sábado, 26 de agosto de 2023

Without listenning to this "Human" isn't your true name

Músicos de Portinari
                         

Besides I'm absolutely an atheist I would advise who never heard this 18 masterpieces of music in it's entire life that should do it immediately to start being a Human Being and before it's too late. 

Mozart - Ave Verum - Mozart Ave Verum
Ewa Malas Godlewska  - Handel - Lacia Ch'io Pianga
Philippe Jaroussky & Julia Lezhneva - Pergolesi - Stabat Mater Dolorosa
Anja Harteros - Mozart - Laudate Dominum
Bach - St. Matthew Passion - The complete master piece (No adjectives)
Vivaldi - Nisi Dominus Cum Dederit - Andreas Scholl
Handel - Sarabande
Giovanni Battista Lulli - Marche par la cérémonie des turcs

DESAPAIXONADAMENTE ?

http://criticanarede.com/sabedoriasem.html
«Desapaixonadamente, porque não te entregas às minhas mãos, em vez de, às minhas palavras ?... Certo! Eu, deveria dizer-te o contrário. Afinal, sei lidar, bem melhor, com palavras. Sabes, tenho uma tremenda falta de jeito para usar as mãos. Nasci, assim. Penso, que morrerei, ainda, desse modo. Mas, então, porque te peço isso ?... É que se me queres amar é melhor começares por aceitar aquilo em que não nasci dotado, em de vez de te deixares deslumbrar pelo fugaz vigor de algum talento que possa ter herdado. Desapaixonadamente, procuramos, quase sempre, encontrar fórmulas que resultem, para a vida, para o amor, etc. Porém, com o tempo descobrimos que tudo isso, é, perfeitamente, aleatório. Bem, existe sempre uma vida escrava da admiração dos outros, em que tudo se faz para ficar bem visto, iludindo-nos com isso, porque, uma coisa é estar na ribalta e outra, ser-se verdadeiramente amado. E tanta diferença existe entre as côres e o brilho! Desapaixonadamente, como solução imaginada, imaculada, ou seja, sem sofrer a torrente de emoções e desejos que a paixão provoca, vendo, nesse modo diferente de abordagem, uma forma mais estruturada para enfrentar coisas que, não se controlam, embora, nos sintamos mais aconchegados por esse pretenso desprendimento. Engano. Mero engano. Como se pode viver desapaixonadamente uma paixão ? Então, não é, certamente, uma paixão. O amor não é um livro de perguntas à espera de respostas exactas.»[noético-24/10/2014]





Afinal, nada temos.



Não há muito a dizer sobre o mundo. Os vivos não sabem. Os mortos não falam. O corpo não morre. A alma perece. Estranhas as mentiras em que  cremos quando somos vivos. Depois de mortos, nem crença, nem opinião, nem sabedoria, nem eu! O que mais nos atormenta é o eu que se tem em alta consideração e que teme se desvanecer. Mas, o medo, neste caso é inútil. Nada pode. É impotente! Não controla nada. E, enquanto vivo, só controla a ilusão de controlar que está vivo. Coisa irrelevante. Dói ? A muitos dói. Isso, reforça a ilusão de controle e a vontade de controlar. É preciso combater a dor, ser feliz. É mesmo ? Não, não é! Mais um combate por controle, o "temos", o imperativo! Quando, afinal, nada temos!




sábado, 12 de agosto de 2023

O que significa não haver futuro sem história



Não haver futuro sem história significa negar um começo, que nada pode ter surgido do nada e, também, afirmar que,  a história é a sua própria maternidade. O certo é que, antes da vida não há nada ?  É preciso uma sucessão de diversos eventos e uma sucessão de contextos diferenciados e favoráveis. Um homem que encontra uma mulher. Um momento de cópula. Um espermatozóide que fecunda um óvulo. Uma porção de meses de gravidez de uma mulher. Contudo, esta sucessão ou processão de eventos,  não é a vida. Embora, seja a matéria viva a gerar nova matéria viva sob uma das suas formas possíveis. Não há, então,  um começo ou indício de começo e podem até haver milhões de indícios de começos sem os haver de facto, tal como, os milhões de espermatozóides em ação não encontrarem sequer um óvulo para fertilizar. Então, em que ficamos ? Tem de haver vida para haver uma nova vida e antes de uma vida à sempre vida sob outras formas. Dir-se-ia que é da energia que é gerada a vida. E que aquilo que classificamos como matéria inanimada o fazemos de modo errado pois, tudo que existe está animado de movimento e, os ditos seres vivos, são apenas gerados a partir da energia existente sob outras formas, entre as quais os átomos e moléculas químicas componentes da matéria que dizemos não estarem vivas mas que, na realidade o estão, existindo, interagindo, transformando-se e combinando-se sob diferentes formas todas elas em movimento. Nesta perspectiva, também não existe morte, sendo esta, apenas uma cortina que cai momentaneamente sobre uma forma, para no acto seguinte se erguer de novo, dando origem a outras formas de energia que entrarão de novo em cena ocupando de novo o palco.



terça-feira, 25 de julho de 2023

A mente é que é mortal



Tantos séculos de cultura, a afirmar sempre, no mesmo sentido, de que o corpo é perecível e a alma imortal, quase que me convenceram. Porém, face à minha experiência, de quase morte, da qual regressei, pelos meios da moderna ciência da medicina, alterei essa minha antiga crença e perspectiva. O que morre é a mente e não o corpo. Convém explicitar. Corpo aqui designa matéria, energia, composto físico-químico natural, com alguma forma, dentro de uma panóplia de plasticidades. A forma pode mudar, mas a energia não se esgota, não termina,  transforma-se e transmuta-se noutras formas. A forma é metamórfica, camaleónica. Dos átomos e partículas ainda que mais elementares podemos dizer que sempre se transformam. Podemos dizer que um cadáver se decompõe e se transforma em múltiplos elementos físico-químicos que entrarão em outros elos que compõem outras formas corpóreas naturais. O que não poderemos dizer é que a mente não morre. É precisamente essa parte que não é conservável corpóreamente, quando o corpo se desintegra integrando-se no grande ciclo maior ecológico universal. É pois, a mente, a única parte de nós que realmente desaparece, sem transmigrar para lado algum da natureza. Nem quanta algum de energia dela sobra. É a mente que morre, afinal. E fruto da mente, não se perde no total, por que são as formas vivas das gerações seguintes que fixam, como cultura, humana, o rastro das mentes que as precederam. De resto, não há qualquer outro arquivo dessa presença. Contudo, precisemos, é a mente, a individual, que morre. Apenas o arquivo colectivo e virtual das mentes subsiste sob forma cultural.






Verdade


A situação mais perigosa do mundo é aquela em que o conceito/palavra "verdade" cai nas malhas da crença e da superstição. Na realidade, o perigo, não está nunca na palavra/conceito mas, sim, na incapacidade receptiva do auditório e/ou no seu uso como bandeira/dogma. Repetir muitas vezes que uma mentira é verdade, não torna a mentira verdadeira. No entanto, para muitos, assim sucede.
Compreende-se, assim, que, embora todos falem na "verdade" a grande maioria, na realidade, dela afasta-se, mantendo, no entanto, o subtil disfarce de ser seu discípulo.
Para esclarecer: a verdade é algo que se alcança pelo conhecimento através da lógica e do rigoroso ater-se aos factos e, nunca,  jamais, fruto de uma crença ou de um qualquer apelo de seita.
Depois de tantos séculos de luta pela razão, pelo esclarecimento e pela ciência com sacrifícios e fogueiras à mistura, eis que, chegados ao século XXI muitos, voltam a defender a crença de que a Terra é plana, de que não existe gravidade e de que tais convicções (eu chamar-lhes-ia crenças e superstições quasi fanáticas) se baseiam na verdadeira ciência. Essa, é a mesma gente que anda com telemóvel na mão, que usa GPS e as últimas tecnologias fruto de uma ciência que não se baseia nas suas crenças absurdas e até as desmente por completo. Não adianta apresentar-lhes factos pois eles, só acreditam na sua versão única adulterada da realidade mas, que, a eles de algum modo convém. A ciência, a verdadeira é pública, admite as suas falhas e tenta corrigi-las. Não se apresenta como verdade única irredutível, nem se sustenta em crenças injustificadas e não corroboradas por factos mas, isso de nada adianta ou convence quem por conveniência, ressentimento, fidelidade a um certo grupo nega tudo isso. Daí, chamar-lhe superstição, algo que é quase impossível de combater, enquanto que numa crença, ainda se consegue encontrar alguma abertura para ela vir eventualmente a tornar-se esclarecida.



Na cama do hospital


Na cama do hospital, sentimo-nos ínfimos, esmagados mas, ajustados à nossa real condição de seres interdependentes. Na cama do hospital apenas conseguimos imaginar, sem factualidade, como vivem os outros do lado de fora, enquanto eles, quase por completo, ignoram a nossa vida numa cama de hospital. Estando próximos permanecemos tão distantes, à distância de uma parede e de um tecto. À distância da condição de estar numa cama de hospital.
Na cama do hospital e diante  da perspectiva próxima da dor e da morte quase todos se compadecem, se entreajudam, estabelecendo os mais simples laços de humanidade. Na cama de hospital a dor é suportada quer pelo instinto de sobrevivência, quer pela medicação, quer pela empatia dos que, heroicamente, batalham  para nos curar.
Na cama de hospital o mais apto oferece-se aos outros não para se exibir mas para os aliviar. Na cama do hospital o mais antigo ensina aos neófitos tudo o que lhe pode facilitar a sua vida, presumivel, temporária e/ou definitivamente afectada.




Coménio e outros



Abra-se e leia-se a Didática Magna. Pense-se nos séculos que se passaram. Agora, pense-se nos Linkedinns, TikToks, Facebooks e/ou Instagrams...É a revolução, a digitalização, na realidade, uma horda que progride semeando a absoluta ignorância dos factos e da História gerando a quase universal estupidificação. A Terra voltou a ser plana, as vacinas têm chips de controlo das pessoas, os negros foram reis e raínhas da Inglaterra há séculos atrás. Nada é impossível, o etíope pode até, muito bem, mudar a cor da pele. A multidão lidera, incauta e irracional, libertina, imatura, inconsistente mas, empoderada pela quantidade e número de likes, num frenesim psitacista desenfreado. Quem não estiver na onda é melhor deixar a avalanche eclodir e desvanecer-se sem nunca sequer ousar atravessar-se à sua frente.
E eu a pensar que se morreu na fogueira para defender a verdade, para depois se chegar a isto?!...



Os Tuga Libres


Diogo Ribeiro

Os portugueses ficam muito contentes quando os elogiam ou quando algum indivíduo ou grupo de entre eles sobressai no âmbito internacional, embora, para tal, não tenham contribuído com qualquer esforço da sua parte. Quanto ao que se passa entre quatro paredes, já os portugueses criticam, consideram negativo, desonesto, despropositado, desmesurado, infiável, inábil e inadequado sem, contudo, evidenciarem possuir quaisquer padrões de exigência elevados.
Apropriam-se assim de muitas das glórias de outros assim como se demarcam com grande ligeireza dos insucessos comuns próprios, normalmente, responsabilizando terceiros pelos factos.
É uma atitude muito refinada de viver livres e contentes ou presos e amparados ao fado como uma bengalinha mágica.



sábado, 8 de julho de 2023

Do outro lado



Não há ninguém
À minha espera
Do outro lado
Nada, ninguém
Não veio ninguém
Estender-me a mão
Para salvar-me
Nada, ninguém
Nem virgens, nem anjos
Para cumprimentarem-me
Do outro lado
Apenas, nada e, ninguém.



quarta-feira, 21 de junho de 2023

O singular plural

Georgy Kurasov

No final é quase tudo igual ao começo quanto à estranheza e espanto do conhecimento. Afinal, tudo parecia estar destinado a desafinar, cada ser estruturado em torno da sua genética e adaptação, com os seus muitos e diversos episódios, semelhante, mas desigual.
Impossível, quase, viver uma vida inteira sem doença. Um teste à nossa resiliência e ciência, de desfecho imprevisível.
Todos somos mortais mas, vivemos, ignorando esse facto, pensamos que somos imortais. Viver é, alienação pura. Só o teatro nos permite sobreviver, enquadrando-nos entre o real e a máscara a ponto que, ambos se fundem e confundem numa completa unidade, muitas vezes.
Cremos nas continuidades, mesmo que elas possam nem sequer existir. É esse fechamento que nos aliena e nos afasta da esquizofrenia do conhecimento, pois, conhecer seria certamente algo similar. A luz não só cega como, vista no seu total espectro representa uma multiplicidade inequacionável. Só sabemos gerir multiplicidades através de unidades. Cada número é um infinito, estilo mônada. De outra forma não haveria ciência e/ou conhecimento. Conhecemos por que adaptamos o mundo aos nossos conceitos que são agregados unitários e entre eles estabelecemos relações, capturando e agregando essas multiplicidades em direcionamentos, vetores de coligação entre conceitos. O eu, o único, são estruturas nossas. São as raízes múltiplas basilares sobre as quais assenta todo o nosso conhecimento. Agregar é o método, a base, o solo fértil de onde emerge qualquer noção ou termo. No fundo, tal como os humanos, a espécie. Daí falarmos nas estranhezas, inicial e final. Estranhamos por compreender essa magia subjacente ao nosso mundo. A objectividade é também uma agregação do sujeito. O sujeito é um agregado. Faz parte da mesma Natureza de múltiplos onde o raro, é muitíssimo raro mas nunca chega a ser único. Argumentarão, aquele Sol extinguiu-se. Aquele é já parte de alguma agregação.  Se pensarmos bem, o uso da estatística como preditor é a prova disso. A realidade é plural, toda ela.




segunda-feira, 19 de junho de 2023

Não há perfeição

https://zlatkomusicart.wordpress.com/2014/10/31/beauty-lies-in-imperfection/
Zlatko Music

Se os energúmenos, crentes no seu Deus, sejam de que credo forem, na prática, renegam por completo o objecto da sua fé, podemos então, fácilmente descrer na sua fervorosa fé e, ainda pior, suspeitar da sua real falta de humanidade ao quererem segurar tibiamente adesões a falsos absolutos. Para quê, tanta falsidade ? Para quê, tanta máscara de fé, autêntica? Todos os mentirosos patológicos enredam-se e acreditam piamente nas sua mentiras como se do consolo da sua imaginação extraissem verdades. Infelizmente, dada a abundância destes seres,  esta sua fragilidade torna o mundo um lugar tão virtual quanto desvirtuado.
Por isso, afirmo que, o lugar da não crença, o lugar mais desabitado é, o lugar certo, onde, não se será contaminado por esse veneno modal e irresponsável.



segunda-feira, 29 de maio de 2023

Agir

Picasso - Ma Jolie (1911)

Age sempre como se nunca recusasses um último desejo de um condenado, excepto se, esse derradeiro desejo consistisse em, tu morreres e o condenado se salvar ou se, nesse caso, o condenado fosse um  teu filho ou alguém que tu amasses.



quarta-feira, 17 de maio de 2023

Um beijo


Gostaria de poder
Receber um beijo
Apenas e tão só 
Um beijo
Doado e desinteressado
Um beijo
Que me viesse confortar
Desta loucura
Que me parece rodear
Um beijo
Que realmente
Revelasse amar-me



sábado, 13 de maio de 2023

Política não há



Crise climática. Repetidamente níveis bons ou razoáveis de água no Norte, falta da mesma no Sul. Em Espanha já se faz transvaso dos rios de Norte para Sul e dessanilização. Não resolve, mas atenua. Em Portugal, continuamos sem estratégia, ou seja, sem política e sobretudo sem ação. Onde está o Ministério do Ambiente, o da Agricultura e o das Infraestruturas ? 
50 anos para decidir onde será o novo aeroporto é revelador dos políticos que temos e do grau de exigência do povo.
Os jornalistas focam-se no futebol e na realeza inglesa, no diz que disse entre o PR e o PM e, compreende-se a mediocridade e a pobreza jornalística.
A falácia do conforto verde dos carrinhos eléctricos e a utopia do imediato fim dos combustíveis fósseis é também reveladora.
Triste é mesmo o batalhão de viciados na Net e nas redes sociais que, em pleno século XXI, acredita que o homem nunca foi à Lua, que a Terra é definitivamente plana, que as vacinas são um embuste e que as alterações climáticas, acelerados pelo homem são um mito. Razão tinha Umberto Eco, que alguns ainda ousaram chamá-lo arrogante.
Em suma temos um cocktail explosivo que não augura nada de bom para o futuro.
Política? Acções com estratégia para resolver problemas? Não há!





quarta-feira, 10 de maio de 2023

NUFF SAID

 

Quimera

Não sei de onde surgiu tudo isto ? Tem de haver uma origem, uma causa primeira, uma causa produtora, uma causa geratriz. Tem ? Realmente ? Confundir a tentativa de uma resposta, temporária e provisória,  a racionalmente possível com uma resposta absoluta e definitiva é forçado de mais. Então, talvez, não tenha! A questão pode estar mal colocada ou não ser sequer a adequada. A necessidade de uma simples explicação, não garante, nem justifica, qualquer certeza numa resposta.

Como garantir que, o que não sei é Deus ? Deus é explicação racional suficiente ? Não! É insuficiente e nada prova quanto à sua existência. Como ente virtual, modelar,  Deus existe, de facto, com o mesmo tipo de realidade de um unicórnio. Isto é, inegável e factual. É como o número 1. Existe como ente virtual e operativo, mas de facto, não existe enquanto ser extenso, substância extensa. Um copo é, este copo, com extensão que posso ver e pegar, mas não é o número que define o copo ou que é o copo, portanto, este um, é apenas uma enumeração operativa e referencial, não uma entidade extensa.

De acordo com o anterior, existem pelo menos dois modos de existência: extensa e virtual, algo muito em linha com a ideia de Espinosa de extensão e pensamento ou de Aristóteles de material e imaterial. Isto é discutível, mas não o irei fazer aqui. A ideia é que Deus não é extenso, no sentido material e portanto, existente, ou presente,  apenas e parcialmente, numa das dimensões da realidade/mundo. Eu, pelo menos não creio que caminhe sobre Deus ao deslocar-me através da crosta terrestre ou ao atravessar uma superfície aquosa como um rio ou o mar, etc. Para os que acham que o Universo foi criado, talvez, tal, seja admissível. Não vou aqui discutir questões como imanência ou transcendência de carácter eminementemente teológico. Foquemo-nos no criador e na criação.

Deus é a perfeição. Mas se lhe falta a extensão como pode ser perfeito ? Se não lhe falta, então, sempre caminho sobre Deus e os meus pés estão sempre a pisá-lo. Segundo o pensamento de Espinosa, Deus ou a Natureza, essa seria uma realidade tão factual como o facto de todos nós urinarmos e defecarmos sobre ele ou sermos capazes de corromper a sua extensibilidade, designadamente se matarmos outros seres - o que significaria destruir partes da extensão de Deus -. No primeiro caso, a imperfeição não lhe assenta bem. No segundo caso, a materialidade pode revelar-se nojenta e cruel. 

Agora estamos presos a este dilema. Tanto uma versão como a outra nos parecem imperfeitas. Então, poderemos concluir, eventuamente, ou nós, não fazemos a menor ideia do que seja a perfeição ou a concepção de perfeição que temos é completamente imperfeita. Nesse caso, também não poderemos atribuir essa qualidade de "perfeição" a Deus. Talvez estejamos somente a inventar e a inventá-lo.

Agora, sobre a criação. Se fomos criados por Deus, e Deus é perfeito, por que razão nos terá ele criado imperfeitos ? Agumas crenças afirmam que o Criador nos criou à sua imagem e semelhança. Mas é suspeito e duvidoso. Se somos feitos à sua semelhantes somos tão perfeitos ou tão imperfeitos como ele. Não ? Não. Os religiosos trataram de mascarar tudo isto. Nós somos eidolon e não eidos, cópias imperfeitas do(s) arquétipos (das ideias perfeitas). Mas por que razão Deus iria criar algo menor, menos perfeito ? Para não concorrer como ele ? Problema de poder ? Os gregos atribuiam todas as características humanas aos seus Deuses. Aliás sempre, a Humanidade, a meu ver, falou sempre sózinha, fosse com totens ou estrelas, quimeras ou outras monstruosidades,  etc. De qualquer das maneiras, não se entende por que as religiões que se apropriaram dos Deuses (criados em meu entender pela imaginação dos homens) condenam os seres a tapar o corpo ou os cabelos, como se fosse algo  vergonhoso ? Temos que esconder o sexo e a alma, pregando-se em contrapartida a doutrina da verdade, numa ambivalência obtusa e desconcertante. O corpo, os sentidos, a matéria são imperfeições a esconder, como se de algo vergonhoso se tratasse pois, suscitam ou podem suscitar desejo, incorrendo-se nesse caso em pecado. Admitir isto, significa corroborar que somos uma criação defeituosa de Deus. Fazem então sentido as nossas questões iniciais.



Spirit of the Water

I emerge

 

Sunset in a tower

Sunset in a tower

 

The fisherman

 

Watch in silence

Como diria Umberto Eco



"As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal à coletividade. Diziam-lhes imediatamente para calar a boca, enquanto hoje eles têm o mesmo direito à palavra do que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis." 

"O drama da internet (corrigiria para redes sociais) é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade."