais textos tudo revertido pela maré da imbecilidade!
Reescreve-los? Oponho-me. Parece que estou a reviver Farnheit 451. 
Talvez esta gentinha imbecil se quisesse cultivar mas, ao que parece, nem sabe o que isso é! Pois, não  é?!




quarta-feira, 15 de março de 2023

Não direi mais...O que mais ?...

Não direi mais, muitas vezes, olá, bom dia, boa noite. Não direi mais, muitas vezes, a-deus. Não direi mais, muitas vezes, não direi mais, porque as horas estão-se a acabar e não sobra muito mais tempo.
O que há para pensar e dizer antes de morrer ? Sentimos medo? Sim. Deixar algumas palavras para animar os entes queridos, mesmo que tenha sido verdadeiro ter-mo-los amado? Sim, mesmo que nada adiante, por que não? Amo-vos!
Morrer não é triste é derradeiro. Se não for instantâneo, alastra e diminui o ser. Pesa, aumenta a gravidade, subtrai-nos a leveza e o movimento, suga-nos a alma, faz-nos sofrer. É tremendo. Nem adianta chorar e ainda assim choramos, afinal, somos humanos. E não há nem ressurreição, nem transmigração, nem Deus, nem sete virgens, nem piedade, nem pai, nem mãe, nem nenhum consolo, nem Salvação, nem poder que se oponha à Natureza que nos encerra a forma viva e nos relembra da nossa infinita e sublime impotência.

segunda-feira, 13 de março de 2023

Chorar


Elmer Borlongan - Tree Huggers

Como é bom chorar. Sim, chorar, não apenas por sofrer, não apenas por comoção. Chorar como um acto de plena sanidade e integridade, como uma forma de sentir a nossa plena humanidade. 





quarta-feira, 8 de março de 2023

Mãe, Ho-mem!

Woman, Life, Freedom
                
Qualquer ser humano teve uma mãe pois, sem ela, nem teria nascido ou nem sequer teria tido a possibilidade de nascer.
Por que razão, então, em pleno século XXI as mulheres ainda são tratadas de forma tão desigual em relação ao homem?
Má vontade ? Impotência ? Desinteresse ? Tudo isso e muito mais.
Não vás tu, no entanto, largar o teu nome Maria, confundindo o corpo com as palavras e estas com a vida.




Abjecto e absurdo

 Serhii Nuzhnenko/Reuters
                  

Biliões para construir armas e desperdiçar vidas mas, a mente, embora compreenda pela negativa, não entende e, não só admite como permite.
Biliões não são tostões ou cêntimos que  em vez de serem gastos para salvar vidas da fome e/ou da guerra ou até mesmo de catástrofes naturais inevitáveis apenas servem para assassinar. 
Desgraça, absurdo, abjecto mas, consentido e praticado.
O Homem é um ser doente, só pode. Como mencionava um aviso num guichet, a estupidez não é uma doença e muito menos incurável, então, porquê tanta insistência e teimosia, senão persistência nesta idiossincrasia?
Diria que é nestas ocasiões que mais me interrogo sobre para que serve afinal o livre arbítrio? Por que nos orgulhamos tanto de seremos seres racionais, livres e dotados de inteligência? 
Infelizmente a insanidade gera cada vez mais insanidade. Um louco decide fazer a guerra e a única resposta à insanidade é tornar-mo-nos insanos e entregar-mo-nos à loucura da auto-defesa. Mas, não haverão outros caminhos ? Decerto que os haverá, só que, não os trilhamos. Então, como se detém um louco, violento e armado ? Infelizmente, este tipo de loucos são geralmente pessoas cobardes, tanto é que temem muitíssimo pela sua própria vida "sem anima" e protegem-se por todos os meios que os seus poderes lhes permitem porque, na verdade, sabem bem do seu absurdo intelecto e do abjecto dos seus sentimentos mas, escondem-no na profundeza do seu ser, sem perceberem que na total escuridão, não existe qualquer centelha de luz. Tal é a dimensão da cegueira que os empareda vivos. 
No excesso de imagem do espelho dilui-se a paisagem, apenas resta o deserto da ausência do Outro. Narciso, um dos mais antigos mitos da humanidade vive e morre obcecado pela sua própria imagem. Vanitas, vanitas! Abjecto, absurdo, insano! 








terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

O que não é!

O que não é

A vida, não é uma carreira, uma profissão, um projecto, uma tarefa, um processo, excepto na mente de um funcionário.
A vida, não é um jogo, uma brincadeira, uma lotaria, uma aposta, excepto se for na mente de um jogador.
A vida, não é uma estrada, um caminho, uma ponte, uma paragem excepto se for na mente de um viajante.
A vida, não é um império, uma nação, um partido, um indivíduo excepto  se for na mente de um político.
Ser, não é fazer, não é parecer, não é construir, não é destruir, não é proceder.  Viver é muito mais complexo e diverso que tudo isso.




Nada mais ou imanência

Imanentes, imitamos, repetimos, emulamos e, quando julgamos ter transcendido, continuamos a descobrir-mo-nos imanentes. Não há nada mais!




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Nascer e morrer

Monsanto

Não sei porque nasci? Àparte da explicação clássica dos meus pais terem copulado, de um espermatozóide ter-se entranhado num óvulo, de a minha mãe me ter transportado no seu ventre e finalmente me ter expulso dele para um lugar estranho, nada mais sei.
Nasci nem sei quando, desarmado, sem conceitos. Os olhos abriram-se e esse sentido revelou-me um monte de figurinhas diversas logo que se desvaneceram as primeiras névoas. 
Primeiro senti e foram os sentidos que me exibiram pela primeira vez o mundo. Coitado do Platão que trocou tudo, mesmo tudo.
Nasci e não fazia ideia onde estava, com quem coabitava. Os sentidos apresentaram-me o espaço e o movimento. Interagindo, o caótico confuso foi-se tornando mais claro ainda mesmo sem conceito. Há uma espécie de pré-linguagem de origem motriz: balbuciamos, apontamos, revelamos expressões faciais, por vezes choramos ou desatamos aos gritos, contorcemos o corpo, agitamos os membros, etc. Uma gramática perfeitamente adequada à nossa dependência.
Ouvir sons dos meus pais e outras entidades em meu redor não me queriam dizer nada. Não percebia o mundo por palavras nem por conceitos mas eu, já aqui estava, presente, no mundo.
Sinais, padrões e repetições, com o hábito foram progressivamente permitindo que chegasse às palavras e mais tarde, com elas, chegar aos conceitos e continuar a operar sobre o mundo  de mais outra forma.
Quando se morre, tudo isso acaba. A vida, não são conceitos. Acabam-se todos os sentidos, o cérebro detêm-se e tudo acaba. 










quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

A Vida é uma onda

A vida é como uma enorme onda que, numa dada circunstância do tempo apanhamos e que, erguendo-nos, a vamos surfando, até que um dia ela nos submerja, imergindo-nos rápida e violentamente ou lenta e progressivamente, nesse vasto, escuro, silencioso e denso oceano universal, do qual, jamais emergiremos.




sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Who's that world?

You might wonder what I'm doing here? Nothing except enjoying. That's the step you have to take. Be bold to wonder and to do it. Be brave. Never stay always at home. Your life is bigger than the love you have for your beloved. It spreads around. Just try to give one more step. And that's all. I'm sure you'll enjoy. If you don't, just quit. Else, keep going on. Truth is never where you look at it

What is Wonder ?


Always on a journey. Always moving. Sure we'll have stops like the pauses in music, the night after the day, the spaces between the words. None will fit it all alone. Both are the wonder. Enjoy Life!



quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

INICIAÇÃO AO BANDITISMO


«As criancinhas das escolas portuguesas, sem desprimor algum pelas crianças, foram hoje submetidas a um teste de inglês «Key for School Portugal» organizado pelo Cambridge English Language Assessment da Universidade de Cambridge e com direito a diploma. Os alunos acharam canja. Nos próximos reprovarão. Queria ver quantos ingleses «filhos de sua majestade» falam correctamente o português ? Querem que nós falemos a língua deles, é isso ? E eles, quando é que aprendem a nossa ? Bem... Tudo isto a coberto do Dr. Nuno, Pior (não, não é erro ortográfico) do Crato, perdão, Nuno Crato, actual manager e treinador do Ministério da Deseducação. Com muitas falinhas mansas foi imposto (não, não se trata de mais um imposto a pagar) o Desacordo Ortográfico, em defesa do português e da língua pátria. Enfim! Isso é o que eles dizem, mas não o que eles fazem. Uma entidade estrangeira com o conluio do Nuninho, não merece a pena tratá-lo de outro modo, resolveu que os alunos do 9º ano teriam que fazer um exame de inglês elaborado por entidades estrangeiras, que acima já designei. Felizmente, alguns professores, heróicos, recusaram-se a estar presentes. Expresso aqui a minha total indignação e porquê ? Será que em defesa da língua portuguesa em terras de Sua Majestade são professores portugueses ou algum Instituto Português que atesta as habilidades linguísticas da «bifalhada» em matérias de português ? Parece-me que não. Tenho a certeza que não. Então que pretende o cretino prior dos alunos portugueses ? Que um dia sejam entidades estrangeiras a atestar o grau de conhecimento dos alunos portugueses ? Querem mais prostituição do que isto ? Qualquer dia, será uma qualquer Instituição chinesa, alemã, árabe a atestar o ensino de qualquer outra língua em Portugal. Bem haja, aos professores que se recusaram a este ultaje! Crato...Isto ainda é Portugal, isto, ainda não é a tua coutada particular. Crato...Vai-te embora!»[noético-01/05/2014]


Moleirinhas numa Cuba

By Marc Gunther
By Marc Gunther

Colocar uma "moleirinha"😅, ou seja, um cérebro numa cuba como referia Hilary Putnam trata-se afinal de uma mera transposição de um cérebro num corpo físico para outro tipo de corpo físico. Na realidade, o que muda é o ambiente próximo. O pensamento por certo não se manteria o mesmo, pois a fonte e o meio de informação mudariam. Não se pode dizer que  a identidade pessoal/humana se manteria, podendo ser conservada ou não por indução do super computador e pela possibilidade de alucinação. O super computador poderia assemelhar-se a qualquer substância alucinogénica. Seria possível pensar-mo-nos como cérebros numa cuba, tal como hoje nos vemos como cérebros (prefiro mente) num corpo. A questão mais profunda que me ocorre é a de saber se realmente o cérebro numa cuba constituiria efectivamente um ser vivo? É que de facto a vida não é apenas uma mera  receptividade, acumulação ou um mero processamento de informação, mas antes uma conquista adaptativa à necessidade e, um ser vivo está permanentemente em desiquilíbrio e em luta para se equilibrar. Numa falsificação deste mecanismo operativo pelo super computador que poderia falsificar este desiquilibrio a questão perde-se, pois o super computador teria de ser possuidor de um algoritmo quase infinito de geração de problemas e de produção cultural, tal como uma experiência sensorial de um corpo com mente e consciência constitui durante uma vida humana. Pode haver consciência sem vivência vivida e apenas meramente induzida mas, nesse caso, estaríamos perante uma vida ou diante de uma outra coisa qualquer? Um ser pode alucinar com drogas, permanece vivo mas, muitas vezes, nesses estados, não poderemos dizer com razoabilidade que está em condições de viver, pois perdeu o controlo da sua mente e as referências a um mundo circundante, parametrizado e mapeado,  em permanente transformação. Vejamos o caso de um aquário que pode ser sistematicamente alimentado por água e oxigénio e alimento de modo a permitir que dentro dele possam viver peixes.  Agora imaginemos que transplantamos, apenas, o cérebro de um peixe para uma outra cuba tecnológica virtual. Induza-se no cérebro do peixe que está dentro de água, que não precisa de oxigénio, ou de alimento ou até mesmo de água. Consequência, o cérebro do peixe pereceria. Ao contrário, permitamos o alimento, o oxigénio e a água. Que comportamentos  inúteis do cérebro de peixe verificaríamos quanto a agitar barbatanas imaginárias ? Seriam necessárias tais experiências ? Que tomadas de opções voluntárias teria o cérebro do peixe que efectuar para interagir com outros seres holográficos no mesm meio virtual ? Quem controlaria ou alimentaria por sua vez a máquina virtual indutora de modo a que ela se equiparasse à vida, cenarizando-se, complexificando-se, transformando-se e sendo potencialmente pseudo-transformada por cérebros de peixe ? Será que o cérebro de peixe conseguiria fabricar utensílios, teria necessidades (sem serem induzidas e/ou como produzí-las) ?  Um super computador não é todo o Universo físico, nem progride por si próprio num Universo físico, é apenas uma pequena parcela. Claro que há a AI mas não me parece que exista uma máquina de interrogar ou de filosofar perante o Universo ou haverá ? Sem necessidade, não há sentido, nem nada faz sentido. A inutilidade de uma máquina numa cuba seria total. Bastaria, no caso humano, induzir uma noção de felicidade perpétua do tipo "tu és feliz e nada te falta" que, tudo isto, por si só se revelaria de uma total inutilidade. Um peixe num aquário vive mas consciente. Fora do aquário debate-se até à morte por asfixia. Quem precisa de viver num coma ou acredita que vive num estado de coma  (ou de vida induzida) ? Quem não sente o perigo não foge, ou seja, nem reage. Um sistema informático quando há uma falha de energia (não havendo UPS e geradores) não falha parcialmente, mas na sua totalidade e por si só não se auto recompõe ou reconstitui. Um humano pode resistir à fome, com limites, mas há-de fazer tudo para se recompor tentando adaptar-se a esse desafio, para o superar, o mais rapidamente possível. Há toda uma dimensão cultural humana, que não é apenas singular, mas colectiva e transversal no tempo, sempre em transformação que escapa completamente a qualquer super computador. O cérebro numa cuba teria consciência de lata e de pilhas eléctricas bem ao estilo Oz. Um verdadeiro empobrecimento. 




terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Salve-se quem puder, se houver salvação!?

A Política é, matéria extensa. Alguns, dizem-se políticos, diplomados. Estaríamos tramados se, todos os que se diplomam em filosofia, fossem, respeitosamente, também, considerados filósofos, assim como tantos formados em política ou que dela nem fazem qualquer ideia se não a crença certeira na hipótese de um cargo!? A política diz respeito à resolução e manutenção das coisas comuns. Centra-se, em opções ideológicas (raramente metodológicas, embora os métodos possam ser discutidos como formas ideológicas que são diferentes de ideologias), num fazer que abranja o melhor para a coisa pública, o dito "povo" ou a maioria da colectividade. Coisas muito Humeanas. A desculpa da péssima percepção do todo advém da urgência na resolução dos quotidianos problemas. Confesso que, na era actual, não encontro nenhum político que corresponda a esta descrição que, diria "lírica ou onírica". A Política não antecipa, não prevê, não estuda, não investiga, não procura conselho e se alguma destas ações executa, fá-lo quase sempre de forma avulsa e desgarrada e recorrente, enviesadamente. Como se pode ter uma política se não se tem uma visão de conjunto de um problema que intrinca com muitos outros ? Como se pode ter uma política se, não há uma visão estratégica que, sim, passa por diversos processos/planos delineados mas, que esbarra quase sempre, na falta de um objectivo comum, universal ou maioritário, inexistente, que contemple a totalidade ou a maior partw dos que se dizem fazer parte de uma Nação. Há planos e processos e objectivos e muito mais na política mas, tudo parece apontar para a rama, a superfície, a imediatização. Pensa-se, erradamente, que para um problema imediato a resposta tem de ser imediata. E caímos neste ciclo de propaganda viciosa/pseudo virtuosa da estabilidade. Acontece que se pode aplicar pensos rápidos a quase tudo, porém, para quem tiver que ser operado, imagine-se a eficácia dos pensos como solução de cicatrização, enfim... Não vou falar de nomes pois, esta gente, que se intitula governante, nem merece ser nomeada. Outrora, houve tempos em que para se ter um nome era preciso conquistá-lo pela obra e pelo respeito. Claro que se cometeram também toda a espécie de atrocidades antes e após adquirido o nome, o título, o direito à honra e bom nome. Mas, degenerar faz parte, também, do humano, como defendia "esse imbecil, idiota, energúmeno" chamado Aristóteles. Aliás, quem precisa de Platão ou Einstein face ao actual Zeitgeist? Alguns atletas, alguns bobos dados às artes e é tudo...Os pequenos, os anões vivem nas sombras, tentando regressar à luz ? Talvez já não!  Mesmo que a obtenham, qualquer cintilar da verdade rapidamente se eclipsa diante do reluzente dinheiro, apresente-se ele como metal, como plástico, seja virtual encriptado ou não.
Então o que são "estes políticos" ? Quem são, sabes tu muito bem. O que são, compete-te a ti responder. Pensa com calma e com cuidado, atenção, para não te fazerem perder o foco.
 



 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

The elusive You

You, all count as you, even not knowing who are you? Anyway, you live like you. Does it work for you ? Do you feel you ? Do you feel really like you are you? A community of believers of the same. Is it a weakness or a strength ? Is it magic to be part of you through belief ? I'm not a you. You can't count on me. Why ? Did you asked me the purpose of such adherence to a myth, called you ? Is it a myth or reality? Do you understand the difference? I believe you don't. Nothing is mostly about you but you have a major imagination. Keep it but don't impose it. I'm still not like you and certainly not a you. Can you understand ❓